Shawn Mendes Graziela Costa 5332

MEO Arena 2025: O coração português de Shawn Mendes

Review

Voz
10/10
Banda
10/10
Ambiente
10/10
Som
8/10
Overall
9.5/10
There's Nothing Holdin' Me Back | Wonder | Treat You Better | Monster | Lost in Japan | Isn't That Enough | Heart of Gold | Señorita | Ruin | Never Be Alone | Mercy | Youth | Stitches | It'll Be Okay | If I Can't Have You | Why Why Why | In My Blood |

Shawn Mendes voltou à estrada depois de, em 2022, ter cancelado uma digressão e ter-se ausentado dos holofotes para cuidar da sua saúde mental. Às vezes é preciso saber parar para depois regressar com força renovada.

Após um silêncio de cerca de dois anos, em que se afastou da ribalta para cuidar de si e da sua saúde mental e para reencontrar o rumo da sua música, o artista luso-canadiano Shawn Mendes regressou para um novo capítulo na sua carreira. O resultado desse período de introspeção é “Shawn”, o seu quinto álbum de estúdio, um trabalho marcado pela honestidade lírica e por uma sonoridade mais intimista. Esse renascimento artístico trouxe-o de volta à estrada, com a digressão mundial “On The Road Again” que passou por Lisboa, a 28 de Agosto, e esgotou a MEO Arena numa noite em que os fãs portugueses celebraram não apenas as canções que já conheciam de cor, mas também o regresso de um artista renovado e mais próximo do público. Há alturas em que parar é o único caminho para reencontrar a energia de recomeçar.

A entrada na maior sala de concertos do país fez-se ao som de Lubiana, que trouxe o empoderamento feminino para cima do palco, apenas na companhia de um kora, instrumento musical tradicional da África Ocidental, outrora reservado exclusivamente aos homens. A artista belga, com raízes nos Camarões, fez questão de mostrar o orgulho que sente em ser mulher e em quebrar essa tradição. No seu curto set apresentou alguns temas do seu novo álbum, “Terre Rouge”.

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Depois de Lubiana, seguiu-se a portuguesa Maro. «Descobri a música da Maro há alguns anos e ela tornou-se imediatamente uma das minhas artistas favoritas», disse Shawn Mendes sobre a artista. Mais tarde, tornaram-se também bons amigos, pelo que não houve qualquer tipo de estranheza quando Mendes anunciou que a convidou para integrar a sua nova digressão europeia.

Assim que subiu ao palco, sob uma forte ovação, o sorriso de Maro iluminou a MEO Arena e não mais saiu do seu rosto. Juntamente com excelentes músicos em palco, deslumbrou com temas como “Just Wanna Forget You”, “Can You See Me?”, “Kiss” e “Love Is Not Too Big”. O tamanho da Arena retira algum do intimismo que os concertos de Maro pedem, e entre a sua voz característica, ouvíamos as reclamações de quem via o lugar ocupado e o burburinho da dança de cadeiras. Ainda assim, é sempre um prazer ouvir e ver Maro em palco e apesar do tamanho da sala, o público soube acarinhá-la e participar no concerto, ora com luzinhas de telemóveis, ora com coros de palmas.

Já na reta final, Maro avisou que “Saudade” ficaria de fora do alinhamento, optando por tocar o tema “We Love in Silence”, com um arranjo algo diferente do álbum, mas igualmente certeiro. De certeza que o público perdoou e não se importou de não ouvir “Saudade”.

Ainda se ouvia “On the Road Again” nas colunas, clássico de Willie Nelson que dá nome à nova digressão de Shawn Mendes, quando a plateia se levantou e nunca mais se sentou. Por isso, torna-se difícil compreender a decisão de este concerto ser sentado.

E se o sorriso de Maro iluminou a MEO Arena, o de Shawn Mendes não lhe ficou atrás. Logo no primeiro tema, “There’s Nothing Holdin’ Me Back”, era quase impossível ouvir a voz de Mendes, tal era o ensurdecedor coro dos fãs. E já se sabe que é assim, este público sente cada nota, cada acorde, como se fosse a última vez que os fossem ouvir. Vêm para participar e não apenas assistir: cantam, gritam, dançam, pulam, choram e registam os seus momentos preferidos com o telemóvel. Não querendo ser velhos do Restelo, por vezes só gostaríamos de ouvir uma música sem o coro de vozes, mas a verdade é que a música ao vivo é para ser sentida e vivida.

Em “Treat You Better” conseguimos confirmar que ao vivo, Shawn Mendes não é só mais uma cara laroca fabricada pela indústria da música pop. Mendes canta e muito e enquanto guitarrista revela-se bastante competente, seja na guitarra eléctrica como acústica.

Em Lisboa, o artista apresentou um espetáculo de produção minimalista, mas eficaz, com alguns efeitos de pirotecnia discretos e sempre de bom gosto, sem cair no exagero. Já com a t-shirt nº 21 de Diogo J., passou-se para um set semiacústico e intimista, com os músicos em semicírculo, onde ouvimos os belos temas “Isn’t That Enough” e “Heart of Gold”. Antes de interpretar esta última, Shawn partilhou o significado da canção: a perda de um amigo e as emoções vividas durante o luto. A sua interpretação foi vulnerável e comovente, conseguindo silenciar por momentos o “caos” da sala.

Rapidamente, o concerto regressou ao estilo de arena com “Señorita”. A partir daqui, ora com a banda, ora sozinho com as suas guitarras na frente da língua de palco, Shawn Mendes continuou o espetáculo com temas como os mega-êxitos “Mercy” e “If I Can’t Have You”, assim como “Youth”, “Stitches” ou “Ruin”. Tivemos direito a tudo o que se poderia esperar: descidas à plateia para se aproximar dos fãs, oferta da bandeira de Portugal, coros afinados, dança de luzes e chuva de confettis. Ao vivo e com uma banda exemplar, os temas de Shawn Mendes engrandecem graças à escolha dos arranjos, como aqueles que ouvimos em “It’ll Be Okay”.

Os haters podem dizer o que quiserem, mas Mendes é músico, no verdadeiro sentido da palavra… e dos bons!

A pausa na carreira de Mendes não fez qualquer mossa na relação com os seus fãs. Não há momentos mortos ou menos intensos, e o público reage praticamente com a mesma energia, seja um clássico ou uma nova música, como em “Why Why Why”. Pelo palco, há ainda tempo para transmitir mensagens bonitas e de esperança, com Shawn a afirmar que se orgulha da sua geração e que acredita que as novas gerações têm o poder de escolher o amor em vez do ódio, assim como palavras e alertas sobre o genocídio em Gaza. Mendes partilhou ainda o orgulho que sente em ser português e como se sente em casa quando está em Portugal. O público, claro, retribui cada palavra em dobro, e é difícil a Shawn conter a emoção. A despedida fez-se em grande com “In My Blood”.

Shawn Mendes faz parte da nova geração de músicos que mostram que a música pop pode ser bem feita, com bons arranjos e uma mensagem bonita, sem recorrer a artifícios que tentem mascarar a falta de talento, nem permitir que a imagem, os outfits ou produções gigantescas se sobreponham à música. Os haters podem dizer o que quiserem, mas Mendes é músico, no verdadeiro sentido da palavra… e dos bons! Com carisma e uma energia que nos relembram porque tem sido uma potência da música pop há mais de uma década, e com uma humildade genuína que se sente em cada gesto e contacto com os fãs.

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