born of osiris 2

Born of Osiris, Destruição sob a Forma de um Power Trio

Review

Born of Osiris
8/10
Ingested
7/10
Entheos
6/10
The Voynich Code
6/10
Som
7/10
Ambiente
7/10
Overall
6.8/10
Open Arms to Damnation | Bow Down | Elevate | A Mind Short Circuiting | Divergency | White Nile | Empires Erased | In Desolation | Through shadows | Ascension | Torchbearer | Abstract Art | Brace Legs | The war that you are | Rosecrance | Machine |

Desfalcados de uma unidade, e em formato trio, os Born Of Osiris estrearam-se em Lisboa para um concerto demolidor onde não faltou a fusão entre o metalcore progressivo e a eletrónica.

Popularizados nos anos 60 e 70, os power trio são formações musicais, extremamente eficientes, que deixam de lado a formação clássica em quarteto/ quinteto presente no panorama rock/ metal (com um vocalista principal, segundo guitarrista e/ou teclista) para “reduzir” e repartir funções por apenas três músicos – um guitarrista, um baixista (geralmente um dos dois é também o vocalista) e um baterista. Grupos como os Cream, Rush, The Police e Motörhead definiram este formato e comprovaram a sua funcionalidade com o guitarrista a desempenhar a função de lead e ritmo e o baixista a dobrar o ritmo nas secções solísticas.

Ora, devido à saída repentina, a meio da tour, do guitarrista Lee McKiney, os Born of Osiris tiveram que se reinventar com a apresentação de uma formação em power trio, ainda que provisória, com Nick Rossi a repartir as suas funções entre guitarrista ritmo e solo e a ocupar-se da programação, tarefa essa que estava a cargo do teclista Joe Buras, que saiu da banda em 2024.  Quanto ao vocalista Ronnie Canizaro e o baterista Cameron Losch, estes mantiveram as suas funções.

Mas já lá vamos ao concerto de Born of Osiris

The Voynich Code/ Entheos/ Ingested

Com uma formação renovada, e praticamente irreconhecível para quem acompanha a banda há largos anos, os The Voynich Code representaram o contingente nacional com o seu deathcore técnico. Com apenas André Afonso a constar da formação original, a banda agora apresenta-se como um projeto luso-internacional com dois elementos, Jack Higgs na guitarra e Jack Kinsey na voz, a trazerem uma nova dinâmica para a banda. Num fechar de ciclo, o concerto do LAV também serviu para a derradeira despedida do vocalista Nelson Rebelo. Longe de deslumbrar os fãs que acompanham a banda desde o início, o concerto cingiu-se aos lançamentos dos últimos dois anos, deixando de fora qualquer material do primeiro EP “Ignotum” (2015) e do álbum de estreia “Aqua Vitae” (2017).

Comandados por uma “bruxa” com guturais e berros para dar e vender, os Entheos estão ali na fronteira entre uma banda de deathcore e de death metal técnico, apelando por isso às duas facções de ouvintes. O constante crescimento de vocalistas femininas no espectro do metal continua a dar frutos e Chaney Crabb é prova disso mesmo. A frontwoman da banda californiana enfeitiçou-nos a todos com os seus graves demoníacos e pig squeals penetrantes. A juntar-se a ela esteve uma banda competente, bastante representativa da qualidade dos músicos que encontramos nas sonoridades mais progressivas.

Do progressivo seguimos para o slam, género também conhecido como brutal death metal. Cortesia dos Ingested, fomos brindados por uma chacina de riffs, breakdowns e uma bateria em modo metralhadora que não deu descanso a todos os que estavam no mosh pit. Aqui não interessa, propriamente, entender a letra ou entoá-la em voz alta, mas sim apenas e só a violência da música e o despertar de um comportamento tribal controlado como resposta a esse estímulo violento. Nesse aspeto, os Ingested cumpriram com o seu propósito na perfeição, deixando certamente em Lisboa alguns novos fãs.

Born of Osiris

Foi então em formato de power trio, e ainda à procura de guitarrista, que os Born of Osiris se apresentaram em Lisboa. Com nomes como Jason Richardson e Tosin Abasi nos seus quadros, certamente que a fasquia se encontra muito elevada para qualquer que seja o nome do próximo guitarrista da banda.

A decisão mais fácil seria cancelar o resto da tour, afinal de contas o anúncio da saída de Lee foi feito sensivelmente a meio da tour. Mas, com a velha máxima que o espetáculo deve continuar, os Born of Osiris não deram a parte fraca e mantiveram o seu calendário firme. Fruto das novas tecnologias e de algumas sessões com faixas pré-gravadas a correr ao vivo em DAW, certamente que também não foi difícil criar várias faixas com algumas guitarras ritmo.

Quanto à escolha da setlist para esta tour, essa foi deveras interessante, com a banda a optar por centrar-se igualmente nos dois polos que marcam o início e o presente da sua carreira discográfica. Seis temas a surgirem do seu EP de estreia “The New Reign” (2007) e mais seis a serem retirados de “Through Shadows”, o seu próximo álbum de estúdio que só será editado a 11 de Julho de 2025, definiram a maior parte do concerto.

Com uma precisão metronómica, Nick Rossi e Cameron Losch comandaram o headbang constante ao longo da 1h15m de concerto, enquanto Ronnie Canizaro vociferou por cima de riffs djenty extremamente afiados e padrões de bateria quase autómatos. 

Da pedrada inicial com “Open Arms to Damnation” até “Machine” não houve tempo para conversas de circunstância. Com uma precisão metronómica, Nick Rossi e Cameron Losch comandaram o headbang constante ao longo da 1h15m de concerto, enquanto Ronnie Canizaro vociferou por cima de riffs djenty extremamente afiados e padrões de bateria quase autómatos. 

A crueza de temas como “Bow Down”, “Ascension”, “Abstract Art”, “Brace Legs” e “Rosecrance” apresentou-se num ponto de equilíbrio com o trabalho mais refinado e produzido de temas como “Elevate”, “Divergency”, “White Nile” e “Through Shadows”, onde a componente eletrónica foi potenciada por um sequenciador tocado por Nick Rossi, que também nunca largou a sua Kiesel DC600.

Longe de estar uma casa cheia, afinal de contas o concerto decorreu a uma terça-feira, é de enaltecer o destaque que a Prime Artists tem vindo a dar ao metalcore e aos seus derivados na sua programação anual. Acompanhando a renovação de públicos e as novas correntes sonoras, é possível perceber que existe efetivamente toda uma geração de fãs de música pesada que não só corresponde à chamada, mas que também vê com bons olhos a presença de Portugal nos roteiros das grandes bandas de core.

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