AS10, Primavera Sound 2014

AS10, Primavera Sound 2014

Nero

Prestes a iniciar-se a edição de 2014 do Primavera Sound, na sua extensão portuguesa, deixamos as nossas recomendações de um itinerário obrigatório, num cartaz com uma avalanche de actuações sobrepostas.

Normalíssimo que The National, Mogwai ou Lee Ranaldo, sejam consensuais. Contudo, com um cartaz do tamanho do Primavera, há opções que precisam de ser feitas. Se o dia 05 serve de aquecimento, com um cartaz menos sobrecarregado, a 6ta feira e o Sábado obrigarão a muitas escolhas. É claro que podem, simplesmente, ir percorrendo todos os palcos, mas há concertos que, à partida, valerão a pena assistir do início ao fim.

CLOUD NOTHINGS // Lê-se em review na AS que o recente “Here and Nowhere Else”, «mais do que renovar a discografia dos Cloud Nothings, apura a facilidade de dar “porrada” ao mesmo tempo que se fazem boas canções. Vamos tocar alto e rápido. Quando se tem raiva, ruído, melodia e sentido, tem-se tudo o que é preciso».

SHELLAC // Venham as vezes que vierem ao Primavera, será sempre um concerto de passagem obrigatória. Até porque ao vivo soam consideravelmente melhor e mais pesados. Desta vez, está a caminho um novo álbum (o primeiro em sete anos) e, certamente, será mostrado no Porto.

FÖLLAKZOID // Falharam a presença no Milhões de Festa, em 2011, estiveram em Lisboa, em Dezembro passado, e agora o seu psicadelismo de raízes entranhadas no krautrock é um must see no Primavera. A AS já conversou com eles. Se o concerto for como o de Lisboa, o Porto não terá razões para não gostar.

JAGWAR MA // O primeiro dia encerra de modo ideal. Naquela hora em que se está mais disponível para o psicadelismo, os Jagwar Ma vão subir a palco como um furacão de psicadelismo, acidez e dance. Se os Primal Scream ainda esperavam por uns herdeiros, eles são os australianos.

TORTO // A banda toca em casa. A questão de interesse é ver como se ajustarão a um palco maior, de condições técnicas e de ambiente totalmente diferentes de muitas das salas em que têm dado grandes, grandes concertos.

GLASSER // Cameron Mesirow conta com dois álbuns e imensas comparações: Björk, Fever Ray, Cocteau Twins ou mesmo Joni Mitchell. Com um sentido mais dreampop na sua experimentação electrónica, parece perfeitamente capaz de começar a impor-se através dos seus próprios méritos.

DARKSIDE // Antes do álbum “Psychic”, Darkside era somente um side-project de Nicolas Jaar. No tremendo EP de estreia, a banda, que o produtor partilha com o multi-instrumentista Dave Harrington, nem sequer tinha wiki. Depois da remixagem integral de “Random Access Memories” e do referido álbum de estreia, tornaram-se uma das bandas mais esperadas, mas aquele primeiro EP… era outra cena.

YAMANTAKA/SONIC TITAN // Ritualístico, psicadélico, experimental, provocador. Ruby Kato Attwood e Alaska B podem vir a tornar-se numa das mais refrescantes propostas do rock nesta década.

ST. VINCENT // O quarto álbum de Annie Clark catapultou todas as capacidades da compositora para outro patamar. Talvez influência do tempo passado com o exótico David Byrne, há mais experimentação, mais groove “fora da caixa” e uma voz cada vez mais confiante.

SLOWDIVE // “Just For A Day”, “Slouvlaki” e “Pygmalion” estão para o shoegaze como “Bleach” para o grunge. Depois do regresso dos My Bloody Valentine, o ano passado, o Primavera torna a dar-nos o regresso de outro dos pilares do género. Poderá não vir a ser o melhor concerto do festival, mas é o mais obrigatório.