Isa Buzzi ao vivo no Porto: Autenticidade, talento e encanto

09/06/2025

Após a sua estreia, Isa Buzzi voltou a Portugal em 2025 para apresentar ao vivo a sua nova digressão, “Primeira Turnê 2.0”.

A cantora e compositora brasileira subiu aos palcos nacionais nos dias 7 e 8 de junho, com concertos no Hard Club, no Porto, e na Music Station, em Lisboa.

Antes do concerto vibrante e carregado de emoção no Hard Club, tivemos a oportunidade de conversar com Isa nos bastidores. De forma simpática e descontraída, falou pela primeira vez com um meio de comunicação social português.

Em entrevista à Arte Sonora, Isa Buzzi explicou que, no início, o caminho da auto-produção não foi exatamente uma escolha deliberada. Como muitos artistas em começo de carreira, sonhava com uma grande equipa e com tudo aquilo que o glamour da indústria musical promete. No entanto, sendo natural de uma cidade muito pequena, onde fazer música não era bem visto e onde se esperava que seguisse um percurso mais “normal”, viu-se obrigada a encontrar alternativas para seguir o que realmente amava. «Comecei a gravar vídeos para o YouTube, para a internet, e assim fui aprendendo os processos. Aos poucos, fui conhecendo pessoas que me incentivaram a continuar nesse formato. Então, o que começou por necessidade acabou por se tornar a minha forma preferida de trabalhar. Hoje, tudo passa por mim: cada detalhe, cada decisão tem de ter a minha cara. É o meu sonho, a minha imagem. Não faz sentido outra pessoa escolher isso por mim. E, sinceramente, é o que mais gosto de fazer.»

Isa Buzzi começou a cantar muito nova, mas quando lançou a sua primeira música, em 2019, não entrou no mundo da música como uma cantora teen. As primeiras canções que lançou, algumas ainda incluídas na sua atual digressão, não foram feitas para um público jovem. Isa conta que é curioso ver que muita gente acha as suas letras complexas e inteligentes, e pergunta-se como é que raparigas de 13 anos se ligam a elas. «A resposta é simples: eu nunca escrevi para uma rapariga de 13 anos. Escrevo sobre aquilo que vivo, o que sinto, a minha história. Por ser muito jovem, e por ter tido uma adolescência diferente da maioria, ainda estou a descobrir-me – e partilho isso nas músicas. Acho que essa honestidade é o que cria ligação com esse público mais jovem. Nunca foi uma estratégia.»

Sobre o futuro, Isa quer continuar a crescer com o seu público, que considera “incrível” e o melhor que existe. O carinho que recebe dos seus fãs mais novos é único, e não encontra nada igual entre os adultos. Por isso, não pensa em mudar de público ou em “renovar” os fãs, mas sim em amadurecer com eles. À medida que as suas músicas evoluem, acredita que eles vão crescer ao seu lado e continuar a acompanhá-la.

Isa Buzzi já conta com um público em Portugal, sobretudo entre os mais jovens. Quando questionada sobre o que os fãs podem esperar do seu concerto no país, explicou que está a iniciar um novo ciclo na sua carreira. Ainda vê muito espaço para crescer e expandir o seu trabalho em Portugal. Acredita que muitas crianças e adolescentes portugueses ainda não a conhecem, mas que vão conectar-se com o que está a preparar.

A artista partilhou que tem recebido mensagens muito bonitas de fãs, como raparigas que vieram aos seus concertos este ano porque colegas da escola que foram ao espetáculo do ano passado lhes recomendaram. Para Isa, isto mostra o quanto este público se comunica, influencia e partilha, o que considera “muito bonito”.

Sobre a ligação com a música portuguesa, a artista confessou que ainda não conhece muito, mas que sempre que vem a Portugal procura aprender mais, não só sobre a música, mas sobre a cultura em geral.

«Confesso que ainda não conheço muito, mas sempre que venho procuro aprender um pouco mais, não só da música, mas da cultura no geral. Já descobri artistas incríveis, como a Bárbara Tinoco, que adorei ouvir. Senti que tem tudo a ver com aquilo que eu faço. Cada vez que venho a Portugal, quero conhecer mais e mais. Quem sabe até fazer um feat com um artista português no futuro?»

Num tempo em que músicas geradas por inteligência artificial e produções digitais tendem a dominar o panorama musical, seria natural esperar que os novos artistas seguissem essa onda para conquistar fãs e alcançar o sucesso. Mas esse não foi o caminho escolhido por Isa Buzzi, natural de Jaraguá do Sul, uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, algo que ela faz sempre questão de destacar.

Longe dos lugares-comuns da sua geração, Isa aposta numa arte crua e inventiva, com fortes influências do rock, da MPB e do pop, aliadas a letras confessionais que exploram temas como o empoderamento, a vulnerabilidade e as relações humanas. Com essa fórmula, conquistou mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais e afirma-se, com mérito, como a nova sensação da música no seu país de origem — e, cada vez mais, também em Portugal.

Já está na sua segunda digressão em terras lusas — embora esta seja uma espécie de versão “2.0” da mesma tour que a trouxe por cá em 2024, também marcada por salas esgotadas. Desta vez, os palcos são maiores e a adesão do público, agora com ainda mais fãs portugueses, acompanha essa evolução. A fila à porta do Hard Club era longa, dominada por um público infantojuvenil entusiasmado. Muitos vinham acompanhados pelos pais, que à primeira vista pareciam meros acompanhantes — mas, uma vez lá dentro, dançavam e cantavam todas as músicas.

O que se viu no concerto do Porto, foi ao mesmo tempo inspirador e surpreendente. Um concerto com alma rock, mas com nuances de reggae, R&B, MPB e pop moderno. A banda que acompanha Isa é coesa e envolvente, com destaque para o guitarrista e backing vocal Marcos Bohrer, muito celebrado pelo público.

Com um repertório cativante, Isa entrega um espetáculo que une sucessos autorais como “Direitos Autorais”, “Carente” e “Obcecada a versões poderosas de clássicos de nomes como Rita Lee e Amy Winehouse. A sua interpretação de “Fico Assim Sem Você”, de Claudinho e Buchecha, emocionou a sala. No final do concerto, não foram raras as lágrimas entre os presentes.

Isa Buzzi revela-se não só como uma artista talentosa, simpática e muito dedicada, mas também como uma jovem com os pés assentes na terra e uma visão clara do caminho que quer seguir. Pelo que se viu no Porto, esse caminho passa cada vez mais pelos palcos portugueses.