No segundo dia do festival celebrou-se a lusofonia ao som de Criolo, Amaro Freitas & Dino D’Santiago.
O Dia da Lusofonia celebra-se a 5 de Maio, mas Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago arranjaram forma de festejá-lo mais do que uma vez por ano. No seu novo projeto conjunto, a união pela língua é enaltecida através da articulação de ritmos e melodias que cruzam o atlântico, numa viagem pelo Brasil, Cabo Verde e Portugal. Do frevo à morna, do baião ao funaná, passando pelas origens do fado enquanto dança de influência afro-brasileira e ainda pelo rap e jazz, tudo se funde num álbum multicultural profundamente rico na sua linguagem de fusão.
Gravado entre Lisboa, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, o projeto surge agora nos palcos para também aproximar o público desses laços tão estreitos que existem entre países que partilham a mesma língua. Após a sua apresentação no Primavera Sound do Porto, coube agora a Lisboa testemunhar esta união.
Em palco os três músicos juntaram-se numa espécie de tertúlia musical, certamente reminiscente daqueles serões vividos por Dino no mítico Tejo Bar, esse espaço de efervescência da música lusófona. Da experimentação vivida em estúdio criou-se um espaço de entendimento profundo entre as diferentes linguagens musicais miscigenadas, que se transpôs para o palco através do excelente entrosamento que os três músicos partilham entre si.
Em uníssono e com um pôr do sol divinal a iluminar o Palco Sagres, fomos embalados com a poesia «teu sorriso amanhecer, nosso amor no entardecer e anoitecer no teu beijo» antes de “Esperança” colocar um ponto final naquele que para nós foi um dos melhores concertos desta edição do festival.
Embora o repertório seja partilhado na primeira metade do concerto sentiu-se uma maior presença da voz de Dino na passagem por temas como “E Se Livros Fossem Líquidos”, “Mama AFRIKA” e “Seka”. Sempre constante, Amaro foi quem segurou a base instrumental do concerto com o seu virtuosismo, demonstrando uma polivalência inata para percorrer os caminhos sinuosos da música africana, brasileira e latina, mas sempre com um dedinho no jazz e na música clássica. Já Criolo arrecadou maior protagonismo a partir de “Ela é Foda”, tema que é apontado como a génese catalisadora de todo este projeto. Num piscar de olho ao seu material a solo, o músico fez ainda as delícias dos fãs com a interpretação de “Não Existe Amor Em SP” e “Subirusdoistiozin”, dois momentos que casaram na perfeição com o restante material.
“Anoitecer”, talvez o momento mais memorável do concerto, trouxe o público para junto do trio para cantar aqueles que, segundo Dino, são alguns dos versos mais bonitos da autoria de Criolo. Em uníssono e com um pôr do sol divinal a iluminar o Palco Sagres, fomos embalados com a poesia «teu sorriso amanhecer, nosso amor no entardecer e anoitecer no teu beijo» antes de “Esperança” colocar um ponto final naquele que para nós foi um dos melhores concertos desta edição do festival.