ENTREVISTA | Metronomy: Produção, Colaborações e Equipamento Vintage

ENTREVISTA | Metronomy: Produção, Colaborações e Equipamento Vintage

António Maurício

Aproveitámos a presença da banda em Portugal para falar com Joseph Mount sobre o novo álbum “Metronomy Forever”, produção, colaborações e equipamento vintage, como o sintetizador Oberheim Matrix 1000.

Nas traseiras do palco principal do Super Bock Super Rock 2019, os Metronomy pareciam divertir-se na sua própria companhia. Sentados à mesa, conversavam entre os pratos de jantar e as garrafas de cerveja, espelhando espírito de grupo e boa-disposição. Joseph Mount, o vocalista, guitarrista e teclista do projecto inglês, deu-nos a oportunidade de entrar temporariamente no universo da banda, com uma entrevista sobre o novo álbum, produção musical, colaborações e equipamento.

O mais recente álbum dos Metronomy,”Metronomy Forever”, foi editado no dia 13 de Setembro de 2019, através da editora Because. No nosso país, a distribuição é da Caroline International Portugal. O trabalho combina indie com electrónica e será apresentado em Lisboa, no mês de Março. Se quiseres reviver a performance no Super Bock Super Rock 2019, podes ler a review do concerto aqui. Senão, faz scroll e segue já para a entrevista com Joseph Mount.

Têm um novo álbum editado, “Metronomy Forever”. Qual foi a música que deu a maior dor de cabeça durante a fase de gravação?
Joseph Mount: A “Sex Emoji” e a “The Light” foram as mais difíceis. A “Sex Emoji” foi mesmo a mais difícil, porque o refrão estava feito e era muito fixe, mas o resto da música não estava no sítio. A música nasceu a partir de um loop de caixa de ritmos, criado numa máquina muito rara chamada EKO ComputeRhythm – uma máquina analógica com circuito matrix. Comecei com esse loop e depois tive a ideia para o refrão. Em seguida, juntei tudo o que tinha e fui falar com Mr. Oizo, um produtor francês, que também adicionou a sua própria percussão. Utilizou o Logic (nós também) e depois ainda acrescentou algumas partes de guitarra. Depois trabalhei mais um pouco na faixa e adicionei percussão ao vivo.

Costumam tocar a bateria ao vivo durante a fase de composição ou só utilizam o computador?
Joseph Mount: Faço quase tudo no computador, mas às vezes utilizo a bateria para fazer um loop de percussão ou algo do género… Depende muito. Não existe uma fórmula definida. Voltando à “Sex Emoji”: andou de um lado para o outro, entre mim e o Mr. Oizo e, no final, adorámos o resultado. Tem o loop da caixa de ritmos analógica, um loop de uma bateria real, uma guitarra editada e ainda incluímos sintetizadores Oberheim. Tem muitas coisas.

Dentro do novo álbum, sentes que tens uma faixa preferida? Uma faixa que consegues ouvir vezes sem conta em replay sem te aborreceres?
Joseph Mount: Na verdade, é a faixa mais atmosférica e instrumental no álbum. Chama-se “Miracle Rooftop” e é um loop baseado num sample com um filtro por cima…

Qual é o filtro? Lembras-te?
Joseph Mount: É um filtro do Logic. Um filtro de high-cut, nada de especial. Depois também utilizámos uma caixa de ritmos Ace Tone FR-3 e mais um sintetizador da Oberheim, o Matrix 1000. É um groove muito fixe e só gosto de ouvir as minhas músicas em repetição se não incluírem as minhas partes vocais. Essa faixa é a minha preferida por esse mesmo motivo, é só instrumental.

Já me disseste que na “Sex Emoji” começaste com a percussão, mas já aconteceu criares primeiro uma letra e depois procurares a criação de um instrumental com um ambiente adequado para essa mesma letra?
Joseph Mount: Sempre trabalhei muito com beats, foi assim que comecei. Gosto de começar com loops, ouvir e ir adicionando elementos. Não existe nenhum música neste álbum que tenha começado pela letra, a atmosfera é sempre a primeira coisa a ser criada.

Existe algum equipamento específico que se destaca na sonoridade geral do álbum?
Joseph Mount: A peça de equipamento mais importante no álbum é sem dúvida o Oberheim Matrix 1000, o sintetizador rack vintage. Foi utilizado practicamente em todas as faixas. A caixa de ritmos da Linn também está em practicamente todo o álbum – é uma máquina analógica muito antiga. Além disso, a unidade rack de múltiplos efeitos chamada DP4, que também é muito antiga. Todas as minhas cenas são antigas [risos].

Já agora, qual é o equipamento mais antigo que tens?
Joseph Mount: Um Electric Harpsichord. Deve ser dos anos 60, não é estupidamente antigo, mas é antigo.

Adapto-me para conseguir dar o que querem de mim.

Já trabalhaste com a Robyn e fizeste música para a Jessie Ware, correcto? Quando fazes colaborações, tentas adaptar-te ao artista ou manténs o teu estilo?
Joseph Mount: Adapto-me tanto quanto acho que devo. Adapto-me para conseguir dar o que querem de mim. Mas, ao mesmo tempo, estão a pedir-te para seres o produtor, por isso querem que utilizes o teu estilo. Tens que decidir se vais comprometer o teu som muito ou pouco. Com essas duas artistas, por exemplo, encontrei um bom equilíbrio.

Têm algum ritual antes dos concertos?
Joseph Mount: Beber álcool [risos]. Basicamente, vestimos a nossa roupa de concerto: bebemos, falamos e divertimo-nos. É um ritmo relaxado.

Então posso assumir que os nervos já não existem?
Joseph Mount: Sabemos que conseguimos fazer isto, por isso não ficamos nervosos sobre o concerto em si. Ficamos nervosos com o público, queremos que o público goste e se divirta. Os nervos não estão no concerto, estão na qualidade do concerto.

Última pergunta. Imagina o pessoal principiante que está no quarto a criar música, tal como tu começaste. Tens algum conselho para essas pessoas?
Joseph Mount: Não fiques distraído com as inúmeras possibilidades que podes colocar no computador. Não te deixes levar por todos os sintetizadores em software, todos os plugins… Escolhe cinco coisas que queres utilizar e aprende a utilizá-las bem. Quando tens tantas escolhas e possibilidades podes perder-te nas hipóteses. Por isso, escolhe as que gostas mais e foca-te nessas.