No dia após as celebrações do 25 de Abril, os suecos Graveyard e os portugueses Miss Lava apresentaram-se no LAV para nos levar numa viagem sónica psicadélica repleta de solos bluesy e riffs de “partir a cabeça“.
Presença constante em Portugal, os Graveyard são o exemplo ideal daquilo a que chamamos de banda de culto. Sem grande disseminação internacional, pouca expressão no digital e com concertos, geralmente, em salas com uma capacidade inferior a 1000 pessoas, a banda sueca tem mostrado que nem sempre são precisos grandes números para construir uma carreira estável e com uma base de fãs bastante fiel. Com uma discografia constante e pouco inventiva, os fãs sabem sempre que têm ali um porto seguro musical quando vão em busca da sonoridade retro característica do quarteto de Gotemburgo.
Após nos terem visitado já quase no fim do ciclo de promoção de “Peace” (2018), agora foi a vez de regressarem na reta final de “6” (2023), numa mini tour ibérica, com o suporte a ficar a cargo de bandas locais. Em Lisboa, esse lugar foi ocupado pelos incontornáveis Miss Lava, nome cimeiro do stoner rock em Portugal.
Miss Lava
Com um novo álbum na bagagem, intitulado “Under a Black Sun”, os Miss Lava apresentaram-se no LAV revigorados e em formato quinteto, com a inclusão de Hugo Jacinto (Dollar Llama). Já com uma sala muito bem composta, a banda atirou-se de cabeça ao novo trabalho na primeira metade do set com temas como “Dark Tomb Nebula”, “Woe Warrior” e a faixa-título a soarem com muita pujança. Com algumas adversidades técnicas ultrapassadas nos primeiros instantes, particularmente no microfone de Johnny Lee, notou-se claramente que a banda estava a divertir-se à brava.
Com Hugo Jacinto a partilhar funções de guitarrista com Rafael Ripper, o som dos Miss Lava ganhou toda uma nova paleta dinâmica. As malhas mais antigas “In The Arms of the Freaks” e “Doom Machine” soaram mais encorpadas e com nuances bastante interessantes. Já na retaguarda, o baixo de Ricardo Ferreira e a bateria de Pedro Gonçalves estiveram sempre pulsantes e a proporcionar aquele drive bem marcante na música da banda. Com 45 minutos de atuação bem cronometrados, os Miss Lava abandonaram o palco, mas deixaram alguma água boca para este novo ciclo que agora começa e, certamente, que uma nova passagem por Lisboa já estará nos planos da banda.
Graveyard
Após um intervalo de 30 minutos, foi a vez dos Graveyard voltarem a brindar o público português com uma noite de muito blues rock psicadélico. É certo que toda aquela fornada de bandas de blues rock americanas provenientes do sul dos EUA nos anos 70, cujo género é denominado de southern rock, não dispõe de muita expressão na Europa. Mas, é curioso ver que existe toda uma cena nórdica, com pozinhos psicadélicos, que tem proliferado e muito no continente europeu. Falamos de grupos como Witchcraft, Blue Pills, The Vintage Caravan e, claro, os Graveyard, que têm levado avante este género que apresenta muitos fãs num circuito semi-underground.
Com “6” ainda a rodar nos dedos dos Graveyard, a banda subiu ao palco do LAV para apresentar três temas novos. O resto foi mais do mesmo rock psicotrópico e baladas bluesy que tanto nos colocam com alucinações, como nos tocam fortemente nos sentimentos. Da novidade “Twice” à paradoxal “Uncomfortably Numb”, os Graveyard desfilaram um set que mais pareceu uma longa jam session de 1h, onde as pausas foram quase inexistentes, assim como as falas para com o público. Com Joakim Nilsson a alternar, em várias ocasiões, as funções de vocalista com o baixista Truls Mörck, os Graveyard cunharam um concerto estruturado em momentos sucessivos de uma descarga sónica avassaladora que, ao fim de quatro/cinco faixas, culminavam num abrandamento sustentado por uma/duas baladas. A transição de “Cold Love” e “Please Don’t” para “Breathe In Breathe Out” e “Slow Motion Countdown” ilustraram bem essa opção performativa.
Sem segredos no que diz respeito ao gear, os Graveyard continuam a manter-se fiéis à simplicidade de conectar uma Gibson a um Marshall e um Rickenbacker a um Ampeg. Joakim Nilsson com a sua ES-330 ligada a um JCM, Jonatan Larocca-Ramm com uma Les Paul Standard Goldtop e um Plexi e Truls Mörck com um 4003 ligado a um SVT CL, continuam a mostrar que nada supera o som quente do equipamento analógico.
Com a chegada ao encore surgiram “Walk On“, “Ain’t Fit to Live Here” e “The Siren“, uma sequência de temas que levantou as vozes dos fãs mais acérrimos dos Graveyard. Com mais uma atuação cumprida em solo português, a banda saiu de palco fugazmente com um claro “até já“. Afinal de contas, um regresso de Graveyard a Portugal numa futura tour é mais que uma certeza.











































































