Entrevista: Vêm aí o documentário de Capitão Fausto

Entrevista: Vêm aí o documentário de Capitão Fausto

Bernardo Carreiras

O novo disco dos Capitão Fausto saiu já em Abril, mas continua a ecoar pelo nosso verão fora. A Arte Sonora cruzou-se com Manuel Palha (guitarrista da banda) pela altura do Rock in Rio e aproveitou para saber mais sobre o álbum:”Capitão Fausto Têm os Dias Contados”.

Depois dos concertos no RIR, SBSR, Quintanilha Rock eÀgitagueda a banda continua a veranear por esse país fora com concertos agendados no Sol da Caparica, no Paredes de Coura, e em Castelo Branco.

O álbum novo foi recebido logo com boas críticas. Depois do concerto de apresentação como tem sido o feedback?
MP: Tem sido fantástico! Nos concertos de apresentação para nós foi um choque quando ouvimos as pessoas a cantar as músicas do disco. Isso para nós é uma espécie de… não diria um reconhecimento, mas assim uma palmadinha nas costas boa. Principalmente termos ido a sítios mais pequenos e sentirmos a mesma energia, isso tem sido óptimo.

De que forma é que o vosso novo estúdio, bem como os projectos paralelos que todos os membros têm construído, contribuíram para moldar a vossa nova sonoridade?
MP: Acho que a sonoridade do disco em si não terá sido 100% influenciada por Alvalade, o nosso estúdio. Obviamente que tem  a haver porque nós agora temos uma espécie de uma casa…

 É um bocado uma dinâmica à George Martin
MP: Exactamente… É a nossa Abbey Road. Muito fraquinha mas muito forte para nós.  Mas acho que o facto de estarmos em casa e 100% dedicados a isto e num sitio nosso faz diferença… As diferenças de sonoridade é uma coisa que vai sempre acontecer com Capitão Fausto. Nós gravávamos o “Pesar o Sol” em 2012, já há quatro anos. Se agora pegássemos nos instrumentos e saísse a mesma coisa era uma seca para nós. Passou muito tempo, tocámos coisas diferentes, tocámos coisas novas, ouvimos coisas diferentes…portanto toda essa combinação de factores levou a que as músicas fossem saindo de forma natural e completamente diferente do que havia antes.

Vocês acabaram todos os vossos cursos. Estão todos dedicados à música?
MP: Sim. A 100%. E isso também teve peso.

Quais são as principais diferenças técnicas do “Pesar o Sol” para o disco novo?
MP: Nós gravámos o “Pesar o Sol” numa adega em Coimbra. O sitio não sei se influenciou muito a sonoridade… obviamente que influencia, mas as verdadeiras diferenças são mesmo no nosso processo de construir as canções. No último disco houve volume e muito informação e neste quisemos, se calhar… simplificar talvez,mas pelo menos despir um bocadinho mais as coisas… Eu uso várias vezes esta analogia: Se chegássemos a uma sala de ensaio dos Beatles e puséssemos um iPhone a gravar, qualquer pessoa diria: “Eya grande canção!”  Portanto não é pelo som estar “assim ou assado”. Obviamente somos picuinhas com os nossos sons, mas o esqueleto da canção é que faz a coisa. Portanto, se calhar foi um processo mais nu e foi também assim que as músicas soaram e produzimos o disco. Manter as coisas ao essencial diria.

Vai sair um documentário sobre a produção do álbum. Fala-nos um pouco disso.
MP: Foi uma ideia do Ricardo Oliveira que é quem fez os nossos videoclips até agora. Não diria que é o dia a dia dos Capitão Fausto, mas tem assim umas brincadeiras, umas analogias engraçadas que ele arranjou. Acompanhou um bocado o processo. Desde fazermos as músicas a sairmos de Lisboa para o Minho, estar num retiro a tocar e a compor mÚsicas, voltar para Alvalade e voltar a trabalhar… Acho que não é nada de pretensioso.. é um coisa tipo sneak peak e gira.

E quando vai sair?
MP: Ainda não temos data,mas está para breve. Vai ser algures neste verão.

E material novo? Têm alguma coisa que tenham adquirido recentemente ou têm o mesmo set?
MP: Temos mais ou menos o mesmo set. Muito parecido. O Ferreira tem um teclado novo. Arranjámos também um teclado que se chama Gizman California 73 que é um teclado dos anos 70, italiano. É uma espécie de uma pianola e é o que usamos para substituir o piano em palco.

FENDER