DEFTONES: Falámos com Abe e Frank

DEFTONES: Falámos com Abe e Frank

Redacção

Em 2010, aquando da passagem da banda pelo Tivoli de Lisboa, a AS esteve à conversa com Abe Cunningham e Frank Delgado.

O que andaram a fazer estes 4 anos, desde a edição de “Saturday Night Wrist”?
Abe:  Bem, estivemos a trabalhar num álbum [“Eros”] no nosso estúdio, que estamos a acabar de construir. Depois com o acidente do Chi [Chi Cheng teve um grave acidente de viação em Novembro de 2008, tendo ficado em coma] tudo se complicou, e andámos meio perdidos durante muito tempo… atingiu-nos com muita força, foi um choque tremendo, questionámos esse facto em demasia, foi um processo duro e um tempo difícil e esse álbum acabou por ficar parado… Depois fomos buscar o Sergio Veja [ex Quicksand] e juntámo-nos ainda com mais força e convicção.

Hoje diriam que ser músico foi sonho ou consequência?
Abe: (risos) Pois, não sei bem, nasci numa família de músicos, o meu pai era baixista, e o meu padrasto era baterista – o meu pai faleceu quando eu era muito novo… Sempre me lembro de gostar de percussão, fazer som com o bater nas coisas (risos). O meu pai e o meu padrasto tocavam numa banda e quando eles actuavam era frequente eu escapar do carrinho e gatinhar por entre garrafas de cerveja e beatas de cigarro, batendo com elas no pé da mesa, muito divertido (risos)… Depois o meu padrasto casou com a minha mãe e acabei por ficar mais ligado, acho eu… não sei (risos).
Frank: Bem, eu oiço música desde cedo. Comecei a comprar discos com 5 ou 6 anos, o meu pai tinha muitas colunas de som e amplificadores, depois comecei a ser dj em festas de amigos da escola, e aquela cena de ser o dj e toda a gente falar contigo por isso acabou por ser motivador para continuar…

E conseguias muitas “miúdas”? (risos)
Frank: (risos) Nem por isso, não era muito disso, era mais um geek que gostava mesmo do que fazia e passava o tempo em casa a experimentar novas cenas e sons…

Mais a sério, consideram-se uma banda de Nu-Metal?
Frank: Isso é a forma que a imprensa tem de catalogar as coisas, dizer que isto é isto e que aquilo é aquilo, há sempre essa necessidade de ter uma marca registada, uma forma de generalizar as coisas…

Para depois se poder arquivar mais facilmente?
Abe: Exactamente! (risos) Mas a nós nunca nos fez mal nenhum, embora seja um termo que nos causa mal-estar. Conhecemo-nos desde os 11 anos, mas já não temos 11 anos,  ainda cá estamos, somos os mesmos, mas não somos nu-nada…(risos)

E influências, o que ouviam quando eram miúdos?
Abe: Oh man, tudo! Eu gosto mesmo de música, oiço tudo. Basicamente oiço música! Não há um estilo nem nenhuma banda em particular, faço o que gosto, se não fosse esta exigência da indústria nem se considerava um emprego.
Frank: Olha, nem sei bem por onde começar, mas posso dizer que fiz o percurso normal de qualquer miúdo, ouvi desde Black Sabbath até Prince, e todos nós na banda gostamos muito de Prince. Houve ali uma altura pré-teen em que descobri o hip-hop e isso foi marcante para mim, senti-me bastante identificado com o estilo e achei por bem explorar esse tipo de som, misturando-o com tudo o resto, mas também acho que o que nos une é o gosto pela música, por fazer música…

Conhecemo-nos desde os 11 anos, mas já não temos 11 anos,  ainda cá estamos, somos os mesmos, mas não somos nu-nada…

São uma família democrática?
Frank: Sim, sim (risos), podes ver que o Abe até tem um olho negro [e tinha mesmo]…

Um sinal puro de democracia…
Frank: Mesmo! Mas a sério, estamos juntos há cerca de 16 anos e eles já se conheciam desde criança, temos crescido de todas as formas e aprendido muito com o tempo…
Abe: Sabes que o conhecimento entre nós não é só do tempo, é como que um conhecimento mental, sabemos o que cada um pensa e quer e tudo é decidido em conjunto, sem pressas, sem discutir mais que o necessário. Somos de facto uma família e passámos por tanta coisa, houve tantas coisas que deram errado, que é muito bom estar aqui, agora, estar de volta…

Porquê  “Diamond Eyes”?
Frank: Não sei bem, acho que não tem uma razão em particular. Diz tu, Abe
Abe: Olha, talvez seja pela visão que te dá, um olhar fundo, sem fim, como se olhares para um infinito, um buraco negro… os títulos são apenas títulos e nem sempre os nossos têm a ver com a música… eu acho que é para ser tipo James Bond, pronto (risos)…

Lembram-se do concerto no festival lha do Ermal? Depois de terminarem a actuação, houve uma debandada na plateia, lembram-se?
Frank: A sério!?
Abe: Não fazia ideia, mas lembro-me bem desse sítio, tinha um lago magnífico, não era? Foi muito bom esse concerto, estava repleto, mas não sabia do resto, fico feliz apenas por ter tantos seguidores no teu país. Estiveste lá?

Sim, estive, confesso que foi quando tomei maior conhecimento do vosso trabalho… E a divulgação era menor que agora...
Frank: Pois, a malta agora não compra nem consome música, é tudo sacado! (risos)

Por Joaquim Martins

[Entrevista completa no nrº 16 da Arte Sonora]