Entrevista: Nuno Calado, Fantasma Lusitano

Entrevista: Nuno Calado, Fantasma Lusitano

Inês Barrau

Nuno Calado e David Francisco são os responsáveis por um doc que não deixa esquecer uma das figuras incontornáveis do rock’n’roll nacional, Jorge Bruto.

Digamos que «a 1 de junho de 1964 nasce um ícone da música nacional» e esse ícone é Jorge Bruto, para muitos o Iggy Pop português. Para alguns, poderá ser uma figura desconhecida, mas quem seguiu e segue o movimento punk ou rockabilly português sabe perfeitamente quem é Jorge Bruto e o que significa para a música portuguesa. Jorge Bruto é o líder carismático dos Capitão Fantasma, banda que continua no activo desde 1988. Foi o mentor do projecto Emílio e a Tribo do Rum, e como parar é morrer, continua a fazer música, também, com os Bruto & The Cannibals e Club Sin.

Bruto «nasce numa família abastada para vir encabeçar o movimento punk e dar à sua alcunha uma importância que ultrapassaria a dos brasões familiares». Nem a doença de Parkinson afastou este monstro dos palcos, independentemente das limitações que esta lhe provoca. Mais que explorar essa situação trágica, “Fantasma Lusitano” procura descobrir o homem cujo espírito o faz lutar contra a doença, para continuar a fazer música. E mais que se focar no músico, que foi um vanguardista no rock nacional, o documentário foca-se na pessoa e no seu carácter e humor. Bruto «é um provocador por excelência e usava óculos escuros muito antes do Pedro Abrunhosa». O seu vanguardismo, porém, nunca significou uma aceitação diante do mainstream, algo que não deixa qualquer tipo de amargura a Bruto que, nas entrevistas presentes no documentário, procura antes esclarecer os momentos em que poderá ter gerado mais controvérsia, precisamente por o seu humor ter sido diversas vezes mal-interpretado. Estivemos à conversa com Nuno Calado, um dos realizadores de “Fantasma Lusitano” que podes ver em baixo.

FICHA TÉCNICA
Realização: David Francisco e Nuno Calado
Produção: Moopie
Ano: 2016
País: Portugal
Duração: 50’