Jeff Loomis, Volume É Lei

Jeff Loomis, Volume É Lei

Nero

Uma conversa com Jeff Loomis sobre o modelo de sete cordas que o guitarrista de Arch Enemy (depois dos Sanctuary e Nevermore), muito antes de se juntar à Jackson, criou com a Schecter Guitars.

Jeff Loomis tornou-se um herói na guitarra devido ao seu distinto estilo rítmico, uma técnica suave e tremenda velocidade. A sua singular técnica na guitarra e capacidade enquanto compositor tornaram-se elementos centrais no som progressivo dos Nevermore e em álbuns aclamados como foram “Dead Heart in a Dead World” e “This Godless Endeavor”.

No stand da Schecter, na Musikmesse 2010, a AS conversou com Jeff Loomis. Na altura, o guitarrista ainda estava com os Nevermore – a banda editaria pouco tempo depois aquele que seria o seu último álbum, “The Obsidian Conspiracy”.

Aliás, nessa ocasião, em Frankfurt, Loomis acabara de realizar uma guitar clinic onde exibiu a sua tremenda capacidade técnica e o seu estilo tão singular, ao mesmo tempo peças do seu primeiro trabalho a solo, “Zero Order Phase”, e também daquilo que já tinha preparado para o seu segundo esforço isolado, “Plains Of Oblivion”, que seria editado dois anos mais tarde. O músico encontrava-se na Alemanha para promover o seu modelo de assinatura com a Schecter, a J_-7. Ainda hoje a usa, tal como os amps que definiu nessa altura, mas essa guitarra, muito antes dos novos modelos de assinatura com a Jackson, foi o elemento central da entrevista que relembramos.

Tens um estilo bastante característico enquanto guitarrista. Sentes que hoje em dia os músicos, em especial os guitarristas, se focam mais na capacidade técnica do que na composição e em desenvolver uma identidade?
Sim, eu vejo isso. Por vezes os guitarristas trabalham a técnica e tentam ser o próximo tipo mais rápido, mais do que em pensar na composição de músicas. Mas a composição é o mais importante. É o que vai tornar grande e famoso [risos]. Não podes estar o dia todo no teu quarto de volta do instrumento, tens de compor. É importante compor todos dos dias, numa simples 4-track, por exemplo. Foi o que fiz, trabalhei a técnica, mas ao mesmo tempo trabalhei a composição de música. Há aí uma diferença!

Durante a tua aprendizagem, que guitarristas seguias?
Tenho muita sorte de ter um pai que me mostrou muita música dos anos 70. Basicamente, cresci a ouvir bandas como Queen, o Brian May, Doobie Brothers, Fleetwood Mac, Lindsay Buckingham, Jeff Beck, Frank Zappa, Eddie Van Halen, Randy Rhoads, todos estes guitarristas foram muito influentes no meu estilo, tenho muitas influências.

E qual a sensação de estar numa guitar clinic com pessoas que vêm especialmente para te ver?
É estranho. Eu era um miúdo que estava em casa, numa localidade pequena e agora… É diferente, não consigo descrever. No entanto, faz-me sentir bem, porque passei muito tempo a trabalhar a minha arte e agora está a dar frutos. Mas já o faço há muito tempo, profissionalmente faço-o há 15 anos, não sou o puto novo no bairro, tenho 38 anos. Já aqui ando há algum tempo. Mas ter a possibilidade de fazer isto, contactar com os fãs, responder às questões que têm sobre a minha técnica ou maneira de tocar, é muito importante e gosto de o fazer.

Como surgiu a tua assinatura Schecter?
Já toquei com outras guitarras, mas a Schecter foi o meu primeiro endorsement e é a guitarra que ainda hoje mantenho do meu lado. Estou com eles há vários anos. Que dizer… Olha para a guitarra, é linda. Estou muito satisfeito com ela. Tem a combinação de tudo. O som, a forma como toca, o aspecto, a estética. É um guitarra muito simples, não tem toda a espécie de knobs, tem apenas um knob de volume, um switch de pickup, é muito simples. Eu sou um tipo simples [risos]. O braço é muito suave, tem trastes grandes, eu faço muito bending, por isso é muito confortável de tocar. Contribuí com os inlays, a ideia do braço em maple, a ideia de ter apenas controlo de volume e as cores, não as brilhantes, mas das baças. Reparaste na guitarra vermelha que tinha? É um acabamento em vermelho baço de vampire satin. Não é brilhante, mantém aquela sensação negra, que é o que eu gosto.

O único botão de volume faz lembrar as primeiras Wolfgang…
E as Jackson mais antigas! Muita gente me questiona porque é que não tenho um tone na guitarra. Porque podes criar o tone no amplificador! Só precisas de volume na guitarra… e não gosto de descer a mão e ter ali muitos knobs a atrapalhar, assim é mais simples.

Como é que se comporta na estrada?
Excelente. Literalmente, posso usar de agressividade como quiser e não desafina. Uma vez atirei uma através do palco [risos] e ainda está inteira. Está muito bem construída. Há aí tantas guitarras de 7 cordas e outras empresas que fazem guitarras de 7 cordas que ainda custam caro. Esta, para o seu preço [na altura 999 dólares], é extremamente sólida, bem construída e toca melhor que qualquer outra guitarra onde tenha tocado. Pelo preço, penso que é uma óptima guitarra para um miúdo.

Na amplificação, o que usas?
Uso Engl. Usei vários anos o Special Edition, mas mudei recentemente para o Savage 120. É simples e tem um som fenomenal. É tão pesadão e massivo, e se passares para o canal limpo, é cristalino. É um amp muito versátil e era disso que andava à procura. Pode ser uma grande distorção, mas ao mesmo tempo quando estás a tocar consegue ser muito limpo e ouves todas as notas distintamente, a soar. Tive a sorte de poder ir à fábrica. O Chris Broderick, na altura em que esteve nos Nevermore, apresentou-me a Engl, «tens de experimentar estes amps». Uma noite fomos à fábrica, havia uma parede com todos os tipos de amps que eles tinham e, literalmente, toquei em todos. Quando saí dessa sala o meu cabelo estava em pé, os ouvidos tinham explodido [risos]… Soavam incrivelmente. Tive a possibilidade de fazer o test-drive a estes amps pessoalmente e nunca havia tocado em nada melhor.

E os EMG?
Fazem parte da minha assinatura. São os 81. Uso-os há anos, fazem parte do meu som, da minha tonalidade. São os pickups mais pesados e mais distintos no que diz respeito ao ataque e isso dá-lhes muita clareza. É disso que gosto.