O Festival Emergente está em risco. Depois de sete edições dedicadas à nova música independente portuguesa, a organização lançou uma campanha de crowdfunding para garantir a continuidade do festival em 2026.
Antes de uma banda dar o salto e entrar no circuito profissional, precisa de um palco onde possa ser descoberta. É essa uma das funções do Festival Emergente, que, depois de sete edições a apostar na nova música independente portuguesa, está agora em risco de não conseguir realizar a sua 8.ª edição, marcada de 18 a 20 de Dezembro.
A organização lançou uma campanha de crowdfunding com uma meta de 20.000 euros para garantir a continuidade do festival em 2026.
O problema surgiu depois de candidaturas a apoios financeiros não terem sido bem sucedidas, deixando o Emergente sem o financiamento que habitualmente assegurava a realização do evento.
Apesar da situação, a organização decidiu avançar com a campanha e manter a ambição da próxima edição, apostando num modelo de «tudo ou nada»: caso o valor pretendido não seja alcançado, todas as contribuições serão devolvidas aos doadores através da PPL.
Ao longo das suas sete edições, o Emergente tornou-se num espaço de encontro para artistas, bandas, managers, produtores, fotógrafos e outros profissionais.
A edição de 2026 já tem oito artistas convidados confirmados, Calcutá, Kalashnicoles, Ana de Llor, Rossana, Acid Acid, Them Flying Monkeys, Cat Soup e Travo. A estes irão juntar-se mais oito projetos selecionados através de um novo Open Call, que deverá abrir em outubro, perfazendo um total de 16 bandas e artistas em palco.
O Open Call é uma das principais ferramentas do festival para descobrir novos projetos. Nas sete edições anteriores foram recebidas mais de 400 candidaturas, das quais 51 projetos integraram os cartazes do Emergente ao lado de 47 artistas e bandas convidadas. Entre os nomes que passaram pelo festival encontram-se Filipe Sambado, Pedro Mafama, Cave Story, Sunflowers, Chinaskee, Bia Maria, Hause Plants, Cíntia, April Marmara, Solar Corona, Surma, Maria Reis, Baleia Baleia Baleia, Unsafe Space Garden, Bandua, A Sul, Maquina e Chat GRP, entre muitos outros.
O festival atribui ainda dois prémios aos projetos selecionados através do Open Call. O prémio de Melhor Projeto Musical, escolhido pelo júri, traduz-se no apoio à edição de um EP ou álbum. Já o prémio de Melhor Concerto, atribuído através da votação do público, dá origem a uma tour nacional por espaços de referência de diferentes pontos do país.
A dimensão do Emergente ultrapassa, por isso, os três dias de festival. Atualmente com uma abrangência nacional, o projeto tem levado os artistas premiados a diferentes regiões de Portugal através da Tour Emergente, criando novas oportunidades para projetos que ainda estão a construir o seu percurso.
Para 2026, a produção estima que sejam necessários 20.000 euros para assegurar uma edição com 16 projetos em palco, cerca de 50 músicos, produção, comunicação, design, fotografia, vídeo, alimentação, estadias, deslocações e algum equipamento. Quatro pessoas estarão envolvidas na preparação durante cerca de três meses, entre outubro e dezembro, além da equipa de registo fotográfico e vídeo que acompanhará os três dias do festival. O BOTA volta a assumir um papel importante no acolhimento e na disponibilização da equipa técnica e dos equipamentos.
A campanha de crowdfunding disponibiliza diferentes recompensas, desde o apoio simbólico de 5 euros (oferta de uma bebida) até ao Passe Vitalício, no valor de 250 euros. Por 15 euros é possível adquirir um bilhete diário, enquanto o Passe Geral custa 35 euros. Existem ainda opções com vale de bebida, por 20 e 40 euros, respetivamente.
Depois de uma edição de 2025 esgotada, a organização não quer que a falta de financiamento coloque um ponto final num projeto que tem vindo a crescer de forma orgânica juntamente com a comunidade da música independente portuguesa.
Acede aqui para contribuires, toda a ajuda é necessária.