Duff confirmado nos Guns N’ Roses

Duff confirmado nos Guns N’ Roses

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Os Guns N’ Roses confirmaram oficialmente que Duff McKagan se irá juntar à banda na digressão sul-americana que inicia dia 06 de Abril.

O baixista original havia deixado, na 2ª feira, uma pista no seu twitter oficial – com uma fotografia a mostrar dois esboços de setlist “loaded” com clássicos dos Guns N’ Roses. Durante o dia de ontem os media musicais foram abordando o assunto de forma reservada devido à data (1 de Abril), mas os canais oficiais dos Guns N’ Roses confirmaram que Duff irá juntar-se à banda para uma tour leg na América Latina. É algo ainda longe de uma das reuniões mais desejadas no universo rock. O baixista actual, Tommy Stinson, estará, no mesmo período, em digressão com outra das suas bandas, os The Replacements (quão conveniente é este nome, hein?) e Duff aceitou assumir as datas, como conta Stinson: «Tinha os concertos de reunião dos Replacements marcados na mesma altura que surgiu a digressão, o que foi imediatamente um problema. Não queria f**** ninguém nos Guns ao dizer “Não posso fazer esta tour”. Felizmente, alguém conseguiu falar com o Duff e ele aceitou a ideia. É o Duff a ser o porreiro que é, a tentar ajudar o Axl». Stinsson regressará aos Guns a partir de 13 de Maio.

Duff afirmou, simplesmente, que é «bastante porreiro tornar a tocar estas canções e estou ansioso por fazer alguns concertos com o meu amigo uma vez mais. A América do Sul é sempre um sítio radical para o rock n’ roll… Estou honrado por fazer isto, nesse sítio».

duff twit

Esta não é uma situação virgem, Duff já havia subido a palco com Axl em Londres. Em Outubro de 2010, tocou três músicas como convidado – algo que tornou a fazer mais tarde quando a sua banda, Loaded, abriu dois concertos de Guns N’ Roses. Contudo, pelo meio surgiu toda a celeuma quanto à introdução da banda no Rock and Roll Hall of Fame em 2012. Todos os gunners confirmaram a sua presença, menos Izzy Stradlin e Axl Rose, que acabou por nem surgir no evento. Naturalmente, toda a situação foi acompanhada por declarações e comunicados de parte a parte.

Esta aproximação surge depois de terem sido tornado públicos alguns documentos contratuais que parecem desmentir as histórias de Slash e Duff, contadas nas suas autobiografias, sobre a pressão a que foram sujeitos para transferir os direitos de branding a Axl Rose. Todavia, essas mesmas autobiografias são tudo menos abertamente agressivas com o frontman de Guns. Aliás, deixam transparecer o fascínio que cada um dos músicos possui pelo irascível vocalista e a sensação de que qualquer um deles precisaria apenas de uma palavra de Axl para uma reunião – será por isso que é mais fácil desenvolver uma animosidade em relação a Axl? A ideia de que cada um dos seus velhos amigos deixaria tudo para voltar a fazer parte da última grande banda de hard rock

Steven Adler, Izzy Stradlin, Axl Rose, Slash e Duff McKagan - a formação original dos Guns N' Roses, que gravou o explosivo "Appetite For Destruction" e ganhou a alcunha de "Banda Mais Perigosa do Mundo".

Steven Adler, Izzy Stradlin, Axl Rose, Slash e Duff McKagan – a formação original dos Guns N’ Roses, que gravou o explosivo “Appetite For Destruction” e ganhou a alcunha de “Banda Mais Perigosa do Mundo”.

Esta atitude de Duff e as suas declarações, referindo-se a Axl como “o meu amigo”, parece alimentar ainda mais essa ideia. Aliás, Stinsson afirmou também: «Nem sei se alguma vez houve má vontade entre o Duff e o Axl. Não sei a história completa. Mas ele juntou-se-nos há um par de anos e eles entenderam-se muito bem. Qualquer que seja o seu passado, eles estão definitivamente bem – quero dizer, tão bem como podes estar quando conheces alguém há mais de 30 anos». Poderia interpretar-se esta última afirmação como, “já se conhecem de ginjeira”, ou seja, Duff sabe exactamente o que esperar.

é bastante porreiro tornar a tocar estas canções e estou ansioso por fazer alguns concertos com o meu amigo uma vez mais

O baixista de “Appetite For Destruction” iniciou os ensaios com a banda, em Los Angeles, no mês passado. Em resumo, a ideia de uma reunião não está em cima da mesa, mas já foi algo que parecia menos provável. Entramos na zona do whishful thinking, mas o próprio Tommy Stinson não coloca de parte a ideia de fazer mais datas com a sua banda original, os The Replacements. Essa disponibilidade certamente retiraria alguma prioridade aos Guns, como facilmente se percebe devido a este caso, e essa não parece ser a maneira de fazer as coisas que mais agrada a Axl Rose.

Por outro lado, Matt Sorum (em entrevista exclusiva à Arte Sonora, em Los Angeles) referiu que Velvet Revolver, projecto que fundou com Slash e Duff depois de os três terem abandonado os Guns, está em suspensão e mesmo a forma como falou da sua carreira e do que conquistou com os Guns não deu azo a nenhuma declaração a denotar mágoa. No meio de tudo isto restará saber o que pensará… Slash. É hoje sabido que o álbum de Slash ao vivo, “Made in Stoke” teve uma edição muito dura, com Axl Rose a fazer de tudo para impedir o lançamento do trabalho, que conta com temas escritos em parceria pelos Guns, “Sweet Child O’ Mine”, “Paradise City”, “Rocket Queen”, “Mr. Brownstone”, “Nightrain”, “Civil War”… Axl pediu uma “nota preta” pela utilização dos originais de Guns N’ Roses e isso foi o que acabou por impedir a edição do DVD do concerto em território norte-americano. Agora, o DVD de Guns N’ Roses gravado no Hard Rock Casino (em Las Vegas) tem sido sucessivamente atrasado, diz-se que por retaliação de Slash estará a ter a mesma atitude. De resto, o guitarrista mantém-se empenhado no seu terceiro álbum a solo – acabou de lançar o 6º episódio das gravações (em baixo).

Pelo lado de Duff percebe-se que uma reunião acontecia já “amanhã”, aliás o primeiro dos 5 concertos terá lugar já dia 06, em Buenos Aires. Lendo a biografia de Slash, percebe-se que a sua única mágoa é aquilo que ele refere como uma incapacidade de Axl em perceber onde errou com a banda e nunca ter tido uma palavra consigo. Aos fãs, tudo isto parece algo que se poderia estar resolvido há muito mas que, de alguma forma, nunca se irá resolver.