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Michael Amott, Um dos 100 Melhores Guitarristas do Heavy Metal!

Michael Amott, Um dos 100 Melhores Guitarristas do Heavy Metal!

Nero

Michael Amott, fundador dos Carnage, Spiritual Beggars e Arch Enemy, que passou também pelos Carcass, numa entrevista sobre os seus modelos de assinatura Dean Guitars.

Estávamos em 2012 e os Arch Enemy preparavam-se para visitar Portugal. Cristopher Amott tinha saído recentemente da banda, entrando para o seu lugar Nick Cordle.

Nessa altura, dizia Michael Amott tudo estava a correr bastante bem. Já com digressões na Ásia e Austrália no bolso, na presença no VOA (antes do festival ter saído de Vagos). Amott acrescentava: «Não houve qualquer tipo de mudanças, ele preenche perfeitamente o lugar do Chris, faz todas as partes que o Chris tocava, é um grande guitarrista, fantástico mesmo. É um tipo impecável e os fãs receberam-no bem e espero que isso suceda com os fãs portugueses também».

Dois anos depois Cordle abandonou a banda, literalmente a meio de um concerto. Na ressaca dessa situação, Jeff Loomis acabou por juntar-se aos Arch Enemy, uma banda que tem enfrentado várias mudanças, tal como sucede no som de Michael Amott. Com os Arch Enemy de regresso ao VOA, recuperamos essa entrevista.

Tinhas um modelo de assinatura da ESP e acabaste por criar um modelo também de assinatura da Dean, como foi essa transição?
Mudei para a Dean Guitars em 2008, após quase 10 anos com as ESP, porque simplesmente senti que precisava duma mudança, de fazer algo diferente. Deparei-me com alguns modelos da Dean que apreciei bastante, especialmente o modelo do Michael Schenker [Dean Schenker Flame V] e nessa altura já conhecia pessoal na Dean Guitars que acabou por me enviar um desses modelos. Basicamente, comecei a tocar nela e gostei imenso – do som, do feeling – e quando és músico, muitas vezes segues simplesmente o teu instinto e optas por aquilo que sentes com o instrumento. Entretanto desenvolvemos o meu modelo, a Tyrant, que também é uma V, mas com algumas pequenas diferenças em relação a os outros modelos V da Dean. Construíram a minha guitarra de sonho.

Os músicos dizem sempre isso a cada modelo que vão usando, é treta ou tem a ver com evolução?
[Risos] Tem a ver com evolução, claro. O que quer que estivesse a usar há 10 anos satisfazia-me totalmente nessa altura, mas depois vais querendo características diferentes para explorar sons diferentes. Evoluis enquanto músico e o próprio equipamento vai evoluindo.

Usavas Seymour Duncan que são, tendencialmente, pickups de output médio e acabaste por mudar também neste aspecto particular, usando agora os USA DMT no teu modelo…
Uma vez mais não significa que estivesse insatisfeito com os Seymour Duncan, mas a Schenker V que me enviaram fez-me apaixonar pelo som que debitava e quando lhes perguntei que modelos de pickups eram, responderam-me que eram construídos pela própria Dean nos Estados Unidos. Então sugeriram-me que visitasse a sua fábrica na Florida onde estive à conversa com os constructores e experimentei vários modelos de pickups. Na verdade foi bastante prazenteiro, eles têm uma equipa bastante criativa e disponível a trabalhar com o artista. E poder desenvolver isso em conjunto com a própria guitarra foi bastante entusiasmante, ao invés de receber um endorse e ficar algo condicionado a soluções de pickups pré determinadas.

Quando és músico, muitas vezes segues simplesmente o teu instinto e optas por aquilo que sentes com o instrumento

E pensando nos diversos cenários em que tocas, mudas muito de rig ao vivo?
Não mudo muito, onde isso acontece mais será com os Spiritual Beggars – aí gosto de usar algo como um Phaser, um Rotovibe ou algum Chorus mais vintage. Mas na amplificação uso sempre Marshall. Não uso nada muito complicado, o que uso com os Arch Enemy é o mesmo que usei nos concertos de reunião com Carcass, até porque logo à partida as canções são diferentes, as afinações são diferentes e isso influencia e muda logo a própria sonoridade.

Como se atinge a destreza que tu demonstras na guitarra?
Nunca tive qualquer tipo de lições em nenhum instrumento. Sou 100% auto didacta. Os meus professores foram os meus discos. É daí que vim como guitarrista, roubei tudo à minha colecção de discos. Ainda hoje faço isso [risos].

Foste nomeado para a lista dos 100 melhores guitarristas da história do heavy metal, isso dá-te satisfação ou não dás importância a esse tipo de coisas?
Não me sobe à cabeça, mas é bastante lisonjeiro, especialmente quando são os fãs a votar nesse tipo de coisas – como sucedeu numa publicação japonesa em que os leitores me elegeram o melhor guitarrista de 2011. É uma distinção que obtive pela 3ª vez e é muito gratificante, pois são os fãs a reagirem ao que gravas e às tuas prestações ao vivo, significa que gostam do que ouviram. Quando consegues essa ligação através da música é muito bom, de resto não sou o melhor guitarrista que existe [risos]. Nem acredito nesse tipo de coisas, a música não pode servir para esse tipo de competição.

O meu objectivo com os Arch Enemy era criar uma banda que fosse uma boa mistura entre uma sonoridade extrema com influências de heavy metal e hard rock clássico

O som dos Arch Enemy tem vindo paulatinamente a tornar-se mais melódico e a distanciar-se mais daquilo que era o teu som em Carcass ao longo destes anos?
O som de Arch Enemy tem evoluído e penso que isso é uma coisa boa. Escrevo muita música e se o som está a ficar mais melódico eu sou o culpado, pois adoro melodia. De resto, o meu objectivo, desde o início, com os Arch Enemy era criar uma banda que fosse uma boa mistura entre uma sonoridade extrema, de riffs pesados com vozes agressivas e baterias rápidas, com influências de heavy metal e hard rock clássico, com muita harmonização nas guitarras e com solos. Com qualidade nas partes de guitarra bem ao estilo de Judas Priest, Iron Maiden ou Queensrÿche. Penso que tenho apenas prosseguido nesse caminho, apenas vais tentando reformular a música que gostas de fazer, aumentar-lhe um nível de cada vez que escreves. Não há qualquer intenção de tornar a sonoridade mais comercial, senão não teria solos de guitarra, vozes grunhidas e bombo duplo constantemente.