Boiler Room: a experiência em 5 passos

Boiler Room: a experiência em 5 passos

Tiago Varzim

A tradução literal levaríamos ao mundo das caldeiras, lá escondidas em caves, onde o calor era muito. A metáfora não está longe daquilo que acontece no Boiler Room.

Para quem está a ver através do stream não passa de pessoas ao mesmo nível de DJ’s a dançarem num quarto escuro. Já estive desse lado e gostava da música, mas não sentia a experiência. Nos dias de hoje as experiências é o que mais se vende. E esta é uma das que vale a pena vincar que, apesar de ser gratuita (por convite), não nos chocaria pagar uma experiência tão única.

O Mercado de Santa Clara, perto do Panteão e de Santa Apolónia, foi o ‘quarto escuro’ da edição do Boiler Room deste ano em Lisboa. Os protagonistas foram os Buraka Som Sistema, com o quinteto a fechar a noite, mas DJ Marky, Batida e Dengue Dengue Dengue foram exímios em não deixar arrefecer uma quente noite lisboeta que durou mais de seis horas. Afinal: o que se vê no Boiler Room?

1. Mais estrangeiros do que portugueses
Um japonês que vive na Austrália, holandeses, italianos, polacos e a lista de diversidade continua. Talvez por ainda não estarem tão familiarizados com o conceito, os portugueses pareceram estar em minoria neste Boiler Room. Pelo menos na linha da frente ou atrás do DJ foram os estrangeiros – muitos turistas, provavelmente – os grandes protagonistas dos move’s que se pode ver no stream desta caldeirada musical lisboeta.

2. Forte presença de uma marca
Provavelmente o Boiler Room não chegaria a terras lusas caso não fosse o patrocinador. Desta vez foi a Ballantine’s, marca de whisky, a fazer acontecer esta experiência única. Basta que as expressões “free food” e “free drinks” estejam para a multidão estar contente e isso viu-se na cara dos boileroom’ianos. O fenómeno já não é novo (os festivais de música só sobrevivem com uma marca como suporte) mas a forma como um evento de caráter exclusivo depois se abre a quem lá está é de notar.

3. O equipamento de cada DJ
Para os mais interessados em música, a proximidade com a cabine do DJ deixa-nos explorar com os olhos a mestria de cada manipulador de som. Uns mais no seu laptop, outros mais focados nos adereços que trazem: cada DJ tem a sua estratégia para fazer a multidão dançar sem parar. Mesmo quem não percebe nada de equipamento musical tem ali uma oportunidade de ver o disc-jokey na sua forma mais crua. Aqui não há pen’s.

4. Mais telemóveis do que numa loja
Não podia deixar de ser assim, mas num espaço escuro e pequeno como o Boiler Room o fenómeno intensifica-se. É que tens os teus artistas preferidos a um metro de distância e é impossível não pedir aquela selfie que sabes que vai ficar mal (nem o flash salva), mas que queres guardar para a eternidade. Tudo bem, estás perdoado. Maldito Snapchat.

5. Torna o underground mainstream
Apesar de os sons africanos terem sido difundidos às massas pelos Buraka Som Sistema, ainda há muito para descobrir. A editora Enchufada é responsável por muitos desses nomes, incluindo os sul-americanos Dengue Dengue Dengue. Na verdade, este Boiler Room serviu de celebração dos 10 anos de música eletrónica e de dança na cena musical lisboeta. O hiatus que os Buraka vão fazer tornou este evento uma espécie de despedida (a real despedida é dia 1 de julho, nos Jardins da Torre de Belém). Estes saem de cena, mas há muitos nomes para descobrir com novas sonoridades. O underground pode ser mainstream em breve.

O Boiler Room continua a conquistar terras com amor para dar. Tanto que até existe um tumblr para celebrar: Boiler Room knows what you did last night. É possível haver um Boiler Room todas as semanas?

Carrega na foto em baixo, para veres a fotoreportagem do evento.

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