Oumou Sangare 3

MIMO Portugal celebra 10 anos com Tricky, Oumou Sangaré, Daddy G e Zé Ibarra entre os grandes destaques

06/05/2026

MIMO Festival Celebra 10 anos de presença em Portugal e anuncia chegada a Guimarães.

No momento em que Guimarães é Capital Verde Europeia e em que o MIMO assinala uma década de presença em Portugal, o festival chega ao berço da nação e, logo no início do verão, promete uma edição especial, à medida, com uma programação irresistível, abrangente… e de acesso gratuito — ou não fosse a acessibilidade uma das marcas do MIMO.

Durante o MIMO Guimarães há cultura em toda a cidade: nas ruas, nos parques, nas igrejas e em vários espaços icónicos do seu património edificado. Nesta primeira edição, o festival sobre à colina e instala o palco principal no Campo de São Mamede. Mas a festa chega também ao Paço dos Duques de Bragança, à Igreja de São Domingos, à Igreja de São Francisco, à Igreja da Oliveira, ao Largo Condessa do Juncal, ao Largo de S. Tiago, ao Largo Cónego José Maria Gomes e ao Museu de Alberto Sampaio, onde tudo vai estar a postos para acolher os habitantes da cidade, de todas as idades e de todos os gostos… e quem escolher visitar a cidade por esses dias.

O MIMO acontece em duas etapas: Festival MIMO de Cinema, de 27 de junho a 2 de julho, e MIMO Festival, de 3 a 5 de julho.

Com a curadoria sempre em diálogo entre linguagens e territórios, o Festival MIMO de Cinema transforma o Largo Condessa do Juncal, no centro histórico de Guimarães, numa grande sala de cinema ao ar livre. Com entrada livre, as sessões decorrem de 27 de junho a 2 de julho, reunindo uma programação internacional dedicada à música enquanto expressão artística, social e política, com 10 filmes entre longas e curtas-metragens, incluindo obras em estreia ou ainda inéditas em circuito comercial.

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A programação percorre diferentes territórios da criação musical, reunindo retratos de artistas e movimentos culturais. Entre os destaques, estão “The Blind Couple from Mali”, de Ryan Marley, sobre Amadou & Mariam, “Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui”, de Mini Kert, e “A Noite de Alaíde”, de Liliane Mutti, que revisita o percurso de Alaíde Costa — também presente no festival —, além de “Da Lata 30 Anos”, de Paulo Severo, sobre Fernanda Abreu, aprofundando o diálogo entre cinema e música ao vivo.

Integram ainda a seleção obras como “Filhos do Meio – Hip Hop à Margem”, de Luís Almeida, e “Macaléia”, de Rejane Zilles, ao lado de propostas experimentais como “Isso é Kuduro”, de Indira Mateta, e “As Aventuras do Angosat”, de Resem Verkron e Marc Serena. No campo internacional, destaca-se “NOVA ‘78”, de Aaron Brookner e Rodrigo Areias, que reúne figuras como William S. Burroughs, Patti Smith e Frank Zappa, reforçando o posicionamento do MIMO como plataforma de circulação de obras de grande relevância artística.

Alguns dos artistas presentes no ecrã integram também a programação de concertos ao longo do fim de semana seguinte, reforçando o diálogo entre cinema e música e afirmando o MIMO como um espaço de cruzamento entre linguagens, tempos e experiências.

Já o MIMO Festival, que acontece de 3 a 5 de julho, apresenta uma programação musical que reúne artistas de mais de dez países e atravessa géneros, épocas e linguagens — da música clássica à música antiga, das expressões contemporâneas aos sons africanos e da diáspora, do pop à eletrónica. Ao longo de mais de 50 atividades, o festival propõe uma experiência imersiva em que uma parte significativa dos artistas se apresenta em Portugal em atuações exclusivas.

Entre os destaques, nomes incontornáveis da música global como Oumou Sangaré, uma das grandes vozes do Mali e referência da música africana contemporânea, Tricky, pioneiro do trip hop, e o encontro inédito entre Daddy G (Massive Attack) e Don Letts DJ Set, que cruza décadas de cultura sonora entre reggae, punk e eletrónica. Em destaque na cena portuguesa, Papillon afirma-se como uma das vozes mais relevantes da atualidade.

A programação integra também nomes fundamentais da música brasileira, como Fernanda Abreu, que celebra os 30 anos de Da Lata, um marco na renovação do pop brasileiro, e Alaíde Costa — ao lado de Cristóvão Bastos e Mauro Senise —, numa presença rara que atravessa gerações e se estende do cinema ao palco. A nova geração surge com artistas como Melly, uma das vozes mais marcantes do R&B contemporâneo, Zé Ibarra, em afirmação autoral, e Unsafe Space Garden, projeto emergente da cena portuguesa.

Em paralelo, a cultura DJ assume um lugar de destaque, com nomes como DJ Andy Smith, referência da cena britânica e ligado aos Portishead, e DJ Reborn, artista norte-americana e DJ oficial de Ms. Lauryn Hill, reconhecida pelas suas colagens sonoras que atravessam hip hop, soul e heranças afro-diaspóricas, ao lado de uma nova geração de DJs.

Entre os destaques, Barbatuques afirma-se como fenómeno global com “Baianá”, tema que se tornou viral à escala internacional e que será a trilha desta edição do MIMO, enquanto K.O.G, uma das vozes mais vibrantes da nova música africana, reinterpreta o highlife do Gana numa linguagem atual e altamente performativa.

O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, deixa algumas pistas sobre o que motivou a cidade a acolher o MIMO: «Guimarães conquistou o MIMO e isso é, para todos nós, a afirmação de Guimarães como cidade capaz de disputar, atrair e realizar grandes eventos de dimensão internacional. No ano em que o MIMO assinala uma década de presença em Portugal, é profundamente simbólico que este festival chegue ao berço da nação e a uma cidade Património Mundial, onde a história, a cultura, o talento e a identidade coletiva se cruzam todos os dias com mais ambição de futuro. Este é um momento importante para os Vimaranenses e para todo o território. Receber o MIMO significa reforçar a nossa oferta cultural de excelência, abrir Guimarães ao mundo e trazer até nós milhares de visitantes, artistas, agentes culturais e públicos de diferentes geografias. Mas significa também gerar valor concreto para a nossa economia local, para o comércio tradicional, para a restauração, para a hotelaria, para o turismo e para todos aqueles que fazem da cidade um espaço que queremos cada vez mais vivo, acolhedor e dinâmico.»

“Queremos que o MIMO seja vivido por Guimarães inteira. Queremos que seja um festival das pessoas, da cidade, das freguesias, dos comerciantes, dos empresários, dos criadores e das instituições. Esta é uma aposta na cultura, mas é também uma aposta no desenvolvimento, na projeção externa e na confiança no futuro. Guimarães tem história para receber o mundo e tem também ambição para continuar a conquistar o seu lugar entre os grandes destinos culturais da Europa”.
Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de Guimarães

O festival afirma ainda um compromisso com a diversidade e o equilíbrio de género, com uma presença expressiva de mulheres artistas em diferentes frentes da criação. Destacam-se projetos como o Coletivo Gira, coletivo sediado em Lisboa que afirma o samba como espaço de encontro e celebração, Aline Paes, que revisita o universo dos Afrosambas com uma abordagem contemporânea, as Batucadeiras das Olaias, que trazem a força do batuku cabo-verdiano como expressão de identidade e resistência, e Alzira E, figura central da vanguarda paulista, cuja trajetória atravessa mais de quatro décadas de criação.

A música instrumental e de matriz clássica assume um lugar de destaque nesta edição, com projetos de grande sofisticação artística, como a Accademia del Piacere, referência europeia na recriação dos repertórios dos séculos XVI e XVII, o pianista vimaranense Pedro Emanuel Pereira, e o encontro entre Bianca Gismonti e Manuel de Oliveira, que recebem Ricardo Ribeiro, uma das grandes vozes do fado contemporâneo, num diálogo entre Brasil e Portugal. Este eixo estende-se ao concerto de Rui Soares e da soprano Fabiana Magalhães, apresentado no órgão histórico da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, reforçando a ligação entre música e património.

A programação inclui ainda o encontro entre La Litanie des Cimes e Mah Damba, uma das grandes vozes da tradição griot do Mali, num projeto de forte dimensão espiritual que cruza herança africana e criação contemporânea. Em diálogo com o território, a programação inclui projetos de forte enraizamento local, como o Coro Espontâneo e os Amigos das Concertinas de Guimarães, reforçando a ligação entre criação artística e património vivo.

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