OS MELHORES ÁLBUNS NACIONAIS de 2014

OS MELHORES ÁLBUNS NACIONAIS de 2014

Redacção

Os melhores 20 discos que ouvimos este ano. Vota no teu favorito!

Será redundante dizê-lo, mas vale a pena repetir. 2014 foi mais um ano de excelência para a música portuguesa. Discos tremendos, enorme variedade de géneros e estilos e uma coisa cada vez mais comum e em comum: atitude! Há uma celebrada ascensão feminina que já não passa, com sucedia antes, somente pelo fado. Há rock bem eléctrico e há electrónica. Há experimentação e há fusão. Há hip hop e apenas pop.jazz e kraut. Tudo com… atitude. Novos sons, novos produtores, novos estúdios. Há imensas pedradas numa cena musical que, durante vários anos, alimentou imensas vacas sagradas. Sempre as mesmas.

Votem no vosso disco favorito, mas ouçam todos!

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5-30 [HOMÓNIMO] | O título de disco mais badass do ano vai para o Fred, o Regula e o Carlão (além de apontamentos de Sam The Kid). Talvez a sonoridade pudesse ser mais suja, principalmente nos elementos electrónicos, mas as vozes e as letras já são de uma visceralidade tremenda. Não há aqui os palavrões teatrais, formais e insípidos de tantos filmes tugas. Há rua. Rua e vida. Puta que pariu, que disco!

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ANDRÉ FERNANDES – WONDER WHEEL |
Da doçura romântica de “Wonder Wheel” que percorre o disco até ao final agridoce com “Lilac Wine”, passando pelas tempestades de energia que são “300 Pessoas” ou o final “Canção nº3”, André Fernandes foi capaz de harmonizar elementos acústicos e eléctricos, passíveis de esquizofrenia, numa dinâmica saudável que discorre como a própria vida: em rotação ilusoriamente perpétua, até ao momento que cessa.

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B FACHADA [HOMÓNIMO] | “Criôlo” trouxe um novo explorar de ritmos e sonoridades luso-africanas. Este, imagine-se, é um álbum onde isso é assumidamente exposto, mas em dobro. Utilizar samples de música popular portuguesa para criar canções que soam completamente a novo e fresco é tão necessário como obrigatório. Fachada fá-lo ao contrário de toda esta recente restauração da tradição popular portuguesa, que se estendeu pela música nacional, sem grande calculismo e distanciamento, sem qualquer medo.

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BLACK BOMBAIM – FAR OUT |
Rolámos sem controlo e capacidade na gravidade de um baixo e bateria poderosas, até ficarmos dormentes e inconscientes com a descarga de potência e excelência de uma guitarra virtuosa. Entrámos no completo delírio e alucinação, de um processo criativo e de improviso monumental, e continuamos assim. De “Africa II” a “Arabia” sucedem-se os estouros stoner com a versatilidade do kraut e psicadelismo. Potente, resistente e visceral.

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BURAKA SOM SISTEMA – BURAKA | Ao terceiro álbum parecem ter conseguido respirar e solidificar as suas bases estéticas. Estabelecido planos de acção, em vez das reacções de emergência ao turbilhão de beats e fusão de sonoridades cujo epicentro foi a própria banda.Agora foi possível solidificar com mais ponderação as bases estéticas da banda o que definiu o próprio título do disco. Tem o equilíbrio entre aquilo que é cada um, enquanto indivíduos, e o que a banda observou daquilo que pode fazer».

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CAPICUA – SEREIA LOUCA |
Ana Fernandes conseguiu, acima de tudo, transmitir uma autenticidade tocante neste álbum. Sonoramente há um certo ambiente naïf, mas as dicotomias expostas liricamente parecem indicar que esse ambiente foi, paradoxalmente, uma opção bem estudada. Até porque a simplicidade dá, progressivamente, lugar a uma construção de estruturas rítmicas desenvolvidas com um groove “à mulher”! O lado acústico… é sublime.

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CAPITÃO FAUSTO – PESAR O SOL |
Muito antes do mundo “neo-bigodes” descobrir que o psicadelismo tem pinta, foram feitos discos do género neste rectângulo cantado por Camões. Os Capitão Fausto ouvem-nos, mas não os imitam. “Pesar O Sol” reflecte essas luzes, mas com um maior sentido pop (sem descurar o experimental) e com mais músculo. Em vez de fazer o ouvinte perder-se em delírios vagos, a banda, ao longo do álbum, dá-lhe a mão e consegue conduzi-lo através de passos seguros.

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D’ALVA – #BATEQUEBATE |
Criadores de uma nova pop lusa com pinta, esperteza e outra tanta astúcia. Apropriada para os mais descarados, imprópria para alguns vertebrados. Atestada de “ginga-ginga” e balanço num descontraído encontro de batidas e dinamismo. Quase sempre influenciada por ritmos, batimentos e sintetizações dos oitentas. Quase sempre partilhada por estilos, arranjos e canções sem tretas.

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DEAD COMBO – BUNCH OF MENINOS |
As tonalidades das guitarras acústicas ou do contrabaixo, misturadas com a densidade dos riffs de um tema como “Waits”, recordam-nos que a dupla se tornou um dos mais interessantes projectos de guitarra dos últimos anos, não só a nível nacional, mas também mundial. A guitarra, nas mãos de Trips, é uma prostituta endurecida por uma vida na “fronteira”. Não há shred, mas há técnica. Há um sentido estranho e melódico. E, acima de tudo, há uma exalação de autenticidade.

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GALA DROP – II | Se não fosse por nenhum outro motivo, títulos à Led Zeppelin valeriam automaticamente a entrada em qualquer lista deste género. Mas “II” é muito mais que isso. O swing com que a banda funde tanta estética estrangeira acaba por tornar este álbum num exercício de bailarico kraut lisboeta. Os protagonistas são a sintetização simples e grande e um groove infinito de baixo.

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JOÃO HASSELBERG – TRUTH HAS BEEN GIVEN IN RIDDLES | Seguindo a fusão estética que o jovem compositor português promoveu no seu álbum de estreia o ano passado, o que acontece é que também este é um daqueles trabalhos que, transcendendo tipologias ou linguagem, atingem uma musicalidade arrebatadora. Capaz de ser exuberante e minimal, complexo e simples. E os momentos em que surge a voz de Joana Espadinha amolecem o coração mais endurecido.

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KEEP RAZORS SHARP [HOMÓNIMO] |
A riqueza harmónica deste álbum será o seu maior triunfo. O som cheio e vivo impregna os temas de uma solidez material que tantas vezes está ausente neste revivalismo psicadélico, mesmo nos momentos mais trippy, como “Africa On Ice” e “Scars & Bones”. No final isso resulta num álbum que, acima de discussão de influências, conquistou o enigma da audição ininterrupta.

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KILLIMANJARO – HOOK
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Uma mistura explosiva de retro rock musculado e apontamentos de exploração psicadélica. “Hook” é um petardo. Fuzz, phasers, groove e amps no prego. Tudo isto só pode ser bom, quando, para se juntar à festa, os músicos tocam bem. José Gomes com técnica irrepreensível na guitarra e voz no ponto, e Luís Masquete e Joni Dores, baixo e bateria respectivamente, bem coordenados na secção rítmica.

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THE LEGENDARY TIGERMAN – TRUE |
Seria possível igualar o impacto de “Femina”? Seria possível igualar a envolvência sonora do disco? Paulo Furtado provou que sim. Não radicalizou a abordagem e correu o risco de fazer um álbum igual, mas emergiu com um trabalho que suplanta a anterior obra-prima. Mais dinâmico, mais melódico, mais rock n’ roll. E os arranjos de cordas em “Wild Beast”? Um tema que vale mais que muitos discos completos…

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MÃO MORTA – PELO MEU RELÓGIO SÃO HORAS DE MATAR |
Sonoramente saúda-se o regresso ao que Luxúria Canibal referiu como “selvajaria”. Mais lento, denso e desesperante. “Pássaros A Voar” ou “Preces Perdidas” mostram a mestria melódica que a banda passou a dominar, “De Coração Aceso” ou “Ossos De Marcelo Caetano” remetem-nos para o som clássico da banda. “Pelo Meu Relógio…” é a prova, se necessária, de que os Mão Morta são o maior tesouro da música portuguesa.

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NORTON [HOMÓNIMO] |
O som do álbum está tão vivo como as linhas entrecruzadas de guitarras. Temas como “Hours & Days” são a banda revista por si própria, ao fim de 10 anos, com nuances de intensidade, rítmica e instrumental, bastante maduros e elásticos. Sob a solidez do 4/4, os Norton desenvolvem crescendos, apoteoses melódicas, transe dançável e emotividade. Mesmo, mesmo redondinho este disco.

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RITA RED SHOES – LIFE IS A SECOND OF LOVE |
Depois de dois álbuns espaçados apenas por dois anos, Rita Redshoes passou quatro a trabalhar no seu terceiro disco de originais. O resultado é o seu trabalho mais maduro, mais rico em arranjos e, por inerência, mais musical. Arranjos de cordas sublimes, uma dinâmica charmosa e até algo de Beatles. Um disco que reflecte uma personalidade genuína e simples.

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SENSIBLE SOCCERS – 8 |
Limaram os pitões, sedimentaram a formação táctica da equipa e subiram de liga. Tudo alinhado para que sejam campeões. A equipa Hugo, Manuel, Filipe e Emanuel consegue fazer uma coisa que é rara na música electrónica portuguesa: “desvirtualizar” a música dançável da cena DJ e transportá-la para o campo da exploração conjunta e, inevitavelmente, mais orgânica, do formato banda. Jogam por inteiro, e podem até fazer amolecer as cabeças mais duras de preconceituosos do rock.

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SEQUIN – PENELOPE |
Compositora audaz e descomplexada, Ana Miró estreou-se este ano com o LP “Penelope”. Capaz de beats dentro duma zona pop ou ambientes mais complexos, em “Penelope” ouvimos um disco cheio de equilíbrio, energia, e a transbordar sensualidade. Ao vivo, com banda, possui um vibe mais funked out!

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SOUQ – AT LA BRAVA VOL.II OF RED DESERT SAGA |
Não é tão comum assim, no nosso país, bandas que deixem pistas de influências dos side projects de Mike Patton. Tomahawk, Mr. Bungle ou Fantômas. Que o façam ao fundir, com brilhantismo notável, diga-se, desert rock e metais… Isso não é tão comum assim em lado nenhum! Enorme trip de psychedelia, blues, pop ou jazz. Discão!

VOTA AQUI até dia 17 de Dezembro. Só podes votar num álbum: