MEO Kalorama 2026 | Peaches: Como Ela, Somos Livres
(c) Inês Barrau

MEO Kalorama 2026 | Peaches: Como Ela, Somos Livres

02/09/2026

Review

Peaches
9/10
Som
8/10
Ambiente
7/10
Overall
8.0/10
Hanging Titties
Fuck Your Face
Slippery Dick
Panna Cotta Delight
Flip This

Light in Places
AA XXX
Operate
I Mean Something
Fuck How You Wanna Fuck
Not in Your Mouth None of Your Business
Grip
You’re Alright
Boys Wanna Be Her
Take It
Fuck the Pain Away
No Lube So Rude

A artista libertina regressou ao MEO Kalorama para agitar os dogmas de um mundo cada vez mais apodrecido. Explícita, despudorada e reivindicativa, Peaches demonstrou, mais uma vez, que a resignação não está nos seus planos.

Para aqueles que são apanhados de surpresa, como geralmente acontece neste contexto de festivais, um concerto de Peaches pode ser à partida uma experiência intensa e até confusa. A artista canadiana, que navega pelos caminhos musicais do electroclash e do electropunk, é tudo menos contida na sua performance teatral, roçando até o desconforto e o bizarro. Mas, tudo é feito em nome de uma causa maior. Peaches não se apresenta em palco apenas e só para chocar. A artista tem uma visão muito clara do seu papel enquanto mensageira de ideais políticos antifascistas, anti-sionistas e de suporte aos direitos LGBTQ+ e é nestes grandes palcos que consegue espalhar a sua mensagem perante um público mais vasto.

MEO Kalorama 2026 | Peaches: Como Ela, Somos Livres

O concerto em si apresenta-se como uma performance enérgica e dançável envolvida em batidas eletrónicas. Porém, o espetáculo que a artista transporta para o palco está longe de se aproximar de um simples concerto de música eletrónica. Mais do que a música, é a atitude punk que guia a sua narrativa libertina.

Mais do que a música, é a atitude punk que guia a sua narrativa libertina.

De regresso aos álbuns passado mais de uma década, “No Lube So Rude” (2026) foi o grande motor do concerto do MEO Kalorama com temas como “Hanging Titties”, “Fuck Your Face”, “Not in Your Mouth None of Your Business” e “Take It” a suportarem as palavras de ordem “Gay for Palestine”, “Trans Rights Now” e “Queer the Rich” que ostentou nas suas camisolas, isto quando não estava com um traje a simular a sua nudez. Das encenações em palco a ação passou para o público, com a artista a deixar-se cantar enquanto rebolava e caminhava sobre cabeças. Aliás, se depois disto ainda existissem reservas em relação à atitude punk de Peaches, essas foram dissipadas quando surpreendeu tudo e todos ao chamar Brendan Yates dos Turnstile para cantar “Fuck the Pain Away”, num dueto que não estava certamente na nossa lista de bingo para 2026.

A fechar com “No Lube So Rude”, Peaches deixou a sua performance justificar a presença num palco dominado por sonoridades mais pesadas e menos teatrais. A irreverência do seu alinhamento, aliada a uma postura agitadora, demonstrou que o lugar da artista é em qualquer palco que tenha a ousadia de arriscar numa artista que, após 25 anos, continua a não ter medo de ser livre.