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(c) Nuno Batista

A Garota Não apresenta curta “Quem nesta aldeia morar”, uma outra forma de ver e ouvir “Ferry Gold”

08/01/2026

A Garota Não volta a desafiar os formatos habituais da indústria com “Quem nesta aldeia morar”, uma curta-metragem que nasce da recusa do single e da vontade de que “Ferry Gold” seja escutado como um todo. Entre cinema, música e trabalho coletivo, o projeto afirma-se como uma extensão natural de um disco pensado para ser vivido sem atalhos.

Depois de ter optado por não lançar singles, deixando de fora o formato de teledisco, A Garota Não encontrou uma nova forma de dar corpo visual às canções de “Ferry Gold”. Essa decisão esteve na origem de “Quem nesta aldeia morar”, uma curta-metragem escrita e realizada por Pedro Estêvão Semedo, pensada como alternativa ao videoclipe tradicional e como extensão do universo narrativo e emocional do disco.

Sobre essa escolha, A Garota Não explica: «Tudo isto começou porque não quis que o Ferry Gold tivesse sujeito à máquina que nos força a escolher um tema para servir de single. A função do single até pode, em parte, ser acarinhada, abrir o caminho para que o ouvido curioso vá à procura o resto. Mas a verdade é que na grande maioria das vezes, e como temos tão pouco tempo para tudo, o single não passa disso mesmo, uma faixa solitária no meio da miríade de playlists onde, com sorte, consegue entrar». A artista acrescenta ainda que «o destino de um disco de 19 canções passa a ser a história breve de um ou dois singles», reforçando o desejo de que o álbum fosse escutado como um todo, permitindo que cada ouvinte escolhesse depois as suas canções favoritas, transformando-as nos seus singles pessoais.

Essa opção trouxe dificuldades práticas na divulgação, sobretudo junto das rádios, como a própria relata: «Muitas vezes me perguntaram, e qual é o single? Não há, escolham vocês o que vos parecer melhor. E foi curioso ver como nas rádios onde o Ferry Gold entrou, as músicas eram quase sempre diferentes. Isso divertiu-me». Sem singles definidos, A Garota Não acabou também por abdicar dos telediscos, desafiando Pedro Estêvão Semedo a pensar outro formato, desafio que deu origem a “Quem nesta aldeia morar”.

A curta-metragem nasce de um trabalho profundamente coletivo. Ao lado de Pedro Estêvão Semedo esteve sempre Mário Guilherme, referido como braço direito essencial, juntando-se ainda João X Silva, Berenice Cruz, Zé Nova e Ana Barbosa, entre outros amigos que deram tempo, talento e disponibilidade a esta aldeia simbólica que o projeto convoca.

“Quem nesta aldeia morar” conta ainda com a participação dos músicos Cátia Mazari, Sérgio Miendes, Diogo Arranja e João Mota, reforçando a ligação entre cinema, música e comunidade que atravessa todo o projeto.

Carrega no play para ver e ouvir.

Recentemente, A Garota Não lançou também “O testamento do Tigre”, um trabalho que nasce de uma canção retirada de “Ferry Gold”, originalmente pensado para ter 20 temas. Depois de várias tentativas falhadas de arranjo, surgiu a ideia de desafiar Sérgio Miendes, Diogo Arranja e João Mota a criarem, cada um, a sua própria versão da canção, ignorando estruturas e arranjos iniciais, navegando livremente numa música escrita para celebrar Fiama Hasse Pais Brandão.

Entusiasmada com os resultados, a artista decidiu divulgar individualmente cada versão e convidar diferentes criadores para animarem visualmente cada faixa. A primeira agora revelada é a de Sérgio Miendes, com voz, baixo e guitarras do próprio, bateria de Diogo Arranja, teclados e voz de A Garota Não, e animação assinada por Joana Batista. Para já, as novas faixas estarão disponíveis apenas no vinil duplo.

Os vinis podem ser encontrados na Papelaria da Fonte Nova, em Setúbal, no Bandcamp e através do email en**************@***il.com, estando também prevista, muito em breve, a sua chegada à Livraria Poesia Incompleta.

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