A Hipóstase Musical dos D’Alva

A Hipóstase Musical dos D’Alva

Nero

Num streaming, em directo durante 10 dias, a banda expôs a sua intimidade criativa e escreveu o seu próximo single.

A ausência de filtros e edição terá acabado por condicionar o realismo pretendido no formato reality show. Principalmente naqueles que são concurso, onde há votações, os intervenientes esforçam-se por manter o interesse do público e as acções perdem espontaneidade – o indivíduo acaba por criar uma máscara. E aí o conceito é contaminado, o reality deixa de ser real e perde o propósito e o interesse.

Um interesse já diminuído, aliás, pelas ofertas actuais na grelha televisiva que ou demonstram uma obsessão voyeur perversa, forçando a sexualidade e o conflito (físico ou verbal) dentro de uma casa, ou exploram exaustivamente o melodrama em torno do palco, com o cantor talentoso que nunca teve verdadeiramente uma oportunidade, a família destroçada pelo choro da criança que foi eliminada nas meias-finais…

O íntimo de cada pessoa é muito mais rico e interessante que a forma como passou a ser retratado em guerras de audiências. É multi-dimensional. É mais real. A intimidade humana é habitada por uma miríade de dinamismos expressivos. Os medos, o desejo, a esperança, os vícios e as virtudes. E como é a intimidade de uma banda? Qual a dinâmica de composição e da criatividade? Isso daria um reality show interessante e espontâneo. O que nos leva directos ao assunto.

O gear não é fundamental. O que conta mesmo é a canção – Ben Monteiro

Numa acção inédita no nosso país, os D’Alva enfiaram-se numa sala, na sede da Tradiio, para compor e gravar um novo single. Com câmaras a filmar cada momento do processo e a captar a intimidade de Ben Monteiro e Alex D’Alva Teixeira. Desde o momento que ligavam os computadores e o Logic, para experimentar, arriscar, arranjar e gravar, até os desligar. Enquanto acolhiam convidados para trabalhar ou conversar. Um reality show para desmistificar o processo criativo de uma banda. Fazer música não é um bicho de sete cabeças. Como cantava Julie Andrews: «When you know the notes to sing you can sing most anything». Basta ter “música no coração”. E ritmo no pé. Não há segredos – fazer música é o verdadeiro reality show.

Como os próprios D’Alva diziam na preparação das sessões: «Há muito que queremos mostrar o nosso processo de trabalho desde o início, e mostrar também a toda uma nova geração de futuros músicos que é possível fazer música de forma independente, sem a infra-estrutura de outrora, tudo graças à tecnologia condensada num computador portátil, mas acima de tudo que o maior património, a melhor ferramenta que têm é a sua imaginação, criatividade e trabalho».

Aproveitando a boleia, e para desmistificar isto do jornalismo musical, a Arte Sonora passou numa das sessões para dois dedos de conversa que se tornaram num talk show.

Podes assistir ao streaming completo aqui, a partir do 7:00:00.