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Iron Maiden, Uma Celebração dos Anos Dourados da Besta

Review

Voz
9/10
Banda
9/10
Som
8/10
Ambiente
10/10
Overall
9.0/10
Murders in the Rue Morgue
Wrathchild
Killers
Phantom of the Opera
Powerslave
The Clairvoyant
2 Minutes to Midnight
The Number of the Beast
Rime of the Ancient Mariner
Run to the Hills
Seventh Son of a Seventh Son
The Trooper
Hallowed Be Thy Name
Iron Maiden
Aces High
Fear of the Dark
Wasted Years

O mote da tour “Run For Your Lives” é o 50º aniversário da banda, mas foi com uma setlist recheada de clássicos da sua época dourada (1980-1992) que os Iron Maiden regressaram a Portugal para mais um concerto esgotado. Na apresentação do novo baterista Simon Dawson, a banda mostrou-se numa forma soberba com um espetáculo pautado por um conjunto de projeções imersivas.

Se pedirmos a qualquer fã de Iron Maiden para nos identificar os anos dourados da banda, certamente que a resposta será 1980-1992. Este é o período que se situa entre o álbum de estreia homónimo, com Paul Di’Anno na voz, e o álbum “Fear of the Dark”, o último trabalho com o vocalista Bruce Dickinson antes da sua saída da banda em 1993. Claro que depois disso há registos que também têm um lugar de destaque na discografia da banda, como é o caso de “Brave New World” (2000), álbum que marca o regresso de Dickinson, assim como do guitarrista Adrian Smith, que tinha saído após a tour de “Seventh Son of a Seventh Son” (1988), ou então “The Book of Souls” (2015), o álbum que marcou o regresso de Dickinson a estúdio, depois de este ter sido submetido à remoção de um tumor na língua.

Mas, este período dourado não é de todo o mote da tour “Run For Your Lives” que os Iron Maiden têm rodado na estrada, mas sim a celebração do seu 50º aniversário. Desta forma, o mais interessante teria sido a apresentação de temas das várias décadas de carreira, mas, para gáudio dos fãs do repertório mais antigo, o que saiu foi mesmo uma fornada de clássicos uns atrás dos outros, sem que houvesse espaço para qualquer tipo de estranheza em relação às composições mais recentes.

A juntar-se à festa vieram os suecos Avatar, uma banda de metal que combina teatralidade com peso e melodia, com o intuito de proporcionar um espetáculo cativante a todos aqueles que desconheciam a sua proposta artística.

Avatar 

Sem os truques todos que costumam apresentar nos seus concertos, onde geralmente constam modelações de balões, uma performance de trombone algo caricata e um espetáculo de marionetas humanas, os Avatar trouxeram à MEO Arena apenas um cheirinho do seu metal circense. 

Através de temas como “Dance Devil Dance”, “The Eagle Has Landed”, “Bloody Angel”, “Smells Like a Freakshow” e “Hail the Apocalypse”, os fãs mais tradicionais dos Iron Maiden, pouco habituados a estas sonoridades mais extremas, receberam uma demonstração do death metal melódico/metal alternativo e da teatralidade que compõem as performances dos Avatar.

Apesar da agressividade sonora, os fãs old school conseguiram encontrar pontos de convergência com nomes como Alice Cooper ou King Diamond e demonstraram apreço para com a entrega da banda de Johannes Eckerström. Para os curiosos que ficaram com vontade de ouvir e ver mais, o circo dos Avatar vai voltar a assentar arraiais em Portugal em Fevereiro de 2026.

Iron Maiden

Foi com projeções de vários espaços emblemáticos e simbólicos que marcaram o percurso inicial da banda que os Iron Maiden deram início ao concerto. Do pub Cart and Horses, onde deram os primeiros concertos, ao número 22 da Acacia Avenue, uma referência à malha de “The Number of the Beast” (1982), foram muitos os fãs que captaram as referências antes de “Murders in the Rue Morgue” explodir no PA. Respeitando a cronologia discográfica, os primeiros quatro temas invocaram a era Paul Di’Anno. Apesar da sua sonoridade mais punk, a voz de Bruce encaixa cada vez melhor nestas malhas. A troca da aspereza de Di’Anno por uma interpretação mais melódica e robusta somou pontos em “Wrathchild”, “Killers”, esta com a primeira aparição de Eddie em palco, e ainda em “Phantom of the Opera”.

«Em Madrid tocámos para 55 mil pessoas, mas aqui queríamos algo mais intimista, como se fosse um clube. Consigo ver toda a gente», referiu Bruce sobre esta tour que tanto tem passado por estádios, como também por arenas e por festivais. Já com o intuito de despistar o elefante na sala, Dickinson também não perdeu tempo em apresentar o baterista Simon Dawson, o único que teve direito a essa honra. A ausência do sorriso contagiante de Nicko McBrain, assim como do seu estilo frenético, fizeram-se sentir. É certo que Dawson tem-se safado nestes últimos meses, mas ainda precisa de algum tempo para se entrosar com a banda.

Na MEO Arena já sabemos que o som é sempre um problema, mas, do nosso lugar (ficámos posicionados na plateia, de frente para o array esquerdo do PA, a cerca de 10/15 filas das grades), conseguimos ouvir as guitarras, tanto lead como ritmo, de forma percetível, assim como a voz. Talvez o que tenha ficado mais para trás tenha sido mesmo o baixo de Steve Harris, geralmente bastante presente na mistura.

Num salto até ao Antigo Egipto, “Powerslave” e “2 Minutes to Midnight” trouxeram um cheirinho da histórica “World Slavery Tour”, que deu origem ao mítico álbum ao vivo “Live After Death”. Já a percorrer todas as pontas do palco, incluindo as plataformas traseiras e laterais, Bruce mostrou toda a sua energia jovial não só em termos vocais mas também de movimentos. Vale a pena lembrar que estamos a falar de um jovem que vai fazer 67 anos dentro de um mês.

No que diz respeito ao gear em palco tanto Steve Harris como Dave Murray e Janick Gers não fugiram ao seu equipamento tradicional composto por um Fender Steve Harris Precision Bass MN, uma Fender HHH Dave Murray Stratocaster, e várias Fender Custom Shop Stratocaster, todas elas com configurações bastante particulares ao nível dos pickups. Já Adrian Smith mostrou maior variedade. Além das suas Jackson San Dimas Dinky de assinatura, Adrian ainda foi ao “cofre” buscar a sua Lado Earth, famosa por aparecer no vídeo ao vivo de “Live After Death” e a sua Ibanez Explorer, utilizada na gravação de “The Number of the Beast”.

Num momento de descontração em que Bruce se encontrava a beber algo de um cantil, rapidamente se levantaram alguns aplausos. Mas, sabendo o que os fãs estavam a pensar, o vocalista tratou logo de brincar com a situação. «Isto devia ser uma boa garrafa de vinho do Porto. Sabem que fizemos um vinho dos Iron Maiden?», disse Dickinson numa alusão ao vinho do Douro que resultou numa parceria com a Van Zeller Wine Collection. «Mas isto não é vinho, nem whisky. É água.»

Numa ameaça tripla, “Aces High” levou-nos até aos ares, “Fear of the Dark” deu-nos a possibilidade de entoar em coro mais uma linha de guitarras e, a fechar, “Wasted Years” relembrou-nos que enquanto os Iron Maiden cá andarem estaremos sempre a viver nos anos dourados do heavy metal.

Interações à parte, mais à frente em “The Clairvoyant” e “Number of the Beast”, Steve Harris teve finalmente espaço para deixar o seu baixo respirar e sobressair. Porém, a segunda acabou por ficar prejudicada por algumas deficiências que não conseguimos perceber se foram vocais ou técnicas. Isto porque durante o último verso deixou-se de ouvir totalmente a voz de Bruce. Terá sido um lapso do vocalista, uma falha nos in-ears ou um problema na transmissão de som do PA? Não sabemos, mas o incidente voltou a repetir-se mais à frente em “Aces High”.

Aguardada por muitos, “Rime of the Ancient Mariner” foi a verdadeira jóia da setlist. O épico que faz parte de uma lista restrita de temas da banda que ultrapassam os dez minutos, como é o caso de “The Red and the Black” e “Empire of the Clouds”, já não era tocado ao vivo desde 2009. Com uma componente visual assente numa epopeia marítima, a sua performance ganhou uma carga ainda mais triunfal.

Já disfarçada entre os clássicos “Run To The Hills” e “The Trooper”, esta com a aparição de mais um Eddie, surgiu “Seventh Son of a Seventh Son” a proporcionar um segundo momento de grandes níveis de epicidade. É certo que a bridge resfriou os ânimos, mas a secção final voltou a soltar uma explosão de euforia que se manteve ao longo de “Hallowed Be Thy Name” e “Iron Maiden”.

Se o concerto tivesse terminado por aqui, certamente que ninguém sairia chateado da MEO Arena, tal foi a mão cheia de clássicos que os Iron Maiden foram buscar ao baú. Mas, a história dos cinquenta anos ainda não tinha entrado no seu desenlace. Numa ameaça tripla, “Aces High” levou-nos até aos ares, “Fear of the Dark” deu-nos a possibilidade de entoar em coro mais uma linha de guitarras e, a fechar, “Wasted Years” relembrou-nos que enquanto os Iron Maiden cá andarem estaremos sempre a viver nos anos dourados do heavy metal.

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