The Sunflowers: Punk que é punk

The Sunflowers: Punk que é punk

Tiago da Bernarda

Recentemente lançaram o pequeno grande EP “Ghosts, Witches & PB&J’s”, disponível em cassete e no bandcamp, com uma sonoridade que oscila entre a era dourada do punk californiano e o garage rock português.

Os portuenses The Sunflowers são punks bem-comportados. Comem fruta e sandes de manteiga de amendoim e no que toca à disciplina de dar tudo em palco, ambos têm os TPC’s em dia. Apanhámo-los bem nutridos na última matiné da Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, para saber um pouco mais sobre eles e acabámos por receber uma lição de internet e do verdadeiro significado de “ser punk”.

A última vez que tocaram em Lisboa, no Sabotage, não estavam em grande forma. O que se passou?
Carlos: Pois, a Carolina estava doente. Aliás, este deve ser o primeiro concerto em que nenhum de nós está doente. É incrível!

Isso é muito punk da vossa parte.
Carlos: Tem que ser. Sabes o que não é punk? No caminho para cá, ela fez o lanche e trouxe-nos fruta! Como é que fruta é punk rock?! Mas gostei. Estava boa.

Mas a Carolina também é bastante punk. Vi uma foto dela a segurar um cérebro…
Carolina: Então não? Até rasguei as calças. Sim, deixei essa foto no Facebook.

Praticamente tinhas Bad Brains nas mãos!
[Risos]

Tens também uma foto com um golpe… na mão?
Carolina: Foi no nariz. Comecei a sangrar do nariz e foi parar à mão.
Carlos: Estávamos no carro e ela, simplesmente, começa a sangrar. Foi no dia a seguir ao nosso concerto no Sabotage. Isso sim, é punk rock.
Carolina: Punk rock foi tocar de calças caqui. Estava com febre nesse dia.

Entretanto lançaram uma cassete. Mas pelo que percebo pelas vossas publicações, são poucas as encomendas que vos fazem.
Carlos: Eu estou muitas vezes em casa a chorar e a pensar porque é que ninguém compra as cassetes. Faço “refresh” ao e-mail para ver se tenho mais pedidos, mas não. Acabamos sempre por vender muito mais nos concertos.
Carolina: Sim, se vendermos mais cinquenta já é suficiente para cobrir os custos.

Lembram-se das vossas primeiras cassetes?
Carolina: Não tive cassetes. O meu irmão tinha uma do Pedro Abrunhosa. Lembro-me disso.
Carlos: A minha mãe tinha a colecção completa com todos os álbuns do Tony Carreira até à data. Eu tinha mixtapes feitas pelo meu padrinho, mas não eram muito punk. Tinham cenas do Bob Dylan e Creedence Clearwater Revival e essas cenas.

Como o EP se chama “ Ghosts, Witches and PB&J’s”, vamos ter a perspectiva de um fantasma, uma bruxa e uma sandes de manteiga de amendoim e geleia.

Geralmente fazem o vosso próprio “artwork”, como é o caso da capa do “Ghosts, Witches and PB&J’s’”. Porque é que ainda não fizeram t-shirts?
Carolina: Desenhos não nos faltam.
Carlos: Há desenhos, o problema é que os custos das t-shirts são um bocado altos. Mas já comprámos tintas e t-shirts brancas. Portanto, vou começar a fazê-las. Será uma edição limitada de… duas! A dizer “Can’t Touch This”, porque tem tudo a ver com Sunflowers. Não nos podem tocar porque estamos em cima do palco. Estou a brincar. Talvez fizesse com a capa do EP ou apenas um cigarro gigante. Apenas porque é fácil de desenhar. Faço quatro/cinco linhas e um bocadinho de fumo. Posso ser ainda mais preguiçoso e escrever apenas “Sunflowers”.

Lançaram também um single novo.
Carlos: Sim, “I Saw A Ghost”. Era a música que queria ter lançado como primeiro single, mas não estava pronta na altura.

Fui investir nessa música no Tradiio e isso não está a render nada!
Carlos: Não consigo mexer naquilo!
Carolina: É muito complicado. Ele apagou tudo e voltou a pôr as músicas, mas depois perdemos as visualizações todas.
Carlos: Tínhamos músicas, da altura em que ainda éramos três a tocar, que queria apagar mas que o Tradiio não deixava. Foi só quando relançaram a plataforma que conseguimos criar uma nova conta. Houve só uma música que rendeu mais. Foi um dos momentos altos da nossa carreira porque o Hélio, dos Linda Martini e dos PAUS, pôs essa música, a “Scumbag”, numa das playlist dele.

Estava com esperança que a “The Witch” fosse o vosso próximo single. Aposto que será a única que não será.
Carolina: Vai ser. Já estamos a preparar um vídeo
Carlos: Estamos a pensar fazer um vídeo com duas ou três canções que as interligasse. Aquilo vai ter uma história com várias perspectivas. Como o EP se chama “ Ghosts, Witches and PB&J’s”, vamos ter a perspectiva de um fantasma, uma bruxa e uma sandes de manteiga de amendoim e geleia.

Conseguiram arranjar um fato de sanduíche?
Carolina: Não, era muito caro. Pusemos uma Go-Pro numa sandes e pronto.

Em vez de uma bruxa convencional, podiam convidar o Allen Halloween para fazer de bruxa.
Carlos: Era engraçado! Mas acho que não faria uma boa bruxa. Queremos a bruxa clássica, com pele verde e chapéu preto.

Vocês que são seres assíduos da Internet, quais são as páginas de Facebook que mais gostam de ”taggar” nos comentários?
Carolina: Ui, são tantas! “Fumar um porrinho”, “Acho que é excelente”, “Estiveste bem, amigo”.
Carlos: “Este evento ficava muito mais fixe se os Sunflowers viessem tocar”, “O fantasma que mete paus no rabo de pessoas que não vão ao concerto”, “Um bandido também chora”.

Acontece com frequência serem identificados em publicações que não têm nada a ver com a banda?
Carolina: Adoro quando isso acontece.
Carlos: Vão à página dos Sunflowers e cliquem nas fotografias identificadas.

Os The Sunflowers têm agendada uma mini tour, confere as datas: 9/05 – Porta Onze, Monção; 22/05 – Festival Sai do Sofá, Maus Hábitos, Porto; 23/05 – Texas Bar, Leiria; 29/05 – A.R.Povoense, Alcobaça; 30/05 – CLUB de Vila Real, Vila Real.

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