Miles Kane regressou a Portugal para dois concertos, no LAV e no Hard Club. Um retorno feliz, mas com pouca adesão por parte do público.
Esqueçam os clichés das velas e dos jantares românticos. No passado dia 14 de fevereiro, o Lisboa ao Vivo transformou-se no cenário de um encontro romântico diferente, onde as guitarras ditaram as regras. No dia dos Namorados, enquanto a sala 1 do LAV esgotou para ver o negrume de Mayhem, na sala ao lado, Miles Kane subiu ao palco do LAV, com os habituais óculos de sol e com um ramo de rosas, fundindo a herança dos crooners clássicos com a crueza do rock britânico que o define. Ao som de “Can’t Take My Eyes Off You” e “Stand By Me” como preâmbulo, o músico inglês rapidamente trocou o sentimentalismo pela energia pura, apresentando as novas cores de “Sunlight In The Shadows”, o seu sexto álbum de estúdio lançado no final de 2025. Mesmo com a pouca aderência do público, Miles mostrou-se incisivo, cativante, urgente e repleto de momentos para cantar em uníssono.
Em Lisboa, na Sala 2 do LAV, o amor celebrou-se com distorção, suor e a confiança de um músico que sabe exatamente como conquistar uma audiência.
Acompanhado por uma banda que funcionou como uma máquina de precisão, Kane desfilou um alinhamento equilibrado que provou a sua autonomia criativa. Embora as novas composições, como a vibrante “Sing a Song To Love”, tenham mostrado um guitarrista em estado de graça, foram os hinos de “Colour of the Trap” que incendiaram a plateia. Temas como “Rearrange” e “Inhaler” serviram de combustível para uma sala que nunca deixou de corresponder ao carisma do frontman. A simbiose atingiu o auge em “Don’t Forget Who You Are”, com um coro espontâneo que ecoou no LAV para lá do expectável, deixando o artista visivelmente rendido à entrega do público lisboeta.
Sem as habituais interrupções de palco para o encore, o concerto fluiu de forma orgânica até ao desfecho com “Come Closer”, selando uma noite onde o “algo novo” e o “algo velho” coexistiram em perfeita harmonia. Enquanto as notas de “My Way”, de Frank Sinatra, despediam os presentes, ficou a certeza de que Miles Kane continua a traçar o seu percurso com uma identidade vincada, longe de quaisquer sombras. Em Lisboa, na Sala 2 do LAV, o amor celebrou-se com distorção, suor e a confiança de um músico que sabe exatamente como conquistar uma audiência.
































