Sunn Amps, A Origem

Sunn Amps, A Origem

Redacção

1965 – 2015. Uma breve história dos 50 anos dos poderosos amplificadores Sunn.

A história dos amplificadores Sunn remonta ao início dos anos 60, do século passado. O site www.sunnamps.com liga o início dessa história aos The Kingsmen, banda de Portland, Oregon, que em 1963 atingiu o estrelato com a canção “Louie, Louie”, que de resto se tornaria um dos maiores clássicos da música popular.

O super single catapultou a banda para uma digressão através do território norte-americano. Todavia, os músicos, que passaram a carreira a tocar em pequenos bares ou em “proms”, não tinham equipamento capaz de suportar “estrada” e, particularmente, a falta de potência de amplificação de baixo de Nord Sundholm era gritante. Por isso, o baixista pediu ajuda ao seu irmão, Conrad Sundholm, para desenhar um amp de maior potência.

Quando, em 1964, os irmãos desenvolveram o seu amplificador de baixo de alta potência, não imaginavam que tinham em mãos um titã sónico que faria estremecer até os palcos mais “extremos” do underground musical e se tornaria alvo de culto nas liturgias do drone, sludge, doom ou crust.

O amp dos irmãos Sundholm começou a ser intensamente procurado e o volume de produção ultrapassou a capacidade de fabrico artesanal na garagem da família. Assim, em 1965, foi fundada a Sunn Musical Equipment Company.

CATÁLOGO DE 1970 (AINDA SEM OS MODEL T)

O que tornou os amps de Conrad Sundholm tão especiais foi algo bastante simples. Basicamente, Conrad limitou-se a modificar um design existente, tendo acrescentado um estágio pré-amp ao amplificador do sistema hi-fi Dynaco Mark III e ligar o circuito a uma enorme coluna, com dois altifalantes 15’’ JBL. O circuito do Dynaco Mark III é simples. Trata-se de um amplificador de voltagem pentódica ligado directamente a um inversor de fase catódico, que excita as válvulas de forma bastante estável. Esta é a base que originou todos os amps clássicos Sunn.

O Model T, do início dos anos 70, é uma “cópia” de um Plexi, com 150 watts de músculo, ganhando em headroom, devido ao transformador e ao circuito pentódico de válvulas 6550.

O Model T, do início dos anos 70, é uma “cópia” de um Plexi, com 150 watts de músculo, ganhando em headroom, devido ao transformador e ao circuito pentódico de válvulas 6550.

Depois, o circuito foi remodelado com o acréscimo das devastadoras válvulas 6550, capazes de um poder descomunal, às quais foi associado um transformador ultra linear. Esta unidade, opção pouco comum até aos anos 70, trabalhava com a corrente quiescente da válvula e magnetizava o núcleo, fazendo-o trabalhar próximo da saturação e gerar um headroom limpo e uma distorção brutal. Assim se explica a tremenda capacidade de definição e dimensão do low-end dos Sunn.

Os Sunn passaram pelos rigs de Hendrix, The Who, Led Zeppelin… De quase todos os heróis do rock clássico, num ou noutro momento. A Fender acabou por comprar a marca. Contudo, há quem acuse os amps de se limitarem a ser leviatãs de volume, pouco versáteis e com uma articulação algo reduzida. E, na verdade, os amps Sunn foram caindo no esquecimento (a Fender desactivou mesmo a produção, em 2002).

O seu ressurgimento é, essencialmente, resultado do imenso poder sonoro criado por Greg Anderson e Stephen O’Malley. Primeiro, separados, em Burning Witch e Goatsnake e depois quando se juntaram para criar o drone colossal a que deram o nome Sunn O))) – como tributo aos amps da marca que perfazem a sua parede de amplificação, além da referência aos Earth (“Sunn Amps and Smashed Guitars”). Abre a galeria em baixo para ver algumas das “paredes” da banda.

Apesar de descontinuados e, agora, com o estatuto de lenda e o hype gerado pelos Sunn O))), os amplificadores não são caros e podem ser encontradas unidades vintage a preços aceitáveis. O maior problema é a sua escassez deste lado do Atlântico e os custos alfandegários. O seu poder é inquestionável e a manutenção que exigem, essencialmente a atenção permamente aos filtros de alta voltagem, está facilitada pela oferta de componentes no mercado actual.