SWR: Os Irredutíveis Guerreiros de Aço

SWR: Os Irredutíveis Guerreiros de Aço

Nero

Se muito do que “faz” um festival é o seu ambiente e espírito, o SWR é único! O cartaz é o rock do costume!

Quando os irmãos Tiago e Ricardo Veiga formaram a SWR Inc. e decidiram agitar a freguesia de Barroselas, com um festival dedicado à brutalidade do death metal e grindcore, trouxeram os espanhóis Avulsed ao nosso país, em 1998, numa altura em que a banda contava com dois álbuns bem recebidos pelos exigentes ouvintes do género, “Carnivoracity” e “Eminence In Putrescence”. A acompanhá-los estavam os nacionais Agonizing Terror, Defaulter, Kamikazes e Casablanca. Estava também impressa a vontade de erigir um altar dedicado ao profundo underground das guitarras extremas e destruição de amplificadores.

Nesse dia 25 de Abril, iniciava-se outra força de revolução no nosso país, que foi crescendo até tornar-se o mais significativo festival ibérico do género. Com uma longevidade ininterrupta que, em Portugal, só é suplantada pelo gigante MEO SW e pelo “irmão” metaleiro HMF, de Mangualde. Há mais festivais que surgem neste país, uns crescem também e solidificam-se e outros nem tanto. Não há nenhum outro festival igual ao SWR. Nenhum que, tendo crescido, preserve o mesmo espírito, os mesmo princípios, o mesmo… romantismo!

O SWR é hardcore, punk, indie, sujo, ruidoso, agressivo, excessivo, do Grande Bode.

Em entrevista, na edição #41, Mike Gaspar dizia-nos: «O metal, enquanto género musical, explodiu de uma maneira que, quando começámos, nunca imaginámos possível. Nunca imaginei estar em LA e ver pessoal trendy com t-shirts de Dimmu Borgir, que era cena completamente underground e “proibida”». A associação desta observação do baterista dos Moonspell ao festival não transporta qualquer intenção de afirmar o ambiente do SWR como elitista, porque não é, mas antes realçar que, ao longo dos 18 anos, nunca foi trendy. Ali permanece o romantismo, ali paira o “Espírito do Metal”: hardcore, punk, indie, sujo, ruidoso, agressivo, excessivo, do Grande Bode. E, acima de tudo, irmandade.

OS MELHORES CONCERTOS QUE A ARTE SONORA VIU NO SWR

Uma irmandade maior que a que liga melómanos. Não é comum, e em Portugal será único, um festival onde uma larga parte do seu público já aí tocou. É um festival cheio de músicos. De músicos de um género ainda bem marginalizado em Portugal, de músicos com batidos e com anos de experiência e de músicos verdinhos, ainda cheios de ilusões. É, portanto, um festival à medida da Arte Sonora – mais, entre aqueles que fazem a Arte Sonora há músicos que já tocaram no SWR.

Mas não é apenas isso que nos faz ansiar, cada ano, pelo festival. É o prazer de enfrentar o “serrote” de toneladas de thrash e grind, de descobrir bandas arrasadoras, de as ouvir pela primeira vez em palco, de beber essa zurrapa que se dá a ares do bagaço oficial do festival, é a certeza de que se está ali com algo transversal a todos: irmandade e dedicação a uma cena. A certeza de que, ao SWR não vai quem é trendy, quem é “da cena”, quem é disto ou daquilo… Vai quem é feito de aço!