Patrick Watson regressou ao seu amado Portugal para apresentar o seu novo disco “Uh Oh”, com um concerto esgotado no Porto e uma noite igualmente especial em Lisboa.
No dia 15, Patrick Watson voltou a Lisboa para um concerto vivido como um reencontro muito aguardado. No LAV, o músico canadiano apresentou “Uh Oh”, disco lançado no ano passado, num espetáculo marcado pela proximidade, pela escuta atenta e por uma atmosfera carregada de intimidade.
Não é novidade o encanto mútuo entre o público português e Watson. Ao longo dos anos, o compositor construiu uma relação especial com Portugal, regressando com frequência para concertos que se distinguem pela cumplicidade silenciosa da audiência. Cada atuação transforma-se numa experiência partilhada, onde o tempo parece abrandar.
A noite começou com La Force, projeto de Agnès Engle, que apresenta uma sonoridade envolvente, misturando elementos de pop, rock e música eletrónica. As suas letras profundas abordam temáticas que vão desde a vulnerabilidade à celebração da vida, sempre de forma autêntica.
Pouco depois, Patrick Watson subiu ao palco sob uma forte ovação e deu início a uma viagem musical centrada em “Uh Oh”, álbum criado após a perda temporária da sua voz e que nasce de um período de profunda reinvenção artística. No início de 2023, o cantor e compositor de Montreal perdeu a voz. Sem qualquer garantia de que esta regressaria, concentrou-se nos sintetizadores modulares e na composição instrumental, recorrendo à sua experiência na realização de mais de quinze filmes.
Em vez de se retirar, Watson reimaginou a sua abordagem por completo. Começou a escrever canções para outras vocalistas e compositores, construindo um projeto colaborativo que abraça a vulnerabilidade, a reinvenção e a liberdade criativa. Embora a sua voz acabasse por recuperar, optou por manter o seu plano original: colocar em primeiro plano um coro de outras vezes e deixar que estas carregassem o peso emocional do disco.
Essas vozes vão desde referências que Patrick idolatra há anos (como Martha Wainwright), até descobertas feitas ao acaso enquanto percorria o Instagram (como Solann); desde a uma referência local do Quebeque (Klô Pelgag), até a fenómenos internacionais (nossa a portuguesa MARO, Hohnen Ford, November Ultra); a uma estrela pop vencedora de um prémio JUNO (Charlotte Cardin), até uma vencedora de um prémio Félix (Anachnid), e até uma amiga que conheceu quando ela trabalhava atrás do balcão do café do bairro (Charlotte Oleena).
Voltando ao concerto, o alinhamento atravessou temas mais recentes como “Gordon in the Willows” e “Silencio”, passando também por canções de outras fases da carreira, como o clássico “To Build a Home” ou “Melody Noir”, dedicada a Simón Diaz, desenhando um encontro natural entre passado e presente.
Um dos momentos mais marcantes da noite aconteceu com a participação de MARO, que partilha “The Wandering” com Watson no mais recente álbum e que, em palco, ofereceu um bonito instante de delicadeza, reforçando a ligação profunda do músico a Portugal.
No final, ficou a sensação de mais uma noite especial, daquelas que confirmam porque cada regresso de Patrick Watson a Lisboa é vivido como algo íntimo, quase pessoal, e profundamente memorável.































