Breve incursão no mundo de Föllakzoid

Breve incursão no mundo de Föllakzoid

Nero

A emergente banda, da emergente cena psicadélica chilena, vai estar em Lisboa no próximo dia 20 de Dezembro. Trocaram dois dedos de conversa connosco, sobre o segundo álbum e as infernais pan pipe moods.

Os FÖLLAKZOID são uns “putos” chilenos com a educação e o bom gosto de mergulharem os ouvidos no núcleo dokrautrock. A audição despoletou as jam sessions, e essas resultaram em dois discos, o primeiro homónimo e o segundo, editado recentemente, com aquele título sempre muito Led Zeppelin – “II”. Em 2011 falharam a presença no Milhões de Festa, mas dia 20 estarão na Casa Independente, em Lisboa. Aí terminam a psicadélica digressão europeia. O baixista Juan Carlos respondeu-nos a uma curta entrevista.

Não há assim tantas bandas chilenas com exposição internacional. Isso tem algo a ver com a ditadura que o país viveu durante tanto tempo?
Não é a principal razão, mas certamente que afectou negativamente o país. Durante 17 anos a música esteve praticamente “desligada”. Los Jaivas e outros músicos chilenos tiveram que exilar-se para desenvolverem o seu trabalho.

As vossas músicas parecem muito baseadas em longas jam sessions. Como trabalham a produção para tornar essas ideias em formas mais estruturadas?
O processo em que a música se torna uma canção é muito lento e não acontece na produção, em estúdio. Acontece a tocar a canção durante períodos curtos ou alargados de tempo, a ver como se transforma até não ter mais nenhum sítio para onde ir. A partir daí é uma questão de ajustá-la para caber na duração do vinil.

Acreditamos que o folk vai para lá da forma do som, tem a ver com os tempos e escalas, velhas técnicas ritualísticas.

E gravam preferencialmente em live takes, adicionando apenas algum sumo extra na pós-produção?
Sim. Todas as canções são gravadas em take único e depois misturadas.

Há uma especial de praga com a música folk Sul-Americana, em que tudo se torna em CDs de “pan pipe moods” ou música de elevador. Vivendo no “país real”, quanta da vossa música nativa acaba como uma influência identificável no vosso trabalho?
Acreditamos que o folk vai para lá da forma do som, tem a ver com os tempos e escalas, velhas técnicas ritualísticas. Nesta perspectiva pode afirmar-se que está por detrás de quase toda a música séria no nosso continente.

A estética de “II” é bastante vintage e o som retro. O álbum foi gravado em ambiente analógico ou emularam isso através de plug-ins?
Foi gravado analogicamente, com fitas reel-to-reel, depois foi misturado digitalmente, adicionámos alguns overdubs à mistura, e a masterização foi novamente feita em fita.

E qual é o rig actual da banda por estes dias?
Eu uso um Trace Elliot Bass Amp de 300 wats e um Fender Precision. O Diego usa tarola Gretsch, a Catalina Maple (de 14″), e pratos Zildjian Z. O Domingo é guitarras Fender Custom (modelos Jazzmaster) e o amp é um Vox AC30. Na pedalboard tem apenas três pedais Boss – um overdrive, o DD-2 delay e um phaser.