OS MELHORES ÁLBUNS NACIONAIS de 2015

OS MELHORES ÁLBUNS NACIONAIS de 2015

Tiago da Bernarda

Estes são os 10 álbuns que mais gostámos de ouvir em 2015.

Com a entrada de 2016, resta-nos reflectir sobre a boa música portuguesa que se fez no ano passado. Faz parte da praxe editorial e, simultaneamente, é bom relembrar aos artistas onde se encontra a fasquia para o ano seguinte. As escolhas da Arte Sonora são de álbuns que nos perseguiram em 2015, que transcendem apenas a boa crítica e que entraram para as nossas bibliotecas pessoais, que carregámos repeat mais do que qualquer outro álbum português.

mar aberto

MEDEIROS/LUCAS – MAR ABERTO | Já desde os tempos de O Experimentar Na M’Incomoda que estamos de olho em Pedro Lucas. É, sem dúvida, impressionante como consegue desconfigurar e reanimar o folclore açoriano e o fado para algo quase transcendente. Em “Mar Aberto” conta exclusivamente com as palavras de Carlos Medeiros, com quem já tinha trabalhado antes, e uma banda de luxo para criar o seu próprio monstro de Frankenstein. Coze pedaços experimentais de electrónica, música tradicional e rock em algo com vida própria.

★★★★★

10000

10 000 RUSSOS [HOMÓNIMO] | Longe vai a sonoridade que os 10 000 Russos, enquanto duo, apresentaram no seu primeiro EP, em 2013. Mas valeu a espera. Agora com três cabeças, a banda do Porto lançou um impressionante álbum de estreia este ano.Algo que foge aos clichés que o prog tem vindo a ser apresentado. É orelhudo e propício para a dança, sim. Mas não deixa de ser um álbum contemplativo e intenso nos momentos certos.

★★★★★

black

THE BLACK WIZARDS – LAKE OF FIRE | Mantendo a onda fuzz, os Black Wizards foram uma das grandes revelações da Raging Planet este ano. Electrizante e, por vezes, um pouco convencional, “Lake of Fire” porta uma fórmula vencedora. É tudo aquilo que queremos ouvir num álbum de heavy rock. Com influências blues e psicadélica, é um álbum constituído por faixas extremamente longas que nos prendem do início ao fim.

★★★★★

Tó Trips Guitarra Makaka

TÓ TRIPS – GUITARRA MAKAKA: DANÇAS A UM DEUS DESCONHECIDO | Se restava alguma dúvida que Trips é um dos grandes virtuosos portugueses da guitarra, o seu último álbum é um tira-teimas. Algo de conceptual, “Guitarra Makaka” consegue ser uma espécie de quadro para um espaço que pode ou não existir mas sempre com a assinatura de Tó Trips no canto. O seu típico palm mute na guitarra ressonator é hipnotizante e contagioso mas sobretudo, consegue soar a novo apesar da sua discografia imensa.

★★★★★

allen

 ALLEN HALLOWEEN – HÍBRIDO | O último álbum de Halloween é também a sua despedida como músico. E no entanto, “Híbrido” consegue superar tudo o que já ouvimos do rapper de Odivelas. Não deixa de ser um álbum triste, quando sabemos que a “bruxa” conforma-se com o a decadência do seu bairro e deseja apenas que o filho não siga as suas pisadas. Mas pegando na sua discografia completa, é impossível encontrar um final que encaixe melhor.

★★★★★

pega monstro

PEGA MONSTRO – ALFARROBA | Encontrámos em “Alfarroba” o potencial epítome do punk português em 2015. As irmãs Reis expõem-se, a partir do seu último álbum, com uma dureza vulnerável particularmente pop e humanizante. É, sem dúvida, o seu registo mais acessível, trazendo consigo alguns hinos que serão cantarolados nos anos que virão. 

★★★★★

atila

ATILA – V | Miguel Béco tem-nos vindo a surpreender de lançamento para lançamento. Isto porque, numa mistura de música indutrial, black metal e ambiente, Atila consegue sempre superar-se e surpreender-nos. “V”, como pode sugerir o título, é o seu quinto lançamento e o melhor até agora. É tenebroso e pesado, como se esperaria do seu projecto a solo, e capaz de desfazer qualquer walkman, caso decidam comprar a cassete.

★★★★★

vaee

VAEE SOLIS – ADVERSARIAL LIGHT | Inserido na lista de melhores cassetes do ano “Adversarial Light”, é, em geral, um álbum fantástico independentemente do meio. O álbum de estreia dos Vaee Solis revela-se uma adaptação black metal que sabe a novo mas que se mantém colado às suas raízes.

★★★★★

regula

REGULA – CASCA GROSSA | Regula tem vindo a ser atacado por “não soar como dantes”. Mas com “Casca Grossa”, apercebemo-nos como a produção só tem vindo a melhorar e os seus versos continuam com boas punchlines. Ouvindo bem o álbum, percebe-se que Regula é uma personificação da sua vida de bairro. Da constante vontade de enriquecer rápido, de promiscuidade, de luta pelo respeito e de pôr a família sempre em primeiro lugar. Para além disto, “Toni do Rock” é um malhão de single.

★★★★★

luis severo

LUÍS SEVERO – CARA D’ANJO | Anteriormente conhecido como Cão da Morte, Luís Gravito sempre aparentou o papel de bardo incompreendido. Não longe dessa postura, adoptou o nome Luís Severo e juntou algumas das suas melhores composições. Músicas de amor, de desgostos, das suas vivências e do seu crescimento em torno delas. É um belo disco de um cantautor amadurecido, não só a nível lírico como técnico também.