killswitch engage c ines barrau

Killswitch Engage no Lisboa Ao Vivo, Passados Vinte e Três Anos o Fogo Ainda Arde

Review

Killswitch Engage
10/10
Fit for an Autopsy
9/10
Decapitated
8/10
Employed To Serve
8/10
Som
9/10
Ambiente
10/10
Overall
9.0/10
Strength of the Mind
Rose of Sharyn
Reckoning
Aftermath
Numbered Days
This Is Absolution
No End in Sight
Broken Glass
Hate by Design
Forever Aligned
The Signal Fire
I Believe
The Arms of Sorrow
In Due Time
This Fire
My Curse
The End of Heartache
My Last Serenade

Após mais de duas décadas da sua primeira passagem por Portugal, os veteranos do metalcore Killswitch Engage regressaram, finalmente, ao nosso país para encerrarem a maldição. Para a celebração deste reencontro a banda trouxe ainda consigo os Employed To Serve, Decapitated e Fit For An Autopsy, três pesos pesados da nova e velha guarda do metal.

Quando os Killswitch Engage surgiram na cena em 1999 não tardou para que fossem automaticamente incluídos no movimento da NWOAHM (New Wave of American Metal), juntamente com nomes como Lamb of God, Shadows Fall, All That Remains e Unearth. Cunhado por Mark Hunter, vocalista dos Chimaira, em 2001, o termo NWOAHM tinha como objetivo descrever toda uma vaga de bandas que estavam a surgir e cuja sonoridade se distanciava dos subgéneros mais disseminados: o thrash metal, o death metal e o black metal. Desta forma, com o surgimento da NWOAHM, novas nomenclaturas para novos subgéneros começaram a ser difundidas, como foi o caso do metal alternativo, do nu metal, do groove metal, do metal industrial e do metalcore. Ora, segundo as convenções sonoras, os Killswitch Engage encaixavam no último, mais precisamente num sub-subgénero denominado metalcore melódico que dava ênfase a riffs e a refrões repletos de melodia. Foi com essa fórmula que os Killswitch Engage conseguiram criar desde cedo uma porta de entrada para muitos fãs de metal que procuravam nas melodias uma via menos penosa para entrar no mundo da música pesada.

Poucos anos depois da sua génese e ainda antes de explodirem em 2004 com “The End of Heartache”, os Killswitch Engage fizeram a sua estreia em Portugal, no Paradise Garage, em 2002, à boleia da Roadrunner Roadrage Tour, uma tour organizada pela sua editora, a Roadrunner Records, e que também trouxe no cartaz 36 Crazyfists e Five Point O. Depois dessa tour seguiu-se o período de maior sucesso da banda com o lançamento do álbum já mencionado e com “As Daylight Dies” (2006), certificado pela RIAA como disco de platina. Porém, sem saber-se muito bem o porquê, Portugal acabou por cair no esquecimento no roteiro das tours da banda. Com o passar dos anos parecia que estávamos perante uma espécie de maldição sem fim à vista, até que, passados vinte e três anos, eis que surgiu o anúncio do tão esperado regresso destes veteranos do metalcore a Portugal. Cientes desta oportunidade única, os fãs acorreram aos bilhetes e acabaram por esgotar o LAV – Lisboa Ao Vivo para experienciar uma noite repleta de emoção e de regresso a um passado saudoso.

Employed To Serve 

Os britânicos Employed To Serve foram os primeiros a subir ao palco da sala 1 do LAV- Lisboa Ao Vivo. Seguindo a crescente vaga de bandas de metalcore com vocalistas femininas, a banda tem em Justine Jones o seu grande trunfo. Ao longo de trinta minutos, os Employed to Serve estrearam-se agora em Portugal, sintetizando o seu mais recente trabalho “Fallen Star”(2025) com particular destaque para as malhas “Atonement”, que conta com a colaboração de Will Ramos dos Lorna Shore, e “Whose Side Are You On?”, um feat. com Jesse Leach dos Killswitch Engage, mas que infelizmente não contou com a sua participação no concerto. Com growls robustos, Jones comandou o público e recebeu o selo de aprovação através das muitas “caretas” que foram surgindo ao longo dos breakdowns.

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Decapitated 

Veteranos do death metal europeu e presença assídua nos palcos portugueses, os Decapitated regressaram novamente a Lisboa para assinalar mais uma prestação muito competente. Agora com o guitarrista e líder da banda “Vogg” de regresso em exclusivo à banda, após uma breve passagem pelos Machine Head, os Decapitated estão novamente a ganhar tração. Sem novo álbum à vista, a setlist passou pelos seus dois mais recentes trabalhos, “Anticult” (2017) e “Cancer Culture” (2022), com uma exceção, “Speheres of Madness” do velhinho “Nihility” (2002). Numa sessão de headbang avassaladora, a banda agarrou o público do princípio ao fim com os circle pits a não darem tréguas ao longo de todo o concerto. O vocalista Eemeli Bodde, o membro mais recente da banda, mostrou-se já profundamente entranhado nas dinâmicas em palco e nos guturais exigentes que a música dos Decapitated requer.

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Fit for an Autopsy

Nos últimos cinco anos, o deathcore tem passado por uma das fases mais proliferas de sempre. Bandas como Lorna Shore, Paleface Swiss e Left to Suffer têm quebrado as fronteiras do deathcore tradicional ao fazerem a ponte com outros subgéneros como o nu metal ou o metal sinfónico. Os Fit for an Autopsy também o fazem de forma exemplar e na sua estreia em Portugal foram recebidos por um público conhecedor e que há muito aguardava ver a banda ao vivo, provando assim o seu estatuto de suporte direto aos cabeça de cartaz. Sem grandes rodeios, a receita para o concerto foi simples, servir growls cavernosos e breakdowns avassaladores num curto espaço de tempo. Com Joe Badolato a comandar o palco essa missão foi extremamente bem sucedida. Na setlist apresentada surgiram temas mais progressivos como “Lower Purpose” e “The Sea of Tragic Beasts” e outros que recorrem a refrões melódicos, como “Hostage” e “Savior of None / Ashes of All”. Desta forma, houve espaço para agradar aos amantes do mosh pit, mas também a todos aqueles que não dispensam um bom singalong.

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Killswitch Engage 

«Na primeira vez que viemos cá, o Jesse tinha acabado de sair da banda. Então viemos com outro vocalista. Quem sabe na próxima não teremos outro vocalista», disse o guitarrista Adam Dutkiewicz num tom cómico em jeito de pedido de desculpas pelo tempo que os Killswitch Engage demoraram para regressar a Portugal. Tudo isso virou águas passadas no preciso momento em que a banda entrou em palco para desferir “Strength of the Mind”. A ânsia de compensar o tempo de ausência era colossal e o público demonstrou-o através dos refrões que foram cantados em plenos pulmões.

Em palco o tempo parece ter parado para a banda, pois todos os músicos apresentaram-se numa forma soberba, com particular destaque para o cuidado vocal de Jesse Leach e para o ataque feroz na guitarra desse padrinho do metalcore que é Adam D, e que em palco se transforma numa espécie de desportista de alta competição sempre de um lado para o outro com um outfit que inclui roupa desportiva, uma headband e uma joelheira elástica. Mais discretos, mas não menos incisivos, estiveram também o guitarrista Joel Stroetzel, o baixista Mike D’Antonio e o baterista Justin Fowley, que compõem uma formação quase intocável desde 2003.

Com uma carreira a roçar os trinta anos, os Killswitch Engage conseguiram transportar para cima do palco uma verdadeira retrospetiva de quase todo o seu catálogo, tendo ficado apenas a faltar uma passagem pelo seu álbum de estreia homónimo (2000). Ainda assim, a promoção do novo trabalho “This Consequence” (2025) em nada ofuscou os clássicos que todos tencionavam ouvir. Já a distinção entre a fase Jesse Leach e a fase Howard Jones não foi sequer tema de discussão. Temas como “Rose of Sharyn” e “Reckoning” gravados pelo segundo não perdem nada ao vivo na voz de Leach, aliás até parecem ganhar mais pujança, particularmente nos refrões onde a voz mais “operática” de Jones dá espaço para o timbre mais limpo, mas ligeiramente, arranhado de Leach.

Prova de que os Killswitch Engage não estão estagnados no processo criativo e que continuam a desferir riffs e refrões orelhudos são os temas do mais recente “This Consequence”.

«A vossa cidade é linda. Tive tempo para passear e ir ouvir fado», disse Leach a meio do set numa demonstração de carinho para com os fãs portugueses. A resposta veio na forma de singalong em malhas como “Numbered Days” e “No End in Sight”, dois momentos da setlist que fugiram ao festim de singles.

No que diz respeito ao gear em cima do palco, identificámos alguns instrumentos de fabricantes que não fazem parte do tradicional big 4 de marcas associadas ao metal (Jackson, ESP, Schecter e Dean). Adam D não largou a sua Caparison TAT-Special com humbuckers custom-designed Caparison PH-Rm e SH-27FC, já Joel Stroetzel deu primazia a uma Caparison Dillinger JSM V2 Joel Stroetzel Signature com pickups Fishman Fluence, por sua vez Mike D’Antonio não largou o seu Ibanez Reverse Iceman em silverburst com pickups Seymour Duncan SPB-1 e SJB-2.

Prova de que os Killswitch Engage não estão estagnados no processo criativo e que continuam a desferir riffs e refrões orelhudos são os temas do mais recente “This Consequence”. “Forever Aligned” e “I Believe” obedecem à mesma receita de tantos outros singles e ao vivo têm a resposta que merecem. No LAV- Lisboa Ao Vivo foi palpável a boa receção que o novo álbum teve entre todos os fãs, os da velha guarda e os que só começaram a ouvir a banda neste ciclo.

Mas, “despachado” o material mais recente, eis que estava na hora da jogada de milhões, uma sequência de clássicos em catadupa para gáudio de todos os fãs. “The Arms of Sorrow” e “In Due Time” aqueceram as gargantas para os maiores singalongs da noite, primeiro com “This Fire”, essa descoberta musical juvenil que muitos fizemos enquanto assistíamos aos combates de wrestling da WWE, e depois com “My Curse”, a malha que catapultou os Killswitch Engage para o estrelato. Já “The End of Heartache” antecipou a despedida com a apropriada “My Last Serenade”. Sem direito a encore, a banda despediu-se dos fãs sem promessas, mas, a julgar pela receção calorosa, será certamente inevitável que Portugal faça parte do próximo roteiro europeu dos Killswitch Engage.

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