Mikael Åkerfeldt & Fredrik Åkesson, As Guitarras de Opeth

Mikael Åkerfeldt & Fredrik Åkesson, As Guitarras de Opeth

Nero
PRS Guitars

Os guitarristas dos titãs suecos do prog sobre guitarras PRS e as fusões estéticas da banda.

Os Opeth são uma das maiores bandas de sempre a emergir dos espectros mais pesados da música. Ainda assim, a banda foi, progressivamente, criando uma distância estética com as suas origens sonoras, para explorar maior fusão na sua música e até um sentido retro do rock progressivo, principalmente a partir de “Heritage” (2011).

Mikael Åkerfeldt, desde sempre na banda, estabilizou a sonoridade de guitarra com a chegada, em 2007, de Fredrik Åkesson. Os guitarristas são ambos endorser PRS,com modelos de assinatura na marca, que criou inclusive um modelo SE com a assinatura de Mikael. Os guitarristas, em entrevista à Arte Sonora (originalmente publicada na AS#20, em 2011) falam da peregrinação sonora da banda e do seu som.

Desde o início que os Opeth o têm vindo a fazer progressivamente e procurando também um sentido do rock clássico, pergunto-me se quando começaste sentias o metal a afastar-se da sua matriz genérica?

Åkerfeldt: Eu procurava algo novo, além de tocar a minha própria música e ouvir-me a mim mesmo. Quando descobri o rock progressivo, mais do que encontrar um novo estilo de música favorito, descobri um caminho para fazermos algo diferente e não ser apenas mais uma banda de death metal. Gosto daquilo que estamos a fazer. Há um contacto com uma banda como Judas Priest, em álbuns como o “Rocka Rolla” ou “Sad Wings Of Destiny”, que era mais progressivo, não é exactamente pesado, como os Sabbath, por exemplo, que também tinham algo de progressivo. Estive sempre à procura de algo e quando encontrei bandas como King Crimson ou Camel… Wow!

A 30 de Setembro de 2016 os Opeth editam “Sorceress”, o seu 12º álbum de estúdio.

Como é que tudo isso se reflecte concretamente na guitarra?
Åkerfeldt: O que procuramos é ser versáteis, uma vez que tocamos tantos estilos diferentes. Não funciona com alguém que se limite ao shred, é preciso ter um grande sentido de ritmo e ser capaz de saltar entre estilos, tocar acústico, ritmos, um pouco de shredding, ter sentimento… é preciso cobrir bastante terreno nesta banda.

Åkesson: Para mim houve, necessariamente, um processo de procurar aprender o estilo de tocar do Mikael e adaptar-me ao som da banda.

Åkerfeldt: Tentamos ser a extensão um do outro, no que toca às guitarras. O Fredrik consegue fazer coisas que eu, estando concentrado na composição, posso querer ter na canção, mas não consigo fazê-lo.

É a pessoa que está a tocar que faz o som

Isso estende-se ao material que usam? Por exemplo, lembro-me do Fredrik usar Gibson, agora usam ambos PRS…
Åkesson: Isso não é um problema, porque ainda que usemos a mesma marca, as guitarras são diferentes, também usamos pickups diferentes e claro amplificadores diferentes. Temos o som bastante distinto, um do outro num sentido dinâmico.

Åkerfeldt: E depois, a guitarra é apenas um instrumento, é a pessoa que está a tocar guitarra que faz o som e não somos similares enquanto guitarristas. Vi uma entrevista a um guitarrista que tocava mesmo bem e lhe diziam «wow, essa guitarra tem um grande som», então ele pousou a guitarra e deixou-a quieta e perguntou: «ah sim? que tal está a soar agora?».

E como surgiram os modelos de assinatura PRS, que input tiveram no desenho dos vossos modelos?
Åkesson:
O meu contacto foi através do Mikael, depois de ter entrado na banda. Contribui com algumas ideias nos acabamentos e o controlo de pickups é invertido, com a posição da bridge por cima, pois é a que uso mais. Os pickups são os SE 245, Treble e Bass, cada um com controlo de Tone e Volume, penso que aí fui influenciado por ter tocado tanto tempo com Gibson. Gosto muito da guitarra. É em mogno, com tampo em maple e escala de ébano.

prs se mikael akerfeldt

Åkerfeldt: Já desde 1999 que usava PRS, na altura o Anders “Blakkheim” Nyström [Katatonia, Bloodbath] pediu-me para ir com ele ajudá-lo a escolher uma guitarra e na loja estava uma PRS Standard 24 que ambos experimentámos e eu fiquei de “boca aberta”. Eu fiquei danado [risos] porque eu queria a guitarra e ele comprou-a, gravou um álbum com ela, mas disse-me «a guitarra é demasiado boa para mim, queres comprá-la?», comprei-a e gravei o álbum “Blackwater Park” com ela, e usei-a desde então. Depois para enfrentar as digressões comprei outra, uma Custom 24, em segunda mão, mas com o avolumar das digressões senti que necessitava de outra guitarra e pedi ao nosso management para nos ajudar num acordo com a PRS, o que aconteceu. Fomos mesmo à fábrica e acabaram por me propor um modelo de assinatura. Gosto muito da Modern Eagle, mas não queria que fosse um modelo que ninguém conseguisse comprar, então, basicamente é o mesmo tipo de guitarra, mas uma SE. Os pickups são o HFS Treble e o Vintage Bass, o braço é um pouco mais largo que o de uma Modern Eagle, é como gosto pois permite-me tocar de forma mais limpa.