MEO Kalorama 2026 | Robbie Williams, A Lição de Entretenimento do Grande Showman
(c) Inês Barrau

MEO Kalorama 2026 | Robbie Williams, A Lição de Entretenimento do Grande Showman

Review

Robbie Williams
9/10
Banda
9/10
Som
9/10
Ambiente
8/10
Overall
8.8/10
Let Me Entertain You
Let Love Be Your Energy
Rock DJ
Pretty Face
Love My Life
Supreme
Sexed Up / Candy
Relight My Fire (Take That Cover)
Something Beautiful
Millennium
Theme From New York, New York (John Kander Cover)
Personal Jesus / 9 to 5 / We Will Rock You / Jolene / YMCA / Just can't get enough / Hey Jude
Kids
She's the One (World Party Cover)
My Way (Paul Anka Cover)
Feel
Angels

Sem papas na língua, mas com profunda devoção para com a arte de estar em cima do palco, Robbie Williams encerrou o 1º dia do MEO Kalorama 2026 com uma ode ao entretenimento.

«É bom que vocês sejam espetaculares porque eu sou fenomenal!», soltou Robbie “Fucking” Williams logo após a sua entrada em palco, estabelecendo à partida os parâmetros egóicos que iriam pautar a sua performance. Apesar de não ser considerado um pecado mortal, o ego, quando em excesso acaba por estar muitas vezes ligado às noções de soberba. Na indústria do entretenimento, e particularmente da música, quando exacerbada pode levar a uma certa cegueira por parte do artista, transformando-se, nalguns casos, numa arrogância insuportável. O mundo música está cheio de exemplos, e no cenário português temos um bem destacado. Porém, o ego pode também ser canalizado para retirar de um artista/performer o melhor rendimento possível, seja em estúdio ou ao vivo e é deste ponto de vista que parte precisamente Robbie Williams. Como referiu numa entrevista dada a um canal de televisão português antes de subir ao palco: «Levo os espetáculos muito a sério e respeito o público. Eles pagaram para me ver e tenho de lhes proporcionar, pelo menos, um espetáculo tão bom como o último.»

Foi com este mindset que Robbie subiu a palco para iniciar o espetáculo com o cartão de visita “Let Me Entertain You”. Desde logo, percebeu-se que o artista britânico não se preocupara apenas e só com a dinâmica do espetáculo. Sendo ele o foco de toda a performance, o músico continua a fazer questão de se apresentar em palco, agora com 52 anos, numa excelente forma física e vocal, dois aspetos que podem parecer completamente naturais, mas que contribuem e muito para esse tal comprometimento que tem para com os seus fãs.

Sendo ele o foco de toda a performance, o músico continua a fazer questão de se apresentar em palco, agora com 52 anos, numa excelente forma física e vocal, dois aspetos que podem parecer completamente naturais, mas que contribuem e muito para esse tal comprometimento que tem para com os seus fãs.

Para um concerto num festival, que por norma quer-se mais corridinho, Robbie Williams trouxe para cima do palco do MEO Kalorama todo o tempo do mundo para interagir com os fãs, seja através de partilha de histórias de vida ou de desafios à memória musical daqueles que acompanham a sua carreira desde os tempos dos Take That. Após “Let Love Be Your Energy” foi essa a dinâmica do concerto até ao fim. Dar aos fãs aquilo que eles queriam ouvir foi também o mote de Robbie ao longo de toda setlist, deixando de lado a obrigação de apresentar o novo álbum “Britpop” (2026), que surgiu de mansinho na forma de “Pretty Face”. Afinal, o músico já não precisa de lançar álbuns para justificar uma tour. Desde que continue a apresentar espetáculos cativantes e visualmente faustosos como aquele que apresentou na Bela Vista, os fãs estarão certamente dispostos a revisitar os clássicos.

 

Dos momentos onde invocou a sua persona de sex symbol como em “Rock DJ” e “Kids” aos episódios de maior vulnerabilidade como “Love My Life”, dedicada aos quatro filhos, surpreendentemente, segundo o próprio, todos da mesma mulher, e “My Way”, uma dedicatória ao pai que também serviu para passar em revista a sua vida de excessos e sucessos através de um álbum fotográfico áudio-visual, Robbie mostrou que a vida mais vagarosa e familiar é aquela que mais lhe preenche nos tempos que correm.

Já o passado com os Take That também não foi esquecido, com o artista a mandar uma boca inofensiva a Gary Barlow por ter ocupado o lugar da voz principal em “Relight My Fire”. No palco do MEO Kalorama, o músico quis mostrar como teria sido o tema se a sua voz constasse na fileira da frente e recebeu uma grande ovação.

De seguida a interpolação de “I Will Survive” de Gloria Gaynor abriu espaço para uma série de homenagens encaixadas estrategicamente na apresentação da talentosa banda que acompanha a estrela pop na estrada. Fugindo ao clichê de apresentar simplesmente o nome do músico seguido de uma pequena demonstração aleatória. Robbie e a sua banda aproveitaram este momento para para passar em revista alguns dos maiores clássicos da música rock, disco e country. “Personal Jesus” e “Just Can’t Get Enough” dos Depeche Mode, “We Will Rock You” dos Queen, “Y.M.C.A.” dos Village People e “Hey Jude” dos The Beatles vergaram-se perante as passagens por “9 to 5” e “Jolene” de Dolly Parton numa sentida homenagem a uma artista que segundo Robbie «(…) era adorada por todos

Já na reta final, a sua veia de romântico veio ao de cima quando escolheu uma fã para cantar “She’s the One” em jeito de serenata. A felizarda, de seu nome Isabel, acabou por revelar-se como aniversariante levando a que um coro de vozes se juntasse para cantar em uníssono a canção tradicional. Para o encore, “Feel” e “Angels” invocaram um Parque da Bela Vista estrelado com milhares de luzes de telemóveis a iluminar e a captar o momento, enquanto a voz de Robbie se fundia com as dos fãs naquele que foi o mais bonito e impactante singalong da noite. 

Na despedida, o artista comprovou que as suas expectativas estavam certas. Perante um público fenomenal, o músico não teve outra opção senão curvar-se. O compromisso de entregar «(…) um espetáculo tão bom como o último» ficara assim cumprido.