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(c) Teresa Mesquita

MEO Marés Vivas: O Blues de Marcus King, o rock nacional dos Xutos & Pontapés e as lendas vivas Scorpions

O primeiro dia do MEO Marés Vivas 2025 foi uma verdadeira ode aos clássicos do rock.

Em plena Praia da Madalena, no antigo parque de campismo, um dos mais bonitos palcos naturais do país tornou-se cenário de uma noite memorável, onde a história da música foi celebrada com intensidade, alma e muita emoção.

Antes do espectáculo final, o público foi brindado com actuações que só elevaram a fasquia da noite. O talentosíssimo Marcus King e a sua banda provaram que o blues continua a pulsar com força e autenticidade. Com solos precisos e uma voz arrebatadora, King ofereceu uma performance inesquecível.

Seguiram-se os veteranos Xutos & Pontapés, que incendiaram o palco com hinos como “Homem do Leme”, “À Minha Maneira”, “Não Sou o Único”, entre outras músicas como “Salve-se Quem Puder”, “Superjacto” e “Privacidade”. Apesar de um alinhamento mais curto, a ligação ao público foi instantânea, e não era de esperar outra coisa. As t-shirts da banda estavam por todo o lado, e muitos já davam o bilhete por bem gasto só com esta actuação.

Mas o auge da noite ainda estava para chegar. Com 60 anos de carreira, os Scorpions já não têm nada a provar. Já actuaram nos quatro cantos do mundo, de La Paz a Tóquio, do Rio a Moscovo, de Las Vegas a Sidney, e no dia 18 de Julho voltaram a Portugal, país onde já deram mais de 25 concertos. Desta vez foi no Porto, diante de uma plateia calorosa e completamente rendida. Quando soaram os primeiros acordes de “Coming Home”, ficou claro que estávamos prestes a viver algo mesmo especial.

O alinhamento foi um desfile impecável de hinos do hard rock: “Make It Real”, “Send Me an Angel”, “Wind of Change”, “Still Loving You”, “Big City Nights” e, claro, o encore explosivo com “Blackout” e “Rock You Like a Hurricane”. Cada tema foi recebido com entusiasmo genuíno por um público que sabia bem o que esperar, e mesmo assim reagia como se fosse sempre a primeira vez.

Um dos momentos mais marcantes do concerto foi protagonizado por Mikkey Dee, o que também já não surpreende, desde que o ex-Motörhead se juntou à banda. O seu solo de bateria foi muito mais do que uma simples pausa: tornou-se um verdadeiro espectáculo dentro do espectáculo, um turbilhão de técnica e energia. Ele quase que funciona como motor da banda, uma força bruta que enche cada compasso com uma precisão impressionante.

E Klaus Meine? Apesar de sentir o peso dos anos, inevitável para quem canta quase duas horas noite após noite, continua a ser a alma da banda. Em “Still Loving You”, a emoção sobrepôs-se a qualquer limitação vocal. A sua entrega é total, sustentada por companheiros de palco como Rudolf Schenker, Matthias Jabs e Pawel Maciwoda, cuja química em palco é evidente e poderosa.

Entre o público, encontrava-se Lucas Braga, jovem fã da banda, que assistia ao seu terceiro concerto dos Scorpions, depois do Rio de Janeiro, em 2019 e Lisboa em 2024. Para ele, o que mais se destacou foi «a eficiência, a coesão e a regularidade da performance. Eles sabem exactamente o que estão a fazer e fazem-no de forma quase cirúrgica. É impressionante ver como mantêm a mesma força e entrega ao longo dos anos, em qualquer palco do mundo.»

No palco, o espectáculo foi encerrado com chave de ouro: o icónico escorpião gigante ergueu-se imponente por detrás da bateria, iluminado e ameaçador, como guardião do legado da banda. Foi o símbolo perfeito para uma noite que misturou poder, nostalgia e uma ligação quase sagrada com o público.

Alguns fãs talvez tenham sentido falta de temas mais obscuros ou de surpresas no alinhamento, afinal, tratava-se de um concerto em homenagem aos 60 anos da banda. Mas num festival, onde a diversidade do público é regra, os Scorpions acertaram ao focar-se nos seus maiores sucessos. Foi uma verdadeira lição de como dominar um palco, mesmo após seis décadas de estrada.

A noite de 18 de Julho não foi apenas mais um dia com concertos, foi uma celebração de gerações, um lembrete de que o rock continua bem vivo, e que há lendas que, mesmo que um dia se calem, já deixaram marcas profundas no coração de quem teve o privilégio de as ver ao vivo.

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