Numa fuga à sombra da sua irmã Billie Eilish, FINNEAS provou no NOS Alive que além de ser um excelente produtor e compositor, também sabe dominar um palco de uma ponta à outra.
No espectro da música pop o nome FINNEAS dispensa qualquer tipo de apresentações. Enquanto produtor e compositor o artista norte-americano já arrecadou dez Grammys, dois Óscares e estabeleceu parcerias de estúdio com artistas de topo como Justin Bieber, Drake e Selena Gomez. Porém, desde que saltou para a ribalta com o EP “Don’t Smile at Me” (2017), da sua irmã Billie Eilish, e onde desempenhou funções de co-compositor e produtor, FINNEAS tem vivido numa constante dicotomia entre a sombra de Eilish e a luz que o seu repertório a solo emana.
Desta forma, não é de estranhar que num dia em que a eletrónica dominou o Palco NOS com os roqueiros de espírito, os Justice e o poder do audiovisual de Anyma, FINNEAS tenha surgido como um verdadeiro cabeça de cartaz do segundo dia de NOS Alive 2025, apesar de ter comparecido no palco “secundário”. É sabido que, para muitos, no Alive não existe essa distinção entre palcos e prova disso são as enchentes que o Heineken tem assistido nos últimos anos, fruto de uma procura que se sobrepõe à capacidade da tenda. Foi assim nas duas vezes que os Parcels lá tocaram em 2022 e 2024, no concerto de Aurora em 2024 e agora também no de FINNEAS. Desta vez, a organização não foi apanhada de surpresa e aumentou consideravelmente a tenda.
Desta forma, não é de estranhar que num dia em que a eletrónica dominou o Palco NOS, FINNEAS tenha surgido como um verdadeiro cabeça de cartaz do segundo dia de NOS Alive 2025, apesar de ter comparecido no palco “secundário”.
A espera foi longa, e a histeria montada nas primeiras filas, com muitos cartazes, bandeiras e presentes para oferecer ao artista, provou que FINNEAS é tão acarinhado pelo público como a sua irmã. Mas será que também é um performer nato?
O início do concerto não invocou a explosão que antecipávamos. “Lotus Eater” e “Cleats” soaram algo insonsas, faltou-lhes tempero na voz de FINNEAS e uma entrega que agarrasse de imediato os duvidosos. Mas, na falta de sal, veio a doçura de “Sweet Cherries”, que se revelou o ponto de viragem para uma performance muito mais dinâmica e confiante de FINNEAS , assim como do resto da banda.
Feliz pelo facto da sua carreira a solo estar a levá-lo a tocar um pouco por todo o mundo, FINNEAS agradeceu o apoio e confessou que ao tentar ler os cartazes dos fãs durante as músicas enganou-se várias vezes nas letras. Ninguém pareceu importar-se com isso, e o momento serviu apenas para gerar algumas gargalhadas.
Alternando entre duas guitarras, uma Fender American Deluxe Telecaster Thinline com um tremolo vibrato tipo Bigsby e uma Taylor 514ce, e o piano, “Angels” trouxe o primeiro momento de introspeção com o público a entrar num silêncio coletivo para contemplar e apreciar a delicadeza da voz de FINNEAS. O falsete e a suavidade vocal são elementos que partilha com a sua irmã, trazendo assim para as suas composições uma vulnerabilidade que não deixa o público indiferente.
Dúvidas dissipadas, FINNEAS mostrou no NOS Alive que tem todas as competências para subir sozinho a um palco e agarrar uma plateia com o seu próprio repertório.
A dançável “2001” trouxe mais um momento de boa disposição. Num gesto espontâneo, FINNEAS pediu emprestado o telemóvel de uma fã e levou-o para palco para filmar-se a si próprio e aos seus colegas. Já em antecipação ao seu novo projeto The Favors, onde se junta à cantora Ashe, FINNEAS apresentou “The Little Mess You Made”, o primeiro single do álbum de estreia “The Dream”, que tem data de lançamento agendada para Setembro.
Entre problemas técnicos num teclado que deram tempo a FINNEAS para ler os cartazes do público e um boné de Portugal enviado para o palco que rodou a cabeça de todos os músicos, FINNEAS confessou que aquele estava a ser um dos seus concertos mais divertidos. Para o fim, o músico guardou o romantismo de “Let’s Fall in Love for the Night” e “For Cryin’ Out Loud!”, o grande êxito do seu mais recente álbum de estúdio.
Dúvidas dissipadas, FINNEAS mostrou no NOS Alive que tem todas as competências para subir sozinho a um palco e agarrar uma plateia com o seu próprio repertório. Com uma presença carismática, uma boa interação com o público e uma voz que consegue tocar nos corações, o músico demonstrou que já merecia há muito ter um holofote a apontar só para si.




























