Souq: Eles não são deste mundo

Souq: Eles não são deste mundo

Tiago da Bernarda

Uma das bandas mais inventivas do rock português contemporâneo irá passar pelo Hard Rock Café Lisboa, a convite da Arte Sonora, no dia 7 de abril.

Na sua própria mistura de desert rock com elementos blues, jazz, swing e pop, os Souq descobriram a pólvora. Mas a sua inspiração não bebe apenas da música. A componente cinematográfica deixou uma marca na composição conceptual da banda de Aveiro. Ouvimos perseguições de fazer subir os níveis de adrenalina a partir do trio de sopros, sente-se o reverb meio psicadélico nas pontas dos dedos, e, de alguma forma, consegue-se montar uma narrativa quase noir a partir destas peças bizarras.

É uma composição inédita em Portugal e que ainda tem muito por contar. Em 2014, conquistaram os leitores da Arte Sonora com “At La Brava – Volume Two of Red Desert Saga”, o seu disco de estreia. Este ano, preparam-se para editar a tão esperada sequela, “The Dynamite Sisters – Volume Three Of The Red Desert Saga”. Até lá, a banda fundada por Jorge Loura passará pelo mítico palco do Hard Rock Café Lisboa, no dia 7 de abril, pelas 23h00, no seguimento da residência Arte Sonora @ Hard Rock.

souq

Qual era a ideia que tinhas na cabeça quando decidiste fundar os Souq?
Os Souq na minha cabeça eram uma coisa muito estranha. Uma mistura de Captain Beefheart com Frank Zappa, com … Pantera, com … fosse o que fosse. Nunca houve uma ideia concreta do que iria sair dali, mas sabia que ia ser uma coisa “polifónica”. Ou seja, muitas vozes, muito contraponto e muitas possibilidades em aberto. Foi por isso que quis os sopros. Mas podia ter sido um teclado. Mas queria uma coisa mais orgânica.

Quando virem ao vivo, vão ver que há momentos em que o ruído é… nem vou dizer “incontrolável”, porque não estamos a tentar controlar.

Isso por vezes cria momentos harmoniosos como também momentos ruidosos e caóticos. Isso é fácil de controlar?
Fácil, não é. Quando virem ao vivo, vão ver que há momentos em que o ruído é… nem vou dizer “incontrolável”, porque porque nós não o queremos controlar. No disco somos mais rígidos. Temos tudo no sítio, para ser mais fácil de gravar. Mas temos momentos que sabemos que serão de improvisação. E nunca sabemos onde aquilo vai parar.

Então são uma orquestra sem maestro?
Somos maestros uns dos outros. É mais por aí.

Como descreverias uma jam de Souq?
Só temos um ponto de partida e só sabemos onde temos de nos encontrar. Pode ser um ou dez minutos depois, mas sabemos que temos de nos encontrar naquele sítio. Mas o que acontece no meio pode ser violentíssimo, como harmonicamente complexo. Pode ser um acorde do início ao fim. Tudo pode acontecer.

Lê a entrevista completa aos Souq na edição digital de abril da Arte Sonora.

Foto de entrada: Naked Fotografia.

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