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(c) Inês Barrau

Helloween em Lisboa, Abóboras Unidas Jamais Serão Vencidas

Review

Voz
8/10
Banda
10/10
Som
8/10
Ambiente
9/10
Overall
8.8/10
March of Time
The King for a 1000 Years
Future World
This Is Tokyo
We Burn
Twilight of the Gods
Ride the Sky
Into the Sun
Hey Lord!
Universe (Gravity for Hearts)
Hell Was Made in Heaven
Drum Solo
I Want Out
In the Middle of a Heartbeat
Pink Bubbles Go Ape
A Tale That Wasn't Right
A Little Is a Little Too Much
Heavy Metal (Is the Law)
Halloween
Eagle Fly Free
Power
Dr. Stein
Keeper of the Seven Keys

Na celebração do 40º aniversário da banda, os Helloween trouxeram a Portugal a sua produção mais ambiciosa de sempre. Numa articulação perfeita entre um espetáculo conceptual, uma performance com execução técnica irrepreensível e um público devoto que encheu o Sagres Campo Pequeno, esta foi uma noite de muitas emoções e recordações.

Quando os Helloween visitaram-nos em 2018 com a sua Pumpkins United World Tour pouco ou nada se podia prever sobre o futuro da banda. Na altura o impensável tinha acontecido, com o vocalista Michael Kiske e o guitarrista, vocalista e co-fundador Kai Hansen a regressarem à banda após um afastamento de mais de vinte anos.

Com a configuração de um septeto, onde o destaque era inevitavelmente a junção de três vocalistas e de três guitarristas, os Helloween convergiram numa força musical única como nunca se tinha visto no mundo do heavy metal.

Finalizada a tour com sucesso e distinção e deixadas de lado todas as mágoas e desavenças, foi tempo de olhar para o futuro. Era agora hora de determinar se a banda iria voltar à sua configuração base com a formação mais recente, se iria regressar à formação clássica (que nunca poderia contar com o regresso do baterista Ingo Schwichtenberg devido ao seu falecimento em 1995) ou se mantinham esta união e esta divisão de tarefas que ao vivo tão bem transformara o repertório dos Helloween numa explosão sonora ainda mais rica e feroz. A escolha recaiu sobre a última opção e o saldo não poderia ter sido mais positivo. Desde o término da Pumpkins United World Tour em 2018, os Helloween já lançaram dois aclamados álbuns de estúdio com esta formação: o álbum homónimo (2021) e o mais recente “Giants & Monsters” (2025).

Agora, a celebrar os quarenta anos da banda e do primeiro álbum “Walls of Jericho” (1985) a banda partiu novamente para a estrada para uma tour de celebração que conta com a produção mais corajosa que alguma vez apresentaram.

Beast in Black

Para tamanha celebração, os Helloween convidaram uma banda que, segundo as nossas previsões, estará nos próximos dez anos a encher arenas como o Sagres Campo Pequeno. Os Beast in Black são um dos grandes herdeiros do heavy metal dos anos 80, mas não se limitam a honrar o passado. O conceito que melhor descreve a sua sonoridade é o de metal eurovisivo, não na mesma vertente que os Electric Callboy, mas com os pontos-chave em comum: malhas explosivas, refrões orelhudos e elementos de música eletrónica a acompanhar. No fundo, é como se tivessem misturado num caldeirão uma boa dose do heavy metal tradicional dos Judas Priest, outra do power metal dos Helloween, outra do hard rock dos seus conterrâneos Lordi e por fim uma pitada de eurobeat.
Depois de se terem estreado por cá em nome próprio em 2023 com um concerto no LAV-Lisboa Ao Vivo, agora foi a vez de irem à conquista de novos fãs. Longe do que costuma ser comum para uma banda de abertura, os Beast in Black tiveram direito a uma atuação de quase 1h, mais do que suficiente para deixarem a sua marca.Temas como “Power of the Beast”, “From Hell With Love”, “Beast in Black” e “One Night in Tokyo” evidenciaram esse heavy metal, por vezes demasiado produzido e artificial, que tem ajudado os Beast in Black a trilhar o seu caminho não só dentro do espectro da música pesada, mas também a expandir-se para uma vertente sonora mais espalhafatosa e eurovisiva. Isso antecipa que, em breve, a banda reunirá um público ainda mais heterogéneo nos seus concertos.

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Helloween 

Foi com uma viagem pelas capas dos dezassete álbuns de estúdio dos Helloween que a banda entrou em palco. No fim da animação, apenas ficou a abóbora, a icónica mascote da banda, para acompanhar “March of Time” que soou como um hino não só na voz de Michael Kiske e Andi Deris, mas também na de todos os presentes que encheram o Sagres Campo Pequeno.

Na primeira aparição do guardião, o famoso “Keeper Of The Seven Keys”, fomos guiados numa nota introdutória sobre o passado, mas também com indicações sobre o que se iria passar ao longo do concerto. “The King for a 1000 Years” retomou a celebração com o primeiro épico da noite com mais de dez minutos. Numa troca acesa de solos, o destaque foi inevitavelmente para Kai Hansen, o proclamado “Pai do Power Metal”, que se chegou à dianteira da passadeira para apresentar a sua já famosa versão de “In the Hall of the Mountain King” de Edvard Grieg.

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Por esta altura já nos tínhamos apercebido de que dos três guitarristas, Michael Weikath seria o mais apático ao apresentar-se com uma postura algo frágil e com menos “fogo” nos dedos. Ainda assim, o músico, que é um dos fundadores da banda, não comprometeu e assinou uma prestação sem falhas percetíveis.

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Intercalar o passado mais longínquo com o mais recente, mas também com o presente foi o mote da setlist.  Em “Future World”, assim como em “This Is Tokyo”, não se notaram discrepâncias nos coros vindos do público, demonstrando assim, que o material que os Helloween têm vindo a compor nos últimos anos tem sido bem aceite pelos fãs.

Desde que os Helloween criaram esta formação Pumpkins United é possível comprovar um maior folgo vocal em palco. Essa é a vantagem de ter três vocalistas, algo que permite alguma rotatividade com o intuito de dar algum descanso à voz. Visto que o concerto é longo, que as músicas são exigentes e que a idade já não permite atingir uma consistência vocal de outros tempos, os Helloween fazem uso desta rotação conseguindo entregar a melhor prestação possível.

“We Burn” e “Twilight of the Gods”, a primeira com Deris na voz e a segunda com Kiske, foram o primeiro vislumbre dessa rotatividade. De seguida veio “Ride the Sky”, tema do primeiro álbum dos Helloween. Naturalmente, aqui o protagonismo foi para Kai Hansen que demonstrou que os seus agudos ainda estão bem preservados apesar dos seus sessenta e dois anos.

Ao longo do concerto Kai Hansen não usou mais nenhum modelo a não ser a sua EBG KH-40T, uma espécie de réplica da icónica ESP RV-300KH. Curiosamente, também Michael Weikath recorreu a uma série de réplicas da Gibson. O guitarrista prefere agora tocar com modelos custom da VIV Guitars nos formatos Les Paul, Flying V e um híbrido. Ainda assim, foi pena não termos revisto a sua deslumbrante Gibson Flying V Custom “Pumpkin” em ação. No lado esquerdo do palco Sascha Gerstner, também ele endorsee da VIV Guitars, alternou entre várias Pace, o seu modelo futurista. Ao seu lado esteve Markus Grosskopf que, além do seu baixo KÜRBINATOR alusivo à mascote da banda, também sacou de um Rickenbacker 4003

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Após uma secção de temas menos impactantes, mas não menos importantes como “Into the Sun”, “Hey Lord!”, “Universe (Gravity for Hearts)” e “Hell Was Made in Heaven”, foi a vez de Daniel Löble ter o seu momento de protagonismo num solo de bateria. Incansável, o músico desafiou as leis cardíacas com uma prestação irrepreensível ao longo de 2h de concerto com o seu bombo duplo frenético a ecoar por toda a arena como uma locomotiva sem travões.

Incansável, o músico desafiou as leis cardíacas com uma prestação irrepreensível ao longo de 2h de concerto com o seu bombo duplo frenético a ecoar por toda a arena como uma locomotiva sem travões.

Mas, para quem estava a seguir a setlist dos concertos anteriores, não havia outro sentimento senão o de uma grande ânsia de ouvir “I Want Out”. O tema que catapultou os Helloween para as bocas do mundo através do seu videoclip que rodou no Headbangers Ball da MTV, foi entoado por todos como um grito de libertação e de saudosismo para com uma adolescência que já lá vai.

Com a energia a extravasar, foi necessário acalmar um pouco a intensidade com um momento acústico intimista com Kiske e Deris na boca da passadeira. Numa profunda demonstração de respeito pelas eras de um e de outro, os dois músicos partiram para “In the Middle of a Heartbeat” e “Pink Bubbles Go Ape”, a primeira com Deris na voz e a segunda com Kiske, ambas acompanhadas à guitarra por Kiske. Depois, as duas vozes convergiram em “A Tale That Wasn’t Right”, com o acompanhamento à guitarra de Deris a desembocar na muralha sonora da banda.

“A Little Is a Little Too Much” e “Heavy Metal (Is the Law)”, esta última com Kai, mais uma vez, a encarregar-se da voz, deram lugar a mais uma aparição do “Keeper” para nos relembrar que num concerto dos Helloween é sempre “Halloween”. O épico de treze minutos levou-nos numa montanha russa sonora com as suas múltiplas secções repletas de virtuosismo vocal e instrumental. Sem dúvida que esta é a malha que melhor representa a essência dos Helloween, e poder testemunhá-la ao vivo, passados vinte e oito anos da sua génese, é algo verdadeiramente impactante.

Sem dúvida que esta é a malha que melhor representa a essência dos Helloween, e poder testemunhá-la ao vivo, passados vinte e oito anos da sua génese, é algo verdadeiramente impactante.

Já no encore, a euforia de “Eagle Fly Free”, a melodia de “Power” e a comicidade de “Dr. Stein” deram lugar a um derradeiro refrão, o de “Keeper of the Seven Keys”. É certo que não vimos homens de barba rija a verter uma lágrima, mas se isso tivesse acontecido, não teríamos estranhado. Mais do que a música que encerra a celebração, é o encapsular de uma banda que acompanhou muitos dos que estiveram presentes no Sagres Campo Pequeno ao longo da sua juventude e vida adulta. Para muitos, celebrar estes quarenta anos de Helloween é celebrar as memórias dos concertos no Pavilhão Dramático de Cascais, a descoberta da banda através do vinil do “Live In The U.K.”(1989), o primeiro álbum da banda a ser editado em Portugal pela EMI-Valentim de Carvalho ou a reunião da banda cuja a digressão passou pela Sala Tejo, em Lisboa, em 2018. Afinal de contas, para cada fã português de Helloween existe, pelo menos, uma memória marcante relativa à banda e este concerto acabou de registar mais uma.

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