Peavey ValveKing II

Peavey ValveKing II

Paulo Basilio

O modelo ValveKing II combo de 20 watts em teste em vídeo.

Os modelos  ValveKing receberam uma actualização, principalmente na electrónica. Com os mesmos circuitos e funções, os novos modelos de 20 e 50 watts apenas divergem na potência e em duas válvulas. Excelente som, versatilidade e facilidade de uso.

SPECS

No frontpanel há duas entradas, para ajustar o tipo de pickups que usam. Canal Clean (onde se encontra também o comutador de canais) com Volume, Bass, Mid e Treble, sendo que não possui Gain, mas um switch de saturação, o Bright. No canal Lead, os parâmetros de EQ são os mesmo, sendo que este canal já possui o potenciómetro de Gain e dois switchs, um de Boost e mais um de Gain. No Master do amp não há potenciómetro de Volume, mas há um de Reverb e é aí que estão também os seus grandes trunfos, o blender de Damping e o da tecnologia Vari-Class, da Peavey. Um amp à séria, o ValveKing possui switch de Power e Stand By para um par de válvulas 6L6GC (duas EL84 no de 20 watts) e três 12AX7.

No backpanel temos várias possibilidades de interligações para o amp. No modelo de 50 watts há, desde logo, um selector de potência que varia entre 50 watts, 12 watts ou uns 2 watts, óptimos para tocar em casa (no de 20 watts a selecção é 20 watts, 10 watts ou 1 watt). Podemos usá-lo como combo, combo/coluna ou cabeça, com saída stereo, basta optar pela combinações de ligações que permite ou desligá-lo, removendo o jack da coluna do próprio combo. As impedâncias que podemos seleccionar são os três tipos padrão (16, 8 e 4 Ohms). Possui uma saída DI com GroundLift e um SPKR Enable, um simulador de coluna, no caso de não podermos (ou não querermos) usar micro para captá-lo – o switch de SPKR tem também a bastante útil função Defeat, como veremos em baixo. Ainda no backpanel, há um FX Loop normal e um comando de 4 conectores (dois em stereo), com o primeiro para ligar e desligar o Reverb e o FX Loop, e o segundo para seleccionar o canal e activar o Boost. Há ainda uma saída USB, tipo plug n’ play.

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SOM & PERFORMANCE

Uma mais-valia é a função Defeat, no simulador de coluna, que actua como um circuito dummy. Como sabem, os amplificadores valvulados não devem ter o Power ligado sem, por sua vez, estarem ligados à coluna, para fechar o circuito de potência. Ora, o Defeat desliga o som da coluna, mas mantém o circuito ligado, para as válvulas poderem funcionar e gravarmos, sem ouvir o som da coluna, apenas o sinal captado. Grande opção que a Peavey nos deixou nestes novos modelos. A saída USB torna o amp compatível com o Asio4All que, por seu lado, é compatível com Cubase, Pro Tools, etc., ou seja, este é um sistema verdadeiramente plug n’ play.

No início do pré temos duas entradas que nos permitem trabalhar com pickups passivos ou com activos, para não saturar logo no início o chain do amplificador. A opção de não existir Gain no canal Clean parece ser algo mais de organização do circuito e painel. Porque o Volume trabalha a saturação do som, depois o canal tem a função Bright, que serve com um primeiro boost. Em combinação com os três estágios de Gain do Canal Lead, no final temos 4 tipos de distorção e somclean. É difícil não admitir a versatilidade do amp. No canal Lead, o switch de Gain acrescenta mais uma válvula quando activado, embora, honestamente, não mude tanto assim o som, depois ainda há a possibilidade de Boost, que não só aumenta o volume, como acrescenta ataque, algo que se sente imediatamente na zona dos médios.

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Na secção Master, o reverb digital representa muito bem o papel do reverb num amp: não enrola o som! Não é reverb de molas, não é “da cena”, mas faz a “cena” que está lá para fazer. Mas então, surgem os ases do ValveKing. O Damping e o Vari-Class. A influência do Damping é extretamente notória e significativa, faz-se notar muito bem a trabalhar a reacção da zona grave da coluna. Tornando-a mais coesa e menos densa, no caso de sons limpos, ou libertando totalmente a influência da vibração da coluna, dando a sensação de mais grave no som, na distorção. O blender Vari-Class permite-nos viajar entre um circuito classe A (satura mais depressa o som) e um classe A/B, típico dos sons de heavy metal que se tornaram idiossicráticos dos Mesa/Boogie. Como são potenciómetros de blending, a sua utilização é completamente intuitiva, não precisam perceber um pingo de electrónica, basta rodarem os potenciómetros até gostarem do que ouvem.

Resumindo, trabalhando o som limpo com o Damping podemos alternar entre um som Twin’Verb ou um Bassman, por exemplo, dando-lhe mais punch e tornando-o mais seco. O Vari-Class acrescenta, realmente, um bottom end bem Mesa. Esta sensação da acção do blender nota-se bem no combo de 20 watts, depois nota-se ainda mais no de 50 watts, deixando à vossa imaginação a sua acção se optarem por ligar o ValveKing a uma 4×12, por exemplo. Se tivesse tremolo, este amp era uma coisinha perfeita. Capaz de passar da subtileza e suavidade de um amp de treino, à versatilidade de um bom amp de estúdio até se tornar uma besta de volume. Grande regresso dos ValveKing, grande amp da Peavey.

EGITANA