Mais um concerto esgotado, mais uma grande estreia em território nacional com o pop punk dos All Time Low, que transformaram o LAV numa cápsula do tempo carregada de energia.
Originalmente, a aguardada estreia dos All Time Low em Portugal previa um cartaz de peso que incluía Mayday Parade, Four Year Strong e The Paradox. Contudo, devido a cancelamentos de última hora por parte das duas últimas bandas, provocou alguma desilusão no público, mas o palco do LAV – Lisboa ao Vivo reorganizou-se para receber um alinhamento renovado, contando agora com a energia de Mayday Parade e a frescura de Taylor Acorn como convidados especiais.
A noite começou com a ascensão meteórica de Taylor Acorn. A artista, que tem feito correr muita tinta pela sua transição orgânica do country para o pop-punk, provou em palco o porquê de ser uma das vozes mais promissoras do género. Com uma presença segura e simpática e temas que ecoam vulnerabilidade e garra, Taylor Acorn soube ler o público lisboeta. Bem disposta e hiperativa, ofereceu um concerto competente onde se ouviram temas como “Crashing Out”, “I Think I’m in Love”, “Greener” e para o final deixou a malhinha “Psycho”, fechando em grande a sua prestação. Cada membro da banda trouxe a sua própria energia, entre baquetas a girar e várias piruetas no palco protagonizadas pelo guitarrista, foi um bom começo.
Logo de seguida, os Mayday Parade assumiram o comando com a autoridade de quem leva duas décadas de estrada. Mesmo sendo um dos sobreviventes do cartaz original, a banda da Florida não deixou créditos por mãos alheias. Derek Sanders percorreu o palco com uma vitalidade invejável, distribuindo sorrisos e hinos do emo pop-punk que prepararam o terreno de forma impecável. Foi um set focado na proximidade e na entrega, onde a experiência dos veteranos serviu de combustível para a euforia que se seguia, com o público a responder à altura de cada riff. Uma das suas músicas mais reconhecidas, “Jamie All Over”, encerrou o alinhamento que contou com temas como “Jersey”, “Kids in Love”, “By the Way”, “Oh Well, Oh Well”, “Black Cat”.
Os All Time Low subiram finalmente a um palco em território nacional, em estreia absoluta com um LAV esgotado para os receber de braços abertos. O cenário, visualmente impactante, era composto por plataformas vibrantes e um letreiro central que ia alterando de cor ao longo do concerto, celebrando o novo álbum “Everyone’s Talking”. No chão, o icónico tapete checkerboard preto e branco ditava a estética da noite, com Alex Gaskarth a entrar em palco envergando uns Vans a condizer com o xadrez do cenário. Este padrão, que se tornou um símbolo da cultura skater e do espírito DIY dos anos 90, serviu como o marcador visual perfeito para a nostalgia que a banda evoca. Entre o revivalismo Y2K e a irreverência de quem cresceu sobre rodas e guitarras, a simplicidade gráfica do xadrez fundiu-se com a atitude da banda, ligando o passado e o presente num único plano estético.

O espetáculo revelou-se uma autêntica montanha-russa visual e sonora, onde a irreverência de Jack Barakat, o dinamismo de Zack Merrick e a precisão rítmica de Rian Dawson deram corpo a um alinhamento que viajou por toda a discografia da banda. Do novo álbum editado em 2025 ouvimos temas como “SUCKERPUNCH”, “Little Bit”, “Falling for Strangers”, “The Weather”, este último com a participação especial de Derek Sanders. De Fenders com acabamentos coloridos em punho, os All Time Low desfilaram também vários temas mais antigos como “Weightless”, “Hate This Song”, “Time-Bomb”, “Sleepwalking”, “Poppin’ Champagne” e o momento acústico de “Remembering Sunday” com Taylor Acorn.
O público português, um dos grandes protagonistas da noite, esteve totalmente à altura do momento. Entre saltos, danças e um coro constante que ecoava por toda a sala, a ligação com a banda foi imediata. Visivelmente contente, Alex Gaskarth agradeceu várias vezes o afeto recebido, elogiando a energia calorosa com que foram acolhidos nesta primeira visita. Houve ainda espaço para o clássico ritual de concertos em Portugal: o público uniu-se no cântico “Esta merda é que é boa“, um batismo improvisado que arrancou sorrisos à banda e selou a comunhão entre palco e plateia.
Entre a agressividade moderna de “Monsters” e o caos festivo de “Dear Maria, Count Me In” no encerramento, com bonecos esvoaçantes e todos os músicos das bandas de suporte em palco, ficou claro que esta estreia em Portugal foi muito mais do que um simples concerto; foi uma celebração vibrante dos anos 2000 e uma aposta ganha que deixou o LAV em êxtase.






















































































































