As sequelas de Alrosa Villa

As sequelas de Alrosa Villa

Nero

O polícia que terminou a loucura de Nathan Gale, que assassinou Dimebag Darrel Abbott e três pessoas presentes no concerto de Damageplan em Columbus, Ohio, acabou por perder a sua carreira.

Foi em 8 de Dezembro de 2004. Um louco irrompeu armado num concerto de Damageplan disparando sobre o ícone da guitarra eléctrica e sobre o público. No meio do horror, o agente James Niggemeyer abateu a tiro Nathan Gale, a meio do concerto na sala Alrosa Villa. Três anos depois acabou por ter que abandonar o seu emprego. «Foi-me diagnosticado um distúrbio de stress pós-traumático», confessa Niggemeyer. O ex-agente explicou ao Columbus Dispatch que nunca recuperou da dor emocional provocada pelo horror da situação, «Descobri que não temos qualquer controlo sobre o nosso cérebro. Faz o que faz. Os polícias são seres humanos normais – as coisas afectam-nos da mesma forma que aos cidadãos normais. Revivemos e temos que lidar com as coisas».

Depois de ter tido uma licença que o removeu do trabalho de patrulha, acabou mesmo por ser excluído do corpo policial, ainda que continue a trabalhar para o município. «Mudou a minha carreira, mas não para melhor», admite. Niggemeyer acrescenta ter ficado feliz por ter conseguido «pôr fim à situação sem mais tragédias, depois de ter chegado ao local. Mas isso não tornou a minha vida melhor». Hoje com 41 anos, o antigo agente policial continua a fazer terapia.

james niggemeyer

James Niggemeyer nunca recuperou totalmente do trauma devido aos acontecimentos de 2004.

Rick Cautela, o proprietário do Alrosa Villa, relembra que Gale, que tinha um registo de doença mental, tinha ainda 35 balas e estava a segurar um roadie ferido como refém quando Niggemeyer entrou na sala e o abateu a tiro. Cautela pergunta: «Sabem quantas mais vidas poderiam ter sido terminadas naquela noite? Foi inacreditável». Mas Niggemeyer insiste que os louvores devem ser dados aos que, na sala, tentaram agir antes da chegada da força policial, «Quando há tragédias há pessoas que marcam uma posição – olham a morte de frente e dão a sua vida para salvar os outros. Fizeram isso sem a polícia lá, sem armas. Para mim, esses são os verdadeiros heróis».