Lisboa voltou a ser o epicentro do metal sinfónico europeu na noite de 1 de fevereiro, quando o Coliseu dos Recreios recebeu dois nomes gigantes do género, Epica e Amaranthe, numa celebração de energia, técnica e efeitos visuais.
Na noite de 1 de fevereiro de 2026, o Coliseu dos Recreios voltou a pulsar ao som dos mestres neerlandeses do metal sinfónico Epica, dos suecos Amaranthe, e de Charlotte Wessels, agora numa nova fase da sua carreira a solo depois de deixar os Delain, reunidos sob o mesmo teto para uma noite que celebrou a força do género.
O concerto integrou a Arcane Dimensions Tour, uma digressão europeia de grande escala que cruza 26 cidades em 13 países, unindo duas bandas de topo em regime de co-headlining. Três atuações, três formas de interpretar o metal moderno. O resultado foi uma aposta 3×1 claramente vencedora, uma celebração onde a técnica, o visual e a comunhão com o público falaram mais alto.
Charlotte Wessels inaugurou a noite em Lisboa, diante de uma plateia já bem composta. Ladeada por girassóis artificiais, surgiu sobre uma pequena plataforma circular. A ex-vocalista dos Delain, agora a solo com os The Obsession, apostou num alinhamento focado na sua carreira a solo, deixando o passado descansar em favor de uma nova identidade.
Entre temas como “Chasing Sunsets”, “Dopamine”, e os novos “Tempest” e “After Us, The Flood”, a doce Wessels mostrou uma performance segura e emocionalmente carregada, equilibrando delicadeza e intensidade. O final com “The Exorcism” arrebatador: voz potente, presença magnética e uma entrega total. Em pouco mais de meia hora, Charlotte Wessels conquistou Lisboa e com a expectativa que volte em nome próprio.
Depois do minimalismo de Wessels, o palco do Coliseu ganhou outra dimensão com uma elaborada parafernália cénica dos Amaranthe. Quando os suecos tomaram conta do palco, a sala estava um pouco dispersa, mas quem ficou soube o que é levar com uma tempestade sonora. Sem rodeios, os Amaranthe abriram com “Fearless” e “Viral”, e bastaram segundos para transformar o Coliseu dos Recreios numa onda de cabeças em movimento e algum descrédito.
Nos corredores, enquanto fomos buscar uma cerveja, alguém dizia: “vim embora, parecem os Santa Maria“. Rimos… Mas na verdade, esteticamente os Amaranthe poderiam, realmente, ser uns primos pesados dos Santa Maria. Comparações sarcásticas à parte, com três vocalistas em constante rotação, Elize Ryd, Nils Molin e Mikael Sehlin, a banda detonou uma sequência de faixas afiadas e diretas, equilibrando melodia e fúria com uma precisão quase cirúrgica. A intensidade nunca abrandou: “Crystalline” trouxe um breve respiro, mas logo “BOOM!1” e “Digital World” voltaram a incendiar o público. Entre lasers e colunas de fumo, o guitarrista Olof Mörck, o baixista Johan Andreassen e o baterista Morten Løwe Sørensen, mantiveram o palco em ebulição, enquanto os vocalistas comandavam a plateia com autoridade. Na reta final, “Amaranthine” mostrou a veia emocional que ainda pulsa por baixo do caos, e fechou uma atuação que a certa altura parecia nunca mais acabar.
Em estreia como co-headliners na capital, os Amaranthe não pediram licença, invadiram, sacudiram e deixaram marca.
Depois do furacão Amaranthe, emergimos no universo dos Epica. Um cenário futurista, vivo e mutante, onde luz e aço se fundem. No centro, Simone Simons, deixa a penumbra e de óculos a condizer, parecia comandar aquela engrenagem como uma deusa cibernética. O som era massivo, mas preciso, nada estava fora de sítio, cada foco de luz, cada projecção, cada acorde, cada gesto está cronometrado para gerar o impacto pretendido.
“Apparition” inaugura o ritual, seguida de “Cross the Divide” e “Martyr of the Free World”, num arranque demolidor. Em palco, a sincronização entre Simone e Mark Jansen é cirúrgica: a beleza de uma, a brutalidade controlada do outro. Como já estamos habituados, ao vivo, o peso das guitarras de Isaac Delahaye e dos growls de Jansen ganha uma dimensão esmagadora, e o teclista Coen Janssen transforma-se num maestro fora de controlo, alternando entre teclados e corridas pelo palco, incitando circle pits e gargalhadas.
Entre peso e teatralidade, técnica e cânticos da plateia, os Epica mostraram por que continuam no topo e a ser uma força que transforma o metal sinfónico numa verdadeira experiência sensorial.
A meio do concerto, o ambiente muda de tom com “Sirens – Of Blood and Water”, quando Charlotte Wessels regressa em dueto com Simone. As duas figuras, envoltas em névoa e luz, criam o momento mais belo e intimista da noite. Logo a seguir, “Tides of Time” devolve o esplendor sinfónico com uma plateia em transe.
O clímax chega com “Cry for the Moon”, hino intemporal que faz o Coliseu estremecer. Coen mergulha para a multidão, Simone agradece num português perfeito: «Muito obrigada, Lisboa!» e o espetáculo culmina numa avalanche sonora com “Beyond the Matrix”, acompanhada por imagens do público projetadas em tela gigante.
Entre peso e teatralidade, técnica e cânticos da plateia, os Epica mostraram por que continuam no topo e a ser uma força que transforma o metal sinfónico numa verdadeira experiência sensorial.





































































































































































