Fender American Pro Telecaster Deluxe

Fender American Pro Telecaster Deluxe

Redacção

Com a gama American Professional, a Fender apresenta modelos novos e remodelações interessantes. A Telecaster Deluxe ShawBucker não é excepção.

2017 foi ano revolucionário na Fender. A Gama American Professional substituiu a American Standard e estreou com novas características, três novas cores e modelos Offset, num total de 16 novas guitarras e baixos. A gama American Professional permite a uma nova geração de músicos expressar-se com as características clássicas dos modelos americanos da Fender, ao mesmo tempo que possibilita a entrada numa nova era da marca. Convidámos o André Rodrigues a rodar uma das Telecasters.

SPECS

Esta guitarra em tudo se parece com uma Telecaster Deluxe de ’72, sendo a principal diferença o formato do headstock Telecaster, em vez de 70’s Strat. Com três opções de combinação de madeiras de corpo e escala e quatro acabamentos diferentes (alder/rosewood em sunburst e sonic gray, alder/maple em preto, e ash/maple em natural), foi precisamente a última opção, por tradição, a mais usada em Telecasters, a escolhida.

O braço, em maple, apresenta as características típicas de uma Telecaster contemporânea: escala de 648 mm, raio de curvatura de 241 mm, 22 trastos. E é aqui que as semelhanças terminam. Em vez do “Modern C”, a marca opta por um perfil de braço mais generoso, o “Deep C”. Também os trastos são diferentes, trocando os “Medium Jumbo” pelos “Narrow & Tall”. Por último, em lugar de uma pestana em fibra, temos uma em osso, medindo 42,8 mm de largura. O corpo, em ash, é o que esperamos numa guitarra desta gama, com um belly cutaway para maior conforto.

O hardware (com excepção da ponte “string-through-body Stratocaster hard tail”, com seis selas vintage em aço prensado), é moderno. As cravelhas são precisas, com postes de alturas compensadas, permitindo o uso de um único pré-tensor nas cordas mais finas. O truss rod, com acesso no headstock, é de dupla acção, e o encaixe do braço contém um muito útil parafuso sextavado de regulação de ângulo do braço.

O encaixe do jack é o tradicional de uma Telecaster, e esta é uma das principais falhas de design que poderia ter sido resolvida. Num instrumento moderno, para esta ordem de preços, torna-se um pouco enervante ter que lidar com um jack que não é compatível com todas as fichas do mercado e que, muitas vezes, se solta, podendo levar a seccionar os cabos que vão do próprio jack aos controlos, impossibilitando a guitarra de funcionar.

A electrónica apresenta a configuração tradicional de uma ’72 Tele Deluxe, com um selector de três posições, situado na parte superior, sobre o braço, e controlos individuais de volume e tom para cada um dos pickups. Os pickups, uma das grandes novidades da gama, são ShawBucker 1 (neck) e ShawBucker 2 (bridge), para Tele, ou seja, com capa em metal. São pickups de output baixo a médio (7,6 K e 7,8 K, respectivamente), com barras magnéticas de AlNiCo 2. Outra grande diferença é a presença de um pequeno condensador em cada potenciómetro de volume, compondo filtros de passe alto ou “treble bleed circuit”. Os acabamentos são em poliuretano brilhante no corpo e na escala (nas guitarras com escala em maple) e acetinado nas costas do braço.

SOM & PERFORMANCE

Extremamente leve e com peso bem distribuído, a guitarra é fácil de se tocar. O corpo é confortável (se bem que um “forearm contour” seria de desejar). O acabamento acetinado nas costas do braço favorece a rapidez de execução. O braço é surpreendentemente confortável, muito graças ao novo perfil que, apesar de ser um pouco mais cheio do que os seus predecessores, é mais equilibrado. É um perfil progressivo, mais estreito nos primeiros trastos, permitindo tocar todo o tipo de acordes sem esforço, e mais cheio nos últimos, para maior conforto em solos e bends. Medindo 42,8mm na pestana, a sua largura é ideal para a maioria, não havendo demasiado espaçamento entre cordas – fundamental para músicos que usam o polegar esquerdo para tocar.

O raio de curvatura da escala (241mm) é um excelente compromisso entre ergonomia nos primeiros trastos e facilidade de execução nos últimos, garantindo uma açcão consideravelmente baixa. Os novos trastos “narrow and tall” – Dunlop 6105 – são uma alteração mais que bem vinda. Fáceis de tocar, são estreitos o suficiente para uma boa entoação e altos q.b. para que se possa proceder a mais que um “fret dressing”, prolongando o prazo entre substituições.

Contudo, o ponto forte desta guitarra é a sua versatilidade. A Fender não será o primeiro fabricante que nos vem à cabeça pelos seus modelos de dois humbuckers. Possivelmente nem o segundo. Talvez por isso este instrumento é tão especial. Quem está habituado a “separar as águas” (single coils para som limpo ou overdrive e humbuckers para distorção pura e dura), não ficará indiferente à paleta de tons que apresenta.

É certo que têm um output relativamente reduzido para humbuckers, ligeiramente mais limitado do que o de uns P.A.F., mas, em contrapartida, o timbre destes ShawBuckers é desconcertantemente sublime, atrevendo-me a dizer que fazem desta guitarra o equilíbrio perfeito entre uma Tele e uma Les Paul, com o melhor que as duas têm a oferecer e nenhum dos seus reveses. Têm uma resposta muito dinâmica e “viva”, sem nunca comprimir ou “borrar” o sinal. Por outro lado, se bem que extremamente definidos, não são estridentes, têm médios e “twang” com um carácter muito, muito próprio (graças, em grande parte, às barras magnéticas em AlNiCo 2), sem lhes faltar corpo e, principalmente, sem ruído.

Os potenciómetros de volume, com treble bleed para cada um dos ShawBuckers, permitem aceder a uma paleta de sons que um único potenciómetro dificilmente poderia proporcionar, sem que estes soem baços ao reduzir o seu volume. Aliados à versatilidade dos controlos individuais de tom, esta guitarra está, portanto, tão à vontade com sons limpos como com outros mais saturados – um verdadeiro “canivete suíço”. No entanto, não deixo de pensar que ela poderia ser ainda mais versátil e equilibrada se o pickup da ponte fosse ligeiramente mais “quente” (entre 8 e 8,4 K)…

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EGITANA