AS10 Capas de Álbuns 2017

AS10 Capas de Álbuns 2017

Nero

As capas de álbuns preferidas da nossa redacção em 2017.

Diferentes géneros musicais e diferentes tipos de design. É um prazer constatar que nestes tempos, em que por mais culto de nicho possa existir é o consumo digital de música que dita as regras, ainda é despendido tanto esforço em unir o mundo auditivo e o visual. Seguindo uma espécie ordem alfabética, e como não conseguimos eleger apenas 10, estas são as 20 capas do ano de 2017 que a redacção da AS mais gostou. Capas que, especialmente no tamanho colossal de uma edição em vinil (infelizmente, não possuímos nem metade nesse formato), são obras de arte por direito próprio e os discos que ilustram também são dignos de escuta e sobre os quais partilhamos alguns sons e impressões.

ACACIA STRAIN, THE – GRAVEBLOOM

Não é um mau disco (longe disso), mas depois de álbuns como “Coma Witch” e “Death Is The Only Mortal”, nos quais a banda expressou o seu metalcore no máximo do potencial musical e criativo, “Gravebloom” parece menos vibrante, repetindo fórmulas anteriores e repetindo-se em si mesmo durante a audição. No entanto, o peso sonoro permanece intocado, tal como o groove da banda.

AMENRA – MASS VI

Álbum após álbum, os belgas continuam a aperfeiçoar a sua estética. Em “Mass VI”, os crescendos sonoros, as oscilações harmónicas e dinâmicas sobre as monolíticas repetições melódicas, base para a angústia mental que transparece das vocalizações, estão no ponto mais impressionante de sempre. A escuridão e violência emocional do álbum são terríficas e desde a abertura, com “Children Of The Eye, este é um álbum que irá cicatrizar também o ouvinte.

ASTRID SWAN – FROM THE BED AND BEYOND

Um vibrante exercício de art pop, este regresso da filandesa. Com canções simples e arranjos sofisticados, a autora conseguiu transpor para este álbum toda a dor e catarse causadas pelas batalhas que enfrentou contra um cancro, bem como a violenta perspectiva que tal situação coloca num ser humano.

AUGUST BURNS RED – PHANTOM ANTHEM

Uma das forças dominantes do metalcore, em “Phantom Anthem” os August Burns Red apresentam uma agressiva e sólida parede sónica, grafitada com um cativante colorido instrumental e melódico e uma energia vocal assinalável. A cada tema, o álbum esbanja poder e em cada uma dessas audições cresce o fascínio pela descoberta das dinâmicas que nos são propostas.

CHUCK BERRY – CHUCK

Antes de morrer, Chuck Berry deixou pronto o seu vigésimo álbum. Foi o primeiro álbum, em 38 anos, a ser composto principalmente por novo material e dá-nos tudo o que se podia esperar de um dos pioneiros do rock ‘n’ roll. Riffs e solos tão catchy como nos anos 50, valendo a pena lembrar que Chuck Berry gravou este álbum com 90 anos de idade, sem se notar menor fogosidade no seu talento na guitarra eléctrica.

END – FROM THE UNFORGIVING ARMS OF GOD

Um pouco de batota, “From The Unforgiving Arms Of God” não é um LP, mas o EP de estreia dos End. O registo é uma tempestade de pancadaria, com todos os atributos canónicos do hardcore – o caos encarnado. O som do disco tem um peso brutal, quase a fugir dos padrões do género, e uma ferocidade vocal fora do comum. Gesso!

GUCCI MANE – MR DAVIS

Não é um dos melhores (dos muitos) discos de Gucci Mane, mas em “Mr. Davis” consegue harmonizar a panóplia de convidados (Nicki Minaj, Monica, Chris Brown, Migos, The Weeknd, ASAP Rocky, Big Sean, Ty Dolla Sign, Schoolboy Q, Slim Jxmmi, Young Dolph e Rico Love) de forma tão discreta quanto eficaz, através de uma excelente produção.

HELPLESS – DEBT

Depois de um prometedor EP de estreia, o novo álbum confirma o crossover entre grind, punk e estéticas post metal, da banda de Plymouth, como uma das mais interessantes propostas na actualidade da música extrema britânica. “Debt” é uma rápida, quase indolor, sessão de violência sonora. Naturalmente, irá ferir as susceptibilidades de quem não for fã do género.

KELELA – TAKE ME APART

O álbum de estreia de Kelela é um trabalho de fusão sofisticada entre electrónica e R&B, com arranjos e uma produção sonora deslumbrantes e com uma afirmação estética intrigante. A hierofania pop presente nas canções derivará também da escolha dos colaboradores, onde se contam nomes como Romy Madley Croft (the xx), Sabina Sciubba (Brazilian Girls) e Asma Maroof (Nguzunguzu), que dinamitam vários conceito desgastados de composição. “Take Me Apart” revela um trabalho de minuciosos detalhes que se vão revelando a cada nova audição.

KRISTOFF KRANE – KAIROS

A produção experimental torna o rap de Kristoff Krane uma tapeçaria exótica e intrigante. O músico aprisiona-nos através de padrões rítmicos complexos, que vão sendo progressivamente montados, através de outros elementos, criando crescendos que, além de simplesmente emocionais, são também racionais. Como se permitisse ao ouvinte montar os puzzles da sua própria composição.

LOGIC – EVERYBODY

O terceiro álbum do rapper possui uma produção suave e “açucarada”, talvez em excesso. O álbum tem um desgaste rápido devido às várias repetições, que sucedem mesmo nos contrastes dinâmicos de um álbum, já de si, algo pausado, e também por um certo melodrama em torno de temas tão melindrosos como raça e religião. De certa forma, “Everybody” é, de facto, mais cinematográfico e etéreo que “real”.

LORDE – MELODRAMA

Na história da música não existem tantos artistas que, após um álbum de estreia tão impressionante, tenham conseguido criar um segundo álbum tão deslumbrante e imediatamente reformulado a sua sonoridade. “Melodrama” torna a pegar em assuntos banais e alguns clichés rítmicos e melódicos da música pop, servindo-os, tal como em “Pure Heroine”, com uma autenticidade desarmante. Ao mesmo tempo que são integrados novos utensílios instrumentais, ainda que a ultra dependência da sintetização possa ser apontada como a única falha do álbum, tal como no primeiro.

NECK OF THE WOODS – THE PASSENGER

O som dos canadianos poderá ser difícil de catalogar, com sobreposições de estruturas que ressoam black metal, com um núcleo death metal e uma parede sonora revestida de metal core. E ainda com progressões melódicas e contrastes entre som limpo e distorção capazes de agradar a fãs dos Opeth, até pela natureza técnica com que executam o álbum. Uma coisa é certa, “The Passenger” tem motivos de sobra para agradar à maioria dos metaleiros.

NIGHTBRINGER – TERRA DAMNATA

Para lá da velha discussão sobre as diferenças entre o black metal norte-americano, como é o caso dos Nightbringer, e o black metal europeu, o que “Terra Damnata” deixa bem claro é que o black metal enquanto género musical vive uma boa fase. Neste caso, o álbum é executado com ferocidade e precisão técnica exemplares que potenciam a sua dimensão épica.

NYSS – PRINCESSE TERRE

O título completo, “Princesse Terre (Three Studies Of Silence And Death)”, não faz qualquer compromisso no pretensiosismo – infelizmente, uma tendência algo hipster do black metal francês. Até porque o álbum, depois de saturantes momentos de sintetização minimalista, consegue revelar estruturas clássicas bem executadas, ainda que a originalidade seja bem menor que o título do álbum. Mas tradicional e black metal são coisas que ficam sempre bem juntas.

PROCESS OF GUILT – BLACK EARTH

No sucessor do uber aclamado “Faemin”, os Process Of Guilt estão numa fase de transição. A força desoladora dos temas de “Black Earth” revela uma maior agressividade nos temas, fruto de um acréscimo de bpms, em comparação com a “cadenciação” do álbum anterior. Isso exige uma maior expansão técnica dos músicos, principalmente num maior protagonismo da secção rítmica, que neste álbum se apresenta na versão mais consistente da discografia.

QUEENS OF THE STONE AGE – VILLAINS

Review ao disco, AQUI.

SOUP – REMEDIES

O 6º álbum da banda norueguesa. Para fãs do prog rock contemporâneo, feito do cruzamento entre o rock alternativo com elementos cinematográficos e electrónicos. Com a produção de Paul Savage (Mogwai, Franz Ferdinand), podemos ouvir paisagens sónicas que evocam a história do género, desde King Crimson aos mais ligeiros Snow Patrol.

TOVE LO – BLUE LIPS

Uma das princesas da dance pop, a sueca Tove Lo continua a exibir um design meticuloso de produção, neste álbum quase gémeo de “Lady Wood” (2016). Tematicamente, também é mantida a honestidade brutal da artista, que expõe as suas falhas humanas, com reflexos nas suas relações, e a sua sexualidade sem preconceitos. Essa honestidade (ou fingimento “pessoano”) é o que empresta intensidade a “Blue Lips”.

YUJI KONDO – FACES PAST

Com uma reputação cada vez maior no universo das pistas de dança, com um trabalho de sofisticação de produção e materialização da cena electrónica, o japonês Yuji Kondo viu em 2017 o momento de lançar o seu álbum de estreia. “Faces Past” não é um álbum exactamente clubbing, revelando antes uma charmosa e intrigante arquitectura sónica, com uma aura negra e alguns acenos ao trip hop.