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AS10 | Melhores Álbuns Internacionais 2021

AS10 | Melhores Álbuns Internacionais 2021

Nuno Sarafa

Esta é a lista dos 10 álbuns internacionais que mais gostámos de ouvir em 2021.

Aproxima-se o final de mais um ano e com ele chegam as tradicionais listas dos melhores discos editados ao longo dos últimos 12 meses.

Entre as várias expressões musicais, do mainstream ao underground, uma vez mais sucederam-se excelentes álbuns na música internacional, dos quais destacamos 10, sem qualquer ordem de preferência, somente alfabética.

ARLO PARKS – “Collapsed In Sunbeams” | Janeiro começou bem. Com ele chegou “Collapsed in Sunbeams”, o primeiro álbum da britânica Anaïs Oluwatoyin Estelle Marinho, aka Arlo Parks. Uma estreia tão auspiciosa quanto meticulosa, num exercício estético indie pop com reminiscências dos anos 2000 e em que são abordados temas como sexualidade ou saúde mental. Se a cantora de apenas 20 anos era já apontada como uma das grandes promessas da música britânica, elevou a fasquia com “Collapsed in Sunbeams” [Transgressive Records] e a sua voz alegre e/ou melancólica em cima de beats suaves e descomplicados, basslines com vida própria e guitarras com grande pinta.

BLACK MIDI – “Cavalcade” | O segundo álbum dos ingleses é estranho e frenético, ou não embrulhassem os Black Midi elementos art rock, pós-punk e jazz num verdadeiro abalroamento conceptual, rítmico e estético. Co-produzido com Marta Salogni (The xx) e John ‘Spud’ Murphy, “Cavalcade” surge como passo seguinte natural depois do frenesim instalado com a estreia em 2019 (“Schlagenheim”).

HELADO NEGRO – “Far In” | Robert Carlos Lange, que se estreou há 12 anos como Helado Negro com “Awe Owe”, traz-nos um álbum para conhecer devagar e degustar lentamente. “Far In” consegue ser instrospectivo e dançável, falar sobre vida e (muito) sobre morte e ainda assim não perder alegria e luz, marcas da essência da música do compositor nascido na Florida e baseado em Brooklyn. Ao longo dos seus 15 temas, em inglês e espanhol, “Far In” deambula entre composições sonhadoras e fragmentos da festa da noite anterior.

IDLES – “Crawler” | Ao quarto álbum, mais uma bomba. Mais um disco que aborda a saúde mental em tempos de pandemia e que se estende por terrenos sonoros mais amplos do que no passado. Nas 14 faixas do sucessor do aclamado “Ultra Mono”, de 2020, o quinteto de Bristol carrega histórias vivas de trauma, vício e recuperação, caos e texturas e experimentações, caminhando assim para um território novo e emocionante.

NICK CAVE & WARREN ELLIS – “Carnage” | Disco de Nick Cave com o seu colega de banda Warren Ellis assume-se como um ligeiro desvio da trilogia de álbuns da última década. “Carnage” é uma colecção de contrastes, dor, esperança, surrealismo e romantismo. Brutal, mas muito bonito e apoiado numa catástrofe comunitária, assim Cave o definiu, este é um álbum que começa em solo eletrónico e avança por paisagens ao piano, baladas estilo Leonard Cohen, melodias sombrias ou coros gospel.

SAULT – “Nine” | Disponível apenas durante 99 dias, “Nine” chegou como o quinto capítulo de uma das mais interessantes histórias da música contemporânea, uma banda sobre a qual pouco ou nada se conhece, a não ser a sua música. Depois de “Untitled (Black Is)”, a colecção impactante e sequenciada de música anti-escuridão e anti-racismo – e eleita pela AS como um dos melhores álbuns de 2020 -, “Nine” surge como registo mais equilibrado, em que o colectivo londrino continua político, continua poético, continua a expor conflitos interiores e transporta-nos para as décadas de 60 e 70 do século anterior, ao mesmo tempo que nos vai lembrando da actualidade através de um precioso exercício criativo.

SUFJAN STEVENS & ANGELO DE AUGUSTINE – “A Beginner’s Mind” | “A Beginner’s Mind” foi inspirado nos clássicos de cinema que Stevens e De Augustine assistiram ao longo do tempo que viveram numa cabana no norte do estado de Nova Iorque numa espécie de refúgio criativo forçado pela pandemia. Talvez por isso este disco surja como a absorção de uma torrente de imagens sem contexto guiadas por duas vozes que muitas vezes se confundem. “A Beginner’s Mind” pode não impressionar através do efeito teatral, mas é capaz de nos prender a cada nota.

ST. VINCENT – “Daddy’s Home” | Pode não ser, e não será, seguramente, o seu melhor álbum, mas não se pode dizer que St. Vincent não tenha conseguido, em “Daddy’s Home”, um disco ousado e gratificante.  O sétimo álbum da texana – que se transporta ao tempo em que o seu pai esteve preso por se ter envolvido num esquema de manipulação de acções que defraudou milhares de investidores nos EUA – é uma realização conceptual a grande escala, cheia de grandes melodias, grooves profundos, caracterizações coloridas e detalhes sonoros que se revelam a cada nova audição.

SILK SONIC – “An Evening With Silk Sonic” | Fruto da parceria de duas mentes criativas, Bruno Mars e Anderson .Paak, e com colaboração da lenda Bootsy Collins, a estreia do projecto Silk Sonic é feita de canções radiantes e cheias de alegria, grooves contagiantes e muita vontade de cantar e dançar. Se é um disco para atingir tabelas de vendas? É. Mas também é verdade que Mars e .Paak fizeram estas canções porque gostam, porque querem e porque podem. Talvez o disco mais fixe em que Bruno Mars participou.

TYLER, THE CREATOR – “Call Me If You Get Lost” | A música de Tyler tem sido sempre uma manta de retalhos, truques, esquinas e labirintos, mas a evolução patente em “Call Me If You Get Lost” é elementar. Tyler, The Creator repensa que tipo de histórias quer contar através da sua música e quanto de si próprio o seu sucesso o obriga a revelar. O resultado final é um álbum denso e caleidoscópico que pode demorar algum tempo a absorver, mas que claramente não vai diminuir em qualidade a cada escuta. Até porque, aqui, na sua talvez mais complexa obra até à data, os truques são magistralmente fundidos em novos modelos.

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