Liza Minnelli

“Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História” nos cinemas portugueses

07/01/2026

Realizado por Bruce David Klein, o documentário oferece um retrato abrangente de Liza Minnelli, cruzando carreira, bastidores e momentos decisivos de uma das artistas mais reconhecidas do século XX.

“Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História”, com realização de Bruce David Klein, estreia a 29 de janeiro de 2026 em Lisboa, Gaia, Setúbal, Leiria e Santarém e propõe um retrato profundo, rigoroso e contemporâneo de uma das figuras mais marcantes do entretenimento do século XX.

Construído a partir de arquivo raro, entrevistas e análise crítica, o documentário cruza carreira, bastidores e momentos decisivos da vida de Liza Minnelli, revelando tanto a dimensão pública do ícone como a disciplina, a resiliência e a consciência histórica de uma criadora que sempre foi exigente com o seu próprio legado. Para Klein, essa exigência ficou clara num momento determinante do processo, quando Minnelli lhe disse «Bruce, não ponhas nada falso no filme. Não me faças parecer falsa», uma afirmação citada pela Associated Press a 31 de março de 2025 e que orienta toda a abordagem do filme.

Filha do realizador vencedor de Óscar Vincent Minnelli e da lendária Judy Garland, Liza cresceu sob o olhar constante da imprensa e do público. «Nasci e tiraram-me uma fotografia», diz a artista, resumindo o que foi viver desde cedo entre flashes, comparações e expectativas desmedidas. O documentário revisita as primeiras memórias, os anos de formação e as perguntas implacáveis que marcaram o início da sua carreira, desde as inevitáveis comparações com a mãe até às dúvidas cruéis sobre a sua aparência e legitimidade como estrela.

“Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História” centra-se depois nos anos 1970, período simultaneamente deslumbrante e complexo que se segue à morte de Judy Garland. É aí que Liza enfrenta desafios pessoais e profissionais decisivos, num percurso que a conduz do talento bruto e da herança pesada ao estatuto de lenda. Ao longo desse caminho, procura e encontra mentores fundamentais como Kay Thompson, Fred Ebb, Charles Aznavour, Halston e Bob Fosse, figuras que a ajudam a moldar uma identidade artística madura, sofisticada e inconfundível.

O filme acompanha a conquista do cinema, com títulos como “Cabaret”, “New York, New York” e “Arthur”, da televisão, com especiais como “Liza with a Z”, dos grandes palcos de concerto, do Carnegie Hall ao Radio City, e da Broadway, com “The Act”, “Chicago” e “Liza’s at the Palace”. A sua influência ultrapassa a música e o teatro, estendendo-se à moda, à noite, à arte e à cultura popular. Pelo caminho, Liza Minnelli acumula um Óscar, um Emmy, quatro Tonys e um Grammy, consolidando um estatuto inegável de lenda viva.

Entre os clips, havia conferências de imprensa esquecidas. Ao observarmos uma Liza jovem a desviar perguntas de enxames de jornalistas insistentes, intrigaram-nos não só as respostas dela, mas também as perguntas. Muitas eram expectáveis (“Como foi crescer na sombra da sua mãe?”), mas havia verdadeiros “choques”. Um destacou-se: um jornalista mordaz pergunta, de forma seca, “Como se sente quando a chamam feia?” Ficámos atónitos. Ali estava Liza, com vinte e poucos anos — bonita, sensual, sofisticada, urbana, encantadora — uma super-estrela que acabara de conquistar o entretenimento (numa sequência rápida: Óscar de Melhor Atriz por “Cabaret”, Emmy por “Liza with a Z” e críticas arrebatadoras para uma série de concertos históricos) — e era isto que lhe perguntavam? Isso despertou a minha curiosidade para perceber o que estava por trás dessa questão e de outras semelhantes. Como era Liza percecionada então, no auge da carreira — e como reagiu a essas perceções?
Bruce David Klein

Na nota de intenções, Bruce David Klein explica que o ponto de partida do documentário foi a descoberta de imagens inéditas de meados dos anos 70, quando Liza era a “IT girl”. Entre conferências de imprensa esquecidas e perguntas hoje chocantes, como «Como se sente quando a chamam feia?», o realizador encontrou a chave para compreender as contradições que moldaram a artista, entre privilégio e luta, força e vulnerabilidade, expectativas irreais e talento colossal. É dessa fricção que nasce o retrato de uma intérprete singular, cuja resiliência e originalidade garantem um lugar duradouro na história do espetáculo.

“Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História” vai ser exibido no Cinema City de Alvalade e nos Cinemas UCI.

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