MQA: Revolução no Áudio Digital

MQA: Revolução no Áudio Digital

Tiago da Bernarda

Poderá o novo formato de ficheiros de áudio revolucionar o armazenamento e streaming de música?

Fala-se de uma resposta às preces dos que procuram um formato lossless audio, como o FLAC, mas não tão pesado. Na realidade, desde 2014 que existe um burburinho nos fóruns sobre um novo formato de ficheiro de áudio pequeno o suficiente para descarregar com facilidade mas sem ter que sacrificar a qualidade de som normalmente associada aos processos de compressão. Uma qualidade de som espectacular que pudesse ser suportado pelos serviços de streaming tanto no computador como num leitor portátil.

Soa a um derivado de banha de cobra, mas é uma tecnologia que tem sido desenvolvida pela Meridian Audio desde então. O MQA (Master Quality Authenticated) apresenta-se como uma revolucionária forma de compressão, cujo bandwith necessário para streaming seria semelhante ao de um CD, mas com a mesma qualidade da de estúdio.

Actualmente, serviços de streaming como o Spotify, Apple Music ou o Google Play Music estão longe de disponibilizar música em alta-resolução. Tal como a grande maioria da sua concorrência, o Spotify, que actualmente é o serviço de streaming de música mais popular, com mais de 20 milhões de assinantes que pagam pelo serviço e 50 milhões que utilizam gratuitamente, disponibiliza os seus ficheiros a uma qualidade de 256kbps, 320kbps, MP3, AAC ou Ogg Vorbis.

Quem tiver um hardware com decoder de MQA experienciará o que se tem caracterizado como um desdobramento musical

Naturalmente, quando se compacta um ficheiro, a quantidade de informação é, por si, reduzida também. É por isso que uma música em MP3 tem um som mais flat do que um WAV. Quem ouvir um ficheiro MQA num dispositivo normal, conseguirá ouvir uma qualidade ao mesmo nível da de um outro qualquer formato lossless (semelhante aos serviços de streaming de qualidade superior, como a Tidal). Por outro lado, quem tiver um hardware com decoder de MQA experimentará o que se tem caracterizado como um “desdobramento musical”. Ou seja, para além de fazer a conversão de analógico para digital, incorporará também todas as altas frequências que geralmente os nossos ouvidos não captam, mas que se sente quando se vai a um concerto ou num poderoso sistema de alta fidelidade.

Pioneer-XDP-100R

Mas essa coisa já existe? Já. A Pioneer lançou o XDP-100R, o primeiro leitor de música portátil que, com o firmware certo, terá capacidade de suportar ficheiros MQA. A própria Meridian já está a preparar vários produtos em antecipação a esta nova tecnologia. Sendo 808v6 CD player, 818v3 Reference Audio CoreExplorer 2 USB DAC os primeiros a ser anunciados. Ainda este ano, a já referida Tidal também anunciou que o seu serviço de streaming irá começar a suportar ficheiros MQA, apesar de ainda não ter uma data estipulada.

Talvez ainda seja demasiado cedo para lançar foguetes. Mas não estranharíamos se fosse um acrónimo que, de repente, estará presente nas novas gamas de hardware. Para mais informações, podem consultar o site da Meridian.

EGITANA