gnration: Angel Bat Dawid, Ana Lua Caiano, Travo, Maquina. e Scúru Fitchádu e festival Semibreve são os destaques da programação de Setembro a Dezembro

03/09/2026

O gnration, em Braga, preparou uma programação diversificada para os últimos meses de 2026, cruzando música, artes visuais, dança, tecnologia e pensamento.

Entre setembro e dezembro, a agenda do gnration inclui apresentações de novos discos, criações inéditas, exposições, residências artísticas e propostas que exploram temas como memória, território, ecologia e tecnologia.

A programação arranca já em setembro, integrada na Noite Branca de Braga, entre 4 e 6 de setembro, com várias propostas de entrada gratuita. Os Laboratórios de Verão estarão em destaque com as novas instalações de Bruno Mesquita, Marisa Fernandes e Sandra Teixeira, enquanto Maria Amaro e Calgon apresentam “Entre-Linhas”, uma criação que combina contrabaixo e vídeo analógico. O Grupo Coral do Auto-Tune propõe uma abordagem experimental à tecnologia presente na música pop e Ocenpsiea assinala dez anos de atividade com “Ensaio Sobre a Surdez”.

Entre composição clássica, gospel, jazz e tradição afro-americana constrói-se o universo de Angel Bat Dawid (14 nov). Compositora, clarinetista, pianista, maestra e DJ, a artista ligada à cena de Chicago é uma das figuras mais reconhecidas do jazz contemporâneo. Félicia Atkinson (28 nov) trabalha noutra fronteira: entre música, imagem e escrita. Figura central da música experimental, recorre a gravações de campo, eletrónica e poesia para criar peças povoadas por paisagens, objetos, livros e memórias. Quarteto reconhecido pela desconstrução do uso convencional da guitarra elétrica, Ex-Easter Island Head (1 nov) trazem a Braga o arrojo de uma abordagem que fez de Norther um disco amplamente celebrado.

A transformação do vocabulário instrumental atravessa outros concertos. Park Jiha (21 nov) apresenta All Living Things, relacionando instrumentos tradicionais coreanos com voz e eletrónica. Kalia Vandever (18 set) regressa a Braga com Mana, registo centrado no trombone e em questões de ancestralidade e memória. Midori Hirano (9 out) apresenta OTONOMA, aproximando a escrita para piano de sequenciadores e sintetizadores modulares. Já Joana Sá (17 out) recorre a piano, percussão, excitadores sonoros e gravações de campo em Corpo : Território — Variações sobre Inquietação, nova obra sobre a instabilidade da Terra.

O quadrimestre inclui também estreias de novos trabalhos. Ana Lua Caiano (6 nov) apresenta pela primeira vez em palco Devagar que a vida é curta e inicia a digressão do segundo disco. Depois do Trabalho da Casa que deu origem a Sinking Creation, Travo (30 out) regressam ao gnration para o primeiro concerto de Wasteland, o seu trabalho mais ambicioso e exigente. No último concerto do ano, o primeiro encontro entre Maquina. e Scúru Fitchádu (12 dez) dá origem a uma nova obra, desenvolvida em residência a partir de universos que atravessam o krautrock, o techno, o punk, a música industrial e o funaná. No Radiografia, Ana Teresa Pereira (2 out) estreia cinco peças para piano e violino inspiradas no universo visual de Paula Rego. Durante a Noite Branca, Ocenpsiea (6 set) assinalam uma década com a apresentação de Ensaio Sobre a Surdez; o Grupo Coral do Auto-Tune (5 set) parte da canção pop para explorar territórios mais livres e experimentais; e, fruto dos Laboratórios de Verão, Maria Amaro e Calgon estreiam Entre-Linhas (4 set).

O Semibreve volta a ter aqui lugar (22–24 out). Tygapaw apresenta Together You Gather All Power Applied Worldwide, espetáculo audiovisual que pensa a pista de dança como espaço de reunião e resistência. Azu Tiwaline cruza eletrónica, polirritmia e referências sonoras do Norte de África, enquanto Noémi Büchi aproxima composição orquestral e síntese eletrónica em Exuvie. Completam o programa o b2b de Peder Mannerfelt e Roni e as atuações de Flora Yin-Wong, System Sophie e Dawn Dani. O OCUPA (4 e 5 dez) regressa com uma nova perspetiva sobre a música eletrónica e a arte digital produzidas no distrito de Braga. I’A’V’ regressa com Volatile Poem, disco que nasceu de um convite a Inês Malheiro para o ciclo Radiografia; BVHZ estreia Liturgia, joão ms apresenta Everything Speaks of Itself e a dupla José Gonçalves Rios e Israel Machado dá a conhecer O Céu dos Ricos. O programa inclui ainda uma nova obra audiovisual da ODE — Orquestra de Dispositivos Eletrónicos, dirigida por Pedro Lima, em colaboração com o Clube de Vídeo, dirigido por Bruno Rodrigues Martins.

Nas artes visuais, outubro traz duas novas exposições às galerias do gnration. Olga Kisseleva apresenta “MANKURTS”, uma reflexão sobre árvores cultivadas em sistemas de produção superintensivos, enquanto Rosemary Lee apresenta “Matéria Escura Digital”, trabalho dedicado aos dados esquecidos nas infraestruturas digitais e à sua influência nos sistemas computacionais e na produção de imagens.

No espaço digital, o ciclo Divine Time continua a explorar as relações entre tecnologia, espiritualidade e diferentes formas de compreender o tempo, com participações de Wendi Yan, Miriam Hillawi Abraham e Dian Joy. Já o Órbita recebe Ensemble of Other Living Beings, enquanto o Jogo Cruzado cruza novamente música e imagem através de trabalhos de Inês Nunes, Saba Alizadeh, Tarta Relena e Anouk Moyaux.

A dança e o pensamento completam uma programação que procura aproximar diferentes disciplinas e perspetivas. Maria Inés Villasmil apresenta uma nova criação no âmbito do Guelra, enquanto Fábio Krayze e DJ Poco se encontram pela primeira vez em “Batida”, espetáculo que aproxima música e movimento a partir das ligações entre Angola e Portugal. O PARAÍSO, por sua vez, regressa em setembro com um programa dedicado às expressões artísticas afrodescendentes e lusófonas, juntando dança, cinema, música, gastronomia e conversas.

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