The Black Angels: “Preparem-se para a vinda do anjo negro”

The Black Angels: “Preparem-se para a vinda do anjo negro”

Timóteo Azevedo

Nascidos há dez anos em Austin, Texas, os The Black Angels chegaram a 2014 cada vez mais perto dos anos 60. Chegaram a 2014 com cinco álbuns e vários EPs editados, com o último, “Clear Lake Forest”, lançado agora no final de Julho.

A pouco mais de um mês do Reverence Valada Fest, onde a banda norte-americana vai trazer o seu rock psicadélico no dia 13 de Setembro, em concerto-estreia em território nacional, ligámos electricamente Portugal aos Estados Unidos, e trocámos dois dedos de conversa com Christian Bland, guitarrista da banda.

Estão agora a trabalhar num álbum novo, certo?
Ya, estamos a escrever um álbum novo neste momento. Deve sair lá para a primavera do próximo ano. Esperamos começar a gravá-lo no final deste ano, lá para Outubro ou Novembro.

Juntam-se para escrever as músicas? Como é que funciona o processo de escrita?
Normalmente eu ou o Alex trazemos algo para o grupo, depois pegamos na ideia e tomamo-la como um ponto de partida, depois acaba toda a gente por contribuir alguma coisa para a música. Às vezes começamos a jammar, a tocar todos juntos algo, e sai no momento. Cada canção é um bocado diferente.

“Indigo Meadow” foi um bocado menos fuzzier e mais rocker do que o álbum anterior. Podemos esperar a mesma direcção para este novo álbum que estão a trabalhar agora?
Sim, penso que sim. Eu acho que este álbum é a progressão lógica do álbum anterior.

Austin, e Texas no geral, são bem conhecidos pela sua cena psicadélica. Ter crescido no Texas foi importante para se terem formado enquanto banda?
Certamente que sim. Acho que não iríamos soar como soamos se não tivéssemos todos crescido no Texas, por isso, claro que isso foi uma influência.

Costumavas ir a concertos em miúdo?
Não tanto enquanto “miúdo”, mas mais quando fui para a universidade. Eu vivia num subúrbio de Austin e o meu pai era pastor [ministério], por isso não tive muitas oportunidades para ir ao centro da cidade ver concertos. Mas assim que saí para ir para a faculdade comecei a frequentar.

Nós queríamos formar uma banda, então andámos a tocar com um monte de gente diferente antes dos Black Angels começarem finalmente em 2004.

Como é que surgiram os The Black Angels?
Isto começou com… bem, eu e o Alex crescemos juntos em Clearlake, que é nas redondezas de Austin, por isso já éramos amigos há algum tempo. Eu depois sai para ir para a universidade, e voltei em 2002, para Austin, para acabar a Universidade do Texas. Na altura o Alex estava a viver aqui, e eu não fazia ideia disso, só uns meses mais tarde é que me apercebi. Então em 2002 começámos a tocar juntos. Nós queríamos formar uma banda, então andámos a tocar com um monte de gente diferente antes dos Black Angels começarem finalmente em 2004. Foi quando conhecemos a Stephanie, ela entrou para a banda em Maio de 2004, e é essa a data oficial para o início dos Black Angels. A partir daí depois foram entrando os outros membros, e já lá vão 10 anos.

No início da década passada, quando os Black Angels começaram, estava-se dar os primeiros passos para um renascimento do rock psicadélico…
Sim, mas acho que foi um pouco mais cedo. Eu e o Alex andávamos a ouvir Black Rebel Motorcycle Club, The Warlocks, Brian Jonestown Massacre e Clinic, essas foram as nossas primeiras influências, e o que nos pôs a ouvir rock psicadélico, a parte das bandas de rock psicadélico dos anos 60, como os 13th Floor Elevator e coisas desse género.

Mas o início deste século trouxe consigo um certo revivalismo do rock psicadélico. Como vês o crescimento do psicadelismo da última década?
Parece-me que no início dos anos 2000 havia mais bandas a tocar este tipo de som. Lembro-me de ouvir coisas como os White Stripes e os The Strokes, e estas bandas tocavam um tipo de rock mais “minimal”. E isso deixou-me bastante interessado em tentar tocar esse tipo de música. E parece que desde o início da década passada tem havido muitas bandas a tocar esse tipo de som. Podemos ver isso no crescimento do festival que temos aqui, o Austin Psych Fest. Quando começou, em 2008, vieram 700 pessoas, e nesta última edição passou as 5 mil. Por isso, sim, há um crescimento.

O Austin Psych Fest é algo que tem impacto aí? Há uma espécie de movimento?
Sim, certamente. É isso que posso ver, é que o movimento psicadélico está a crescer, olhando para o crescimento que o festival tem tido todos os anos.

Os modelos Rickenbacker 345 são famosos pelos três pickups e, para muitos, possuem o melhor ângulo de braço entre os vários instrumentos da marca.

Os modelos Rickenbacker 345 são famosos pelos três pickups e, para muitos, possuem o melhor ângulo de braço entre os vários instrumentos da marca.

Vamos falar um pouco de gear. Que material usas?
A minha guitarra principal é uma Rickenbacker 345, uso um amplificador Fender Twin 65 blackface, e a níveis de pedais é echoe, fuzz e wah-wah. Tenho um FuzzFace antigo, dos anos 60, também um Wah Wah da Vox dessa época… também gosto de usar tremolo do amp Fender. Uso também um Turbo Tubescreamer (Ibanez).

Um bom fuzz é uma parte importante…
…sim, na verdade tenho vários pedais fuzz. Também uso um antigo Big Muff russo. Algumas vezes não uso o FuzzFace, porque é tão grande…tenho um pedal Analog Man Peppermint, que soa muito parecido com ele. Por isso em Setembro [Reverence Valada], devo levar esse para poupar espaço no meu pedalboard.

Será a vossa primeira vez em Portugal, e são uma das bandas mais esperadas no cartaz do Reverence. Que expectativas têm e o que pode esperar o público português?
Acho que vai ser altamente. Nós vamos levar o nosso espectáculo todo, com as projecções atrás de nós e tudo isso. Vamos tocar também algumas músicas do novo álbum. Vai soar tudo bem alto! Preparem-se para a vinda do “anjo negro”!