24 NOT TODAY credit Moni Haworth
(c) Moni Haworth

Kim Gordon está de volta com o seu terceiro álbum a solo, “Play Me”

14/01/2026

Kim Gordon regressa com “Play Me”, um novo desafio entre arte, ruído e urgência política.

A visão de Kim Gordon sobre arte e ruído tornou-se mais nítida ao longo de quatro décadas, afirmando-se como um paradigma de possibilidades que continua a soar como um desafio permanente. Essa aventura prossegue agora com “Play Me”, o terceiro álbum a solo da artista, com lançamento marcado para 13 de março pela Matador Records.

O primeiro avanço, “NOT TODAY”, já se encontra disponível e surge acompanhado por uma curta-metragem realizada por Kate e Laura Mulleavy, fundadoras da marca de moda Rodarte, com direção de fotografia de Christopher Blauvelt. Na canção, Gordon explora uma tensão poética na voz, assumindo uma abordagem diferente, como a própria explica: «comecei a cantar de uma forma que não cantava há muito tempo, saiu esta outra voz.»

Para o vídeo, Kim Gordon decidiu vestir um vestido em tule de seda tingido à mão, proveniente de uma coleção inicial da Rodarte e feito à medida pelas Mulleavy.

“PLAY ME” apresenta-se como um disco destilado e imediato, alargando a paleta sonora de Gordon a batidas mais melódicas e à pulsação motorik do krautrock. A colaboração com o produtor Justin Raisen, conhecido pelo trabalho com Charli XCX, Sky Ferreira ou Yves Tumor, volta a ser central. «Queríamos canções curtas, fazer tudo muito rápido, é mais focado e talvez mais confiante», explica Gordon, sublinhando a importância do ritmo e da compreensão profunda que Raisen tem da sua voz e da sua forma de trabalhar.

Depois de “No Home Record”, em 2019, que cruzou avant-rap e footwork, e de “The Collective”, em 2024, um disco mais pesado e arrojado que lhe valeu duas nomeações para os Grammy, Kim Gordon aprofunda agora uma reflexão sobre os danos colaterais da classe bilionária. Em “PLAY ME”, surgem temas como a erosão da democracia, o fascismo tecnocrático, a inteligência artificial e a forma como a cultura é achatada por um ambiente de distração constante. Apesar do olhar atento sobre o exterior, trata-se de um álbum profundamente interior, onde a carga emocional pulsa em temas físicos e inquietos, recusando respostas fechadas.

«A coisa que mais me influenciou foram as notícias, estamos numa espécie de “pós-império”, onde as pessoas simplesmente desaparecem», Kim Gordon

Canções como “No Hands” refletem a imprudência do clima social, “Subcon” ironiza a atomização da vida na era das plataformas, enquanto “Square Jaw” aponta à masculinidade tóxica associada a Elon Musk. Em “Dirty Tech”, a artista questiona a dependência total da tecnologia e os impactos ambientais da inteligência artificial, levantando dúvidas sobre um futuro onde até o próximo chefe poderá ser um chatbot.

PLAY ME
1. PLAY ME
2. GIRL WITH A LOOK
3. NO HANDS
4. BLACK OUT
5. DIRTY TECH
6. NOT TODAY
7. BUSY BEE
8. SQUARE JAW
9. SUBCON
10. POST EMPIRE
11. NAIL BITER
12. BYEBYE25!

“Busy Bee” distorce um excerto de uma conversa de Gordon com a sua companheira de banda nos Free Kitten, Julia Cafritz, durante uma aparição mediática nos anos 90, transformando o diálogo em guinchos agudos, com Dave Grohl na bateria, para expor sentimentos que soam surpreendentemente contemporâneos, «a pressão para relaxar era simplesmente excessiva para ela». Em “ByeBye25” reinventa a faixa de abertura de “The Collective”, com nova letra adaptada a partir da lista de palavras banidas por Trump, termos que a administração assinalou para cancelar pedidos de bolsas e projetos de investigação. As palavras vão de «they/them», «climate change» e «uterus» a «bird flu», «peanut allergy» e «tile drainage».

A faixa-título sobrepõe nomes de playlists do Spotify a uma batida trip-hop. «Rich popular girl / Villain mode / Jazz in the background / Chilling after work». «As coisas são rotuladas de forma a tentar prever o teu estado de espírito antes de o teres. Acho isso interessante e, ao mesmo tempo, profundamente ofensivo», explica Kim Gordon.

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