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AS10 | Melhores Álbuns Nacionais 2021

AS10 | Melhores Álbuns Nacionais 2021

Redacção

Os álbuns portugueses que mais gostámos de ouvir em 2021.

Ano de inúmeras edições, 2021 trouxe-nos muito bons discos made in Portugal, alguns dos quais objecto de entrevistas nas páginas da Arte Sonora, como foram os casos de “Subterrâneos” (O Gajo), “Técnicas de Combate” (Luta Livre), “Drafty Moon” (Bloom), “Passo Forte” (SAL) ou “Andrómeda” (LEFTY) – que, apesar de ficarem fora desta lista, merecem menção mais do que honrosa.

Entre as várias expressões musicais, do mainstream ao underground, entre tantos nomes, dos mais novos aos mais experimentados, todos os meses foram saindo excelentes discos – infelizmente, não os conseguimos ouvir todos! – e assumimos que nos custa deixar de fora discaços como “A Semente” (Cassete Pirata), “Badiu” (Dino D’Santiago), “Ninguém Nos Vai Tirar o Sol” (Joana Espadinha), “Requiem For Empathy” (Moullinex), “Horas Vazias” (Camané), “Chegou” (Bateu Matou), “Series Vol. 1: Madlib” (Fred) ou “Vários”, o tributo a Tozé Brito.

Sem mais delongas, aqui ficam os álbuns portugueses que mais gostámos de ouvir em 2020, sem qualquer ordem de preferência, somente alfabética.

BRUNO PERNADAS – “Private Reasons” | Depois dos bem sucedidos “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? (2014)” e “Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them” (2016), nos quais já tinha ficado bem exposta a miríade de ideias, recursos e linguagens que habitam a sua música, “Private Reasons” chegou em Abril como uma viagem «por um mundo de estilos musicais, geografias, imagens, vozes e espíritos, refazendo clássicos e vislumbrando o futuro».

FOGO FOGO – “Fladu Fla” | Este é o primeiro longa-duração dos Fogo Fogo, depois de três EP’s: o primeiro, homónimo, lançado em 2015, que recorda as incursões mensais da banda na Casa Independente, o palco que os viu nascer, o segundo, “Nha Cutelo”, de 2018, e o terceiro, em 2019, “Dia Não”. “Fladu Fla” tem África, tem cheirinho a funaná regado com dub, reggae, rock, rock psicadélico e rock progressivo.

JÓNATAS PIRES – “Terra Prometida” | Terra Prometida” é a auspiciosa estreia a solo de Jónatas Pires, uma das caras dos Pontos Negros e que nos habituámos a ver, na última década, aos comandos das guitarras da banda de Samuel Úria. Amor à baixa-fidelidade do rock’n’roll e do punk, uma paixão pela alta-fidelidade da língua portuguesa e as suas metáforas e um romance indisfarçável com as melodias afiadas e apontadas ao coração.

MINTA & THE BROOK TROUT – “Demolition Derby” | Quarto registo de estúdio chegou no ano que a banda fundada por Francisca Cortesão completou 15 anos e aborda assuntos como paisagens artificiais, a relação com a passagem do tempo, auto-ilusões e desilusões e, finalmente, uma tentativa de fazer as pazes com um certo tumulto interior.

MOONSPELL – “Hermitage” | O 12º álbum da discografia dos Moonspell chegou em Fevereiro para revolucionar a banda e, quase a celebrar 30 anos de carreira, a transportar para uma nova sofisticação e era sónica. Este é o primeiro álbum com Hugo Ribeiro ao comando das baquetas e não se trata apenas de um álbum novo, mas de um álbum que se propõe, uma vez mais, a reinventar a banda, onde Ricardo Amorim demonstra um desempenho magnífico em vários temas. O disco não é formatado, não vai ao encontro de um determinado gosto e isso era um dos requisitos da composição: não ser um disco sólido de heavy metal, mas um trabalho no qual a banda procurou usar de alguma simplicidade, fazer algo com menos camadas, menos espesso.

RODRIGO LEÃO – “A Estranha Beleza da Vida” | Mais um épico na pródiga carreira de Rodrigo Leão, que se baseou na fina linha que separa a vida e a morte para escrever “A Estranha Beleza da Vida”, mais um grande disco, carregado de paisagens cinematográficas.

SATURNIA & UM CORPO ESTRANHO – “O Místico Orfeão Sónico de Um Corpo Estranho e Saturnia” | Os projectos Saturnia e Um Corpo Estranho uniram forças e lançaram em conjunto “O Místico Orfeão Sónico de Um Corpo Estranho e Saturnia”. Um disco Sgt Pepperesco, José Cidesco e pesadesco.

SEAN RILEY & THE SLOWRIDERS – “Life” | O quinto disco de originais da carreira e o primeiro depois do desaparecimento de um dos fundadores, Bruno Simões, em 2016, é um verdadeiro novo capítulo na vida de Sean Riley & The Slowriders. “Life” é simultaneamente uma homenagem e uma forma de superação. Uma espécie de luz solar em contraponto com a escuridão do passado recente.

SENSIBLE SOCCERS – “Manoel” | O quarto álbum dos Sensible Soccers resulta do trabalho de criação de duas novas bandas sonoras para dois filmes de Manoel de Oliveira: “Douro, Faina Fluvial” (1931) e “O Pintor e a Cidade” (1956). Um disco em que por vezes a música passeia no cinema, ao seu passo e no seu tempo, noutras invade-o, impondo uma nova leitura, qual vendaval hostil.

10 000 Russos – “Superinertia” | Editado em Setembro pela londrina Fuzz Club Records, “Superinertia” sucede a “Kompromat”, de 2019, e é descrito pela banda como um disco acerca «do estado de inércia em que os humanos vivem no Ocidente nos dias de hoje. Não é um disco sobre passado ou futuro. É sobre agora».

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