AS10 | Cantores Internacionais Que Marcaram Os Anos 70

AS10 | Cantores Internacionais Que Marcaram Os Anos 70

Nuno Sarafa

A década de 70 do século passado foi rica em variedade, carisma e talento. E foram incontáveis as vozes masculinas que cantaram e que encantaram ou influenciaram multidões. Mas, porque não cabem todos, a AS escolheu 10 vocalistas masculinos que marcaram essa época dourada da música.

As listas valem o que valem e nelas, já se sabe, não cabem todos os artistas que mais gostamos ou com mais do que créditos para serem incluídos. Subjectividades à parte, e porque esta rubrica se chama AS10, só poderíamos mesmo escolher uma dezena de vozes incríveis e que tornaram os anos 1970 numa das melhores décadas de sempre no que à produção musical diz respeito.

Portanto, foram estes os nomes que escolhemos, mas muitos outros igualmente incontornáveis poderiam ter sido incluídos, como são os casos de Bruce Springsteen, David Coverdale, Iggy Pop, Isaac Hayes, Al Green, Neil Young, Billy Joel, entre tantos, tantos outros.

Esta é a nossa lista com alguns dos mais relevantes cantores que marcaram a incomparável década de 70 do séc. XX.

ROBERT PLANT | Fazer uma lista de cantores dos anos 70 e não mencionar o vocalista dos Led Zeppelin seria um erro histórico. Um dos definitivos deuses do rock, Robert Plant, ou Golden God, como também lhe chamaram, tem aquele tipo de voz que ou se ama ou se detesta, mas que é incontornável quanto à sua relevância, lá isso é. Diabólico, bluesy, gingão, alto tenor detentor de uma gama vocal poderosa e ampla (particularmente evidente nos agudos), foi eleito o 15º melhor cantor da história pela revista Rolling Stone. Robert Anthony Plant nasceu em West Bromwich, Inglaterra, a 20 de Agosto de 1948, começou a cantar profissionalmente em clubes com apenas 16 anos de idade, influenciado principalmente por Elvis Presley, tendo desenvolvido uma grande paixão pelo blues, em especial por artistas como Willie Dixon, Bukka White, Robert Johnson, Skip James ou Jerry Miller.

STEVIE WONDER | Nascido Stevland Hardaway Morris em Saginaw, Michigan, a 13 de Maio de 1950, Stevie Wonder assinou, aos 11 anos de idade, contrato com a Tamla Records, selo da Motown Records (com a qual mantém ligação) e alcançou grande sucesso logo aos 13 anos com “Fingertips (Pt. 2)”, um single de 1963 gravado ao vivo durante a tour Motor Town Revue, de apoio ao álbum “Recorded Live: The 12 Year Old Genius”. Nesse tema, Wonder cantava, tocava bongós e sopros e atrás tinha o jovem Marvin Gaye na bateria. O disco atingiu o número 1 nos EUA e catapultou o multi-instrumentista para um sucesso que ainda hoje se mantém. Gravou mais de 30 êxitos que alcançaram o top ten e arrecadou 25 Grammys. Durante a década de 1970, a sua melhor fase, Stevie Wonder lançou oito álbuns de estúdio, nos quais cinco das suas canções chegaram ao número 1: “I Wish”, “Sir Duke”, “Superstition”, “You Haven’t Done Nothin” e “You Are The Sunshine Of My Life”.

MARVIN GAYE | Marvin Gaye (Washington, 2 de Abril de 1939 – Los Angeles, 1 de Abril de 1984), nasceu Marvin Pentz Gay, Jr. e foi um dos porta-estandartes da soul e R&B. Arranjador, multi-instrumentista, compositor e produtor de uma sofisticada soul de consciência política e sexual, ganhou fama internacional durante os anos 1960 e 1970 como artista da Motown. Entre 1970 e 1979, lançou seis álbuns de estúdio, com o maravilhoso “Let’s Get It On” à cabeça, que atingiu o número 2 da US Billboard. Foi também durante esta década que lançou dois singles que o levaram ao lugar cimeiro do Top 40 dos EUA, “Let’s Get It On” e “Got to Give It Up”. Esta foi também a década em que Marvin Gaye foi nomeado para os Grammys por seis vezes, não tendo, no entanto, arrecadado qualquer estatueta. Marvin Gaye foi ainda conhecido pela sua luta para produzir os seus próprios sucessos, mas criativamente restritivo, já que rezam as crónicas que no processo de gravação, na Motown, intérpretes, compositores e produtores eram geralmente mantidos em áreas separadas.

ROD STEWART | Roderick David Stewart nasceu em Highgate, Londres, a 10 de Janeiro de 1945 e ficou desde sempre conhecido pela sua voz áspera e rouca. Rod Stewart começou a ficar conhecido no final dos anos 60 quando entrou para o Jeff Beck Group e, depois, para os The Faces (remanescentes dos Small Faces depois de Steve Marriott deixar a banda), iniciando paralelamente uma carreira solo que dura há já cinco décadas. Mas foi durante os anos 1970 que Rod Stewart conseguiu estabelecer essa carreira a solo, década durante a qual lançou oito álbuns de estúdio com seis deles a entrar no Top Ten da Billboard. Em 1971, atingiu o primeiro lugar com a canção “Maggie May” e também com o álbum “Every Picture Tells A Story”, tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido. Já conta mais de 100 milhões de discos vendidos em todo o mundo. A canção com mais sucesso foi “Da Ya Think I’m Sexy?”, de 1978, que atingiu o número 1 em praticamente todos os países e vendeu mais de 4 milhões de exemplares.

FREDDIE MERCURY | Voz incontornável e que também não poderia ficar fora desta lista. Cantor, pianista e compositor conhecido por ser a voz dos Queen, que integrou de 1970 até 1991, o ano da sua morte, Mercury tornou-se célebre pela sua poderosa amplitude vocal, inigualável timbre, além dos seus desempenhos cheios de energia e que sempre envolviam a plateia – como no mítico concerto do Live Aid, em Wembley, em 1985 -, tendo sido considerado pela crítica como um dos maiores artistas de todos os tempos. Nasceu Farrokh Bulsara, em Zanzibar, a 5 de Setembro de 1946. Foi pela mão de Mercury que se escreveram alguns dos maiores sucessos dos Queen, como “We Are The Champions”, “Love Of My Life”, “Killer Queen”, “Bohemian Rhapsody”, “Somebody To Love” ou “Don’t Stop Me Now”.

DAVID BOWIE | Se existem artistas influentes, então David Robert Jones, ou David Bowie, foi um dos mais notórios de sempre, especialmente durante os anos 70. De 1970 a 1979, editou 11 álbuns de estúdio, sempre musicalmente variados ou eclécticos – também por essa razão era chamado de ‘Camaleão’ – e sempre com um toque extremamente original. Discos que ainda hoje são verdadeiros marcos da história música. Apesar do seu desaparecimento em 2016, David Bowie é, sem sombra de dúvida, um dos músicos mais inovadores e ainda influentes de todos os tempos, sobretudo pelo seu trabalho nas décadas de 1970 e 1980, além de se distinguir pela voz característica e pela profundidade intelectual da sua obra.

BOB DYLAN | Mais um daqueles nomes obrigatórios em qualquer lista. É um dos artistas mais populares de todos os tempos, com mais de 100 milhões de vendas em todo o mundo. Entre 1970 e 1979, Bob Dylan lançou oito álbuns e todos entraram para o top 20 da Billboard, além dos 21 singles, oito dos quais com tremendo sucesso. Bob Dylan ganhou 10 Grammys ao longo da carreira e foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 2016. E se se pudesse pensar que, ao cabo de tantos anos, o artista poderia abrandar, eis que editou recentemente mais um disco, uma das nossas escolhas de 2020. Robert Allen Zimmerman é conhecido por escrever letras que incorporam uma ampla gama de influências políticas, sociais, filosóficas e literárias, que desafiam as convenções da música pop e apelam a uma certa contracultura. Para ilustrar o texto, escolhemos um tema de “Blood On The Tracks”, 15º álbum, de 1975, dupla platina nos EUA e que consta da lista dos 200 álbuns definitivos no Rock And Roll Hall of Fame.

ELTON JOHN | Ao longo da sua carreira, Sir Elton John já vendeu mais de 300 milhões de discos. É obra! Nos anos 70, para muitos a sua melhor fase, editou 12 álbuns de estúdio, dos quais seis encabeçaram a lista da Billboard. Nessa década, e já consagrado com o nome artístico de Elton John – ele que nasceu Reginald Kenneth Dwight -, foi considerado pela crítica como um dos maiores cantores de rock, à boleia de canções de sucesso como “Your Song” ou “Goodbye Yellow Brick Road”. Em 1972, lança a canção “Crocodile Rock”, composta com Bernie Taupin no estúdio francês Château d’Hérouville e, nesse mesmo ano, lançou o álbum “Honky Château”, com a belíssima canção “Rocket Man”, também composta em parceria com Taupin. Depois vieram os álbuns “Goodbye Yellow Brick Road” (1973) e “Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy” (1975), os seus discos mais bem colocados nos rankings, quer de vendas, quer da crítica.

JOHN LENNON | Os Beatles separaram-se precisamente em 1970, mas John Winston Ono Lennon não pararia de criar até ao dia em que lhe tiraram a vida, a 8 de Dezembro de 1980, cerca de um mês depois de editar o seu último disco, “Double Fantasy”, quinto álbum de estúdio de John Lennon e Yoko Ono e que arranca em grande com “(Just Like) Starting Over”. O primeiro disco a solo fora editado em 1970, “John Lennon/Plastic Ono Band”, do qual constam hinos como “Isolation”, “Mother”, “God” ou “Working Class Hero”, e que foi recebido com louvor por muitos críticos. Escreveu muito do seu melhor trabalho no final dos anos 60 e início dos anos 70. Escolhemos “Jealous Guy”, do não menos emblemático álbum “Imagine” de 1971.

BEE GEES | Terminamos não com uma, mas com três vozes inconfundíveis – que juntas funcionavam com uma só – e que nos transportam irremediavelmente para os anos 70. Falamos dos irmãos Barry, Robin e Maurice Gibb, os Bee Gees. De 1971 a 1980 viveram tempos loucos, com uma quase falência, o ressurgimento, mudanças de estilo musical e, finalmente, o auge. Canções como “Stayin’ Alive”, “More Than A Woman”, “How Deep Is Your Love” ou “Night Fever” alcançaram o primeiro lugar em vários países do mundo e continuam, ainda hoje, no imaginário de milhões de pessoas. Os Bee Gees – que recentemente foram revisitados com versões num estilo bem diferente do que protagonizaram – terminaram a década de 1970 como artistas consagrados e com o merecido título de reis da disco.

FENDER