Sound Bay Fest, Guia de Bandas

Sound Bay Fest, Guia de Bandas

Nero
Paulo Maninha

Uma síntese de estéticas e sonoridades das sete bandas que vão subir a palco no RCA Club, no Sound Bay Fest 2018.

Sound Bay Fest está de regresso, com a terceira edição a ocorrer no próximo dia 03 de Novembro, no RCA Club, em Lisboa. Como sucedeu nas edições anteriores, o festival da Amazing Events irá exaltar o stoner e o retro rock. Todos os detalhes de bilheteira podem ser consultados na AGENDA. As bandas que vão actuar e as respectivas sonoridades apresentamos de seguida. Os concertos arrancam às 18h, convém jantar cedo, afinal segue-se uma maratona de guitarras  e amplificadores em volumes elevados.

THE CRAZY LEFT EXPERIENCE | Passaram quatro anos desde que o trio dos arredores de Lisboa se juntou para cravar sessões de improvisação num ambiente lo-fi. “Death, Destruction and Magic”, editado em Abril de 2018, revela maior sofisticação sonora nas jams psicadélicas dos músicos, com o som de baixo como pilar de sustentação dos temas. A banda tem editado regularmente e crescido a cada edição, tem um caminho ainda a percorrer, mas certamente será eficaz a criar o ambiente de abertura ao festival.

PARPAR | Podem um saxofone e uma bateria apenas criar uma vibrante e pesada parede sónica? A propulsiva bateria dos Parpar e a exploração de stompboxes e loop stations do saxofone barítono da dupla da Linha provam-o. O carácter improvisacional do projecto é solidificado pelo peso do sopro, criando drones e, porque não dizê-lo, riffs de uma fugacidade que por vezes faz pensar em Mr. Bungle.

HER NAME WAS FIRE | O feminino e o fogo são, muitas vezes, sinónimos de rock ‘n’ roll. Símbolos de irascibilidade feita som, alimentados por amplificadores e guitarras. Não importa o número, mas a sua intensidade. É com esses pressupostos que João Campos (guitarra/voz) e Tiago Lopes (bateria) fazem a sua música. Com uma arquitectura evidentemente inspirada nas duplas que revitalizaram o rock como um género para o novo milénio, como White Stripes, Black Keys ou Death From Above, e com um corpo fonético mais contemporâneo como os britânicos Royal Blood, os Her Name Was Fire estão num rápido percurso ascendente.

BLACK MIRRORS | Riffs sabbathianos misturados com voz feminina (uma voz feminina capaz de evocar o poder explosivo de Mlny Parsons não é coisa pouca). O primeiro álbum da banda, “Look Into The Black Mirror”, chegou no final de Agosto, através da Napalm Records, para suceder ao EP “Funky Queen” que fez cair vários queixos de espanto entre aqueles que se identificam com sonoridades entre o garage rock, o stoner, o blues e algum psicadelismo. Se não podemos ter por cá Nicke Andersson e os Lucifer, então que tenhamos a next best thing.

WUCAN | Os Wucan irão levar-nos directamente aos anos 70, através de uma fusão entre hard rock e folk que, através da jazz flute, nos remete imediatamente para Jethro Tull e, passe o maior peso nas guitarras, para um certo sabor aos míticos Sweetwater. A vibrante voz de Francis Tobolsky assume protagonismo numa banda que está dentro da melhor tradição de uma nova vaga de retro rock germânica liderada pelos Kadavar. Flautas, jazz, experimentalismo e groove. O álbum mais recente é “Reap The Storm”, de 2017.

THE BLACK WIZARDS | Na base de tudo está o blues. Depois a agressividade de Zeppelin e o peso de Sabbath. Por cima surge o charme feminino ao melhor estilo de Heart, em “Little Queen”, de 1977. As poções de Black Wizards são feitas com receitas retro e xamanismo fuzz. Joana Brito, Paulo Ferreira, Helena Peixoto e João Mendes descrevem-se de modo perfeito, como «quatro músicos analógicos, nascidos na era digital». Depois de “Lake Of Fire”, estrondoso álbum de estreia, “What The Fuzz!”, editado o ano passado, onde é mantida a devoção à década de 70 na “história roqueira”, mas onde a maior profusão de confrontos dinâmicos e de alterações rítmicas parece oferecer uma maior liberdade de improvisação aos músicos.

THE VINTAGE CARAVAN | Os headliners desta edição são os Vintage Caravan, banda que tem feito um percurso ascensional desde que esteve em Portugal a primeira vez, tendo visitado o Stairway Club, numa noite em que a AS esteve presente e podes recordar AQUI. Depois dessa visita a banda assinou pela Nuclear Blast, editora gigante no universo das sonoridades mais pesadas, pela qual editou o seu terceiro álbum, “Arrival” (2015). A banda islandesa, que se mudou para a Dinamarca, junto à fronteira com a Alemanha e da sede da Nuclear Blast, acaba de lançar o seu quarto e quiçá mais coeso álbum, “Gateways”. No Sound Bay Fest o disco irá ter um papel central no concerto.